Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

sábado, 4 de julho de 2015

Comunhão dividida?

Um tema recorrente nos círculos evangélicos é a comunhão entre os santos. Fala-se dela como o resultado de muito esforço e tolerância por parte dos cristãos. Existem centenas de denominações – dizem – mas somos um só povo. Não precisamos viver desunidos. Esforcemo-nos, pois, para refletirmos o amor de Cristo em nossas relações.
Concordo que, às vezes, a impressão que passamos para os que são de fora é de completa animosidade. A maneira desrespeitosa como evangélicos criticam evangélicos que mantêm práticas e doutrinas diferentes beira ao ódio. É como se o principal inimigo de um cristão fosse outro cristão, membro de uma igreja diferente.
Apesar de reconhecer que essa postura é muito comum, não creio que sejamos desunidos. Doutrinária e misticamente não somos. Estamos em Cristo e, portanto, somos membros uns dos outros. Como escreveu Barclay: “Ninguém pode caminhar desunido com seu semelhante e ao mesmo tempo estar unido a Cristo. Se a pessoa tiver a Cristo como companheiro de caminhada, inevitavelmente é companheiro de todo caminhante.” Eu estou em Cristo, você está em Cristo. Estamos os dois no mesmo lugar. Eu completo você tanto quanto você me completa. Aliás, não seria um cristão pleno se não tivesse comunhão com você e com os demais filhos de Deus. Em essência, portanto, temos a mais íntima e perfeita comunhão.
Infelizmente, devido ao pecado, à imaturidade, ao mundanismo, é que nas nossas relações agimos tão díspares. Deixamos a beleza da comunhão mística ser sufocada por questões secundárias, como a forma do batismo, práticas litúrgicas e outras tantas coisas de somenos importância. Cremos em Deus Pai, Todo Poderoso? Cremos em Jesus Cristo, Seu Único Filho? Cremos na morte e ressurreição do Filho de Deus? Cremos no Espírito Santo? Cremos na Igreja? Ora, então cremos nas mesmas coisas! Se isso é assim, o que nos diferencia? 5 litros de água? Cantar de olhos fechados?
Richard Tatlock escreveu: “O inferno é a condição eterna dos que fizeram da relação com Deus e com seus semelhantes algo impossível porque destruíram em suas vidas o amor... O céu e, por outro lado, a condição eterna dos que acharam verdadeira vida numa relação de amor com Deus e seus semelhantes.”
Em Jesus, somos um. E não vários.

Rev. Renato Arbués.

Saudade de Deus!

Você já sentiu saudade de Deus? Davi, sim. Por duas vezes o rei Davi se viu obrigado a afastar-se de Jerusalém. Na primeira vez, enfrentou um longo exílio devido à hostilidade de Saul. Na segunda ocasião, seu filho, Absalão, iniciou uma revolta que forçou o rei a se retirar, evitando um conflito familiar. Embora alguns comentaristas entendam que o Salmo 42 foi escrito durante a fuga motivada por Absalão, Calvino entende que “a rebelião de Absalão foi rapidamente reprimida, de modo que não impediu por muito tempo a Davi do acesso ao santuário”. Portanto, o contexto do Salmo 42 foi a perseguição de Saul.
“Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por Ti, ó Deus, suspira a minha alma” (v. 1). Deus está presente em todo lugar. Por que Davi se ressente tanto da companhia divina? Ora, ali onde estava, não poderia ter comunhão com o Santo de Israel? Claro que sim. “Deus está aqui, tão como certo, aleluia, tão certo como o ar que eu respiro...”, diz o hineto. Mas, embora Deus esteja em todo lugar, precisamos nos lembrar de que Ele próprio providenciou meios para nos atrair a Si e conduzir nossas mentes para o alto. A Igreja faz isso. No caso de Davi, o santuário. O rei estava sentindo falta não da companhia de Deus, mas do lugar em que ele, Deus e Seu povo se encontravam e se alegravam. Davi sentia falta do culto, das orações, do cântico congregacional, da leitura audível da Palavra e da pregação. Era difícil viver longe de sua casa, de sua cidade, de seu povo. Mas, o que Davi não suportava mais, que realmente fazia falta, era estar na Casa de Deus.
“As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite, enquanto me dizem continuamente: O teu Deus, onde está?” Os inimigos de Davi zombavam dele, pois ele estava longe da arca, longe da prova da presença divina, e, por isso, aqueles homens concluíam que ele havia se perdido do Altíssimo (Matthew Henry).  Tais homens, obviamente, não sabiam nada sobre Deus. Todo crente sabe onde está Deus e como encontrá-lo, mesmo quando distante da igreja. “Não importa em que lugar estamos, há um caminho em direção aos céus”.
Entretanto, os inimigos de Davi não estavam de todo errados na inferência que fizeram. Um peixe fora da água, embora tenha oxigênio, está fora do seu ambiente e, certamente, morrerá. Um cristão fora da igreja, está fora do seu ambiente e, certamente, morrerá. Pedro diz que o diabo anda em derredor, como leão. Quando um leão sai à caça e encontra animais em bando, a estratégia dele é isolar um indivíduo. Fora do grupo, qualquer indivíduo torna-se presa fácil. É diferente com os cristãos? O que acontece a um crente que vive distante do grupo? Que não frequenta a igreja?
As lágrimas de Davi eram a sua própria alimentação diária, enquanto não podia se nutrir da companhia de Deus e de seus irmãos no santuário.
Tudo isso me leva a refletir sobre a postura perigosa que alguns filhos de Deus têm assumido, a de viver longe da Casa de Deus. Por que isso acontece? Como alguém escolhe colocar a própria segurança em perigo deliberadamente? O que levaria alguém a abrir mão da felicidade de estar com Deus no Seu templo para estar em qualquer outro lugar?
Cristão, lembre-se: Seu lugar é na Casa de Deus. “Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl. 42.11b).

Rev. Renato Arbués.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Eu no reino de Deus!

Não poucas vezes os cristãos são instruídos a pensar no reino de Deus. Buscá-lo em primeiro lugar foi apresentado por Jesus como dever do filho de Deus. Mas, o que tem recebido pouca ênfase na igreja é a necessária obrigação de trabalhar por e neste reino.

Você trabalha por este reino quando sua vida reflete as horas de leitura da Bíblia e de oração que regularmente você faz. Sua participação nos trabalhos regulares da igreja também é uma ótima maneira de fazer algo relevante pelo reino. Você faz parte de uma congregação. Seu lugar, portanto, é com os seus irmãos, compartilhando com eles suas lutas e anseios, suas vitórias e derrotas, suas contribuições para a glória de Deus. Trabalhar pelo reino de Deus é um mister sublime, que demanda boa vontade e dedicação não a si mesmo ao outro por quem Cristo morreu.

Em outra frente, fomos convocados a trabalhar neste reino. Há muitas tarefas a serem feitas e elas não são realizada por anjos e, sim, por seres humanos regenerados, como eu e você. No reino de Deus há pessoas que estão fracas espiritualmente e precisam de socorro; há irmãos que carecem de uma oração, de um aconselhamento, de um sorriso, de um desafio, de uma exortação. E quem deve fazer isso? O pastor e o presbítero? Sim. E você também. É dever de um irmão zelar pelo bem-estar de outro irmão. Você também é responsável por aqueles por quem Cristo morreu.

Assim, temos um grande privilégio de pertencermos ao reino de Deus. Nele, todas as coisas são controladas e dirigidas para um fim: A glória do SENHOR. É nessa perspectiva que avaliamos a nossa vida, nossa família, nosso trabalho. Todas as coisas que somos e fazemos fazem parte de um plano eterno, lindo e perfeito, que, ao final, revelará o quanto Deus é bom e Santo em todos os Seus caminhos.

No entanto, todo privilégio anda acompanhado de responsabilidades. E é nossa responsabilidade trabalhar por e neste reino. Você não pode ser inútil nem parasita. Inútil é aquele que se nega a doar pelo bem da igreja e do próximo. Nega aos irmãos o uso dos seus talentos e dos seus recursos. Parasita é aquele que apenas se senta e desfruta da pregação, do templo e da companhia dos irmãos, sempre sugando e em nada cooperando. Você não é assim!

Avalie sua participação no reino de Deus. Você acha satisfatório o que tem feito ou poderia fazer mais? Que sua consciência não lhe condene, irmão. Antes, seja a sua vida um testemunho da gratidão que você tem por pertencer à família de Deus.

Rev. Renato Arbués.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Alegria da salvação

O apóstolo Pedro escreveu que os santos anjos estudam (“perscrutam” é a palavra que ele usa em 1 Pe. 1.12) a respeito da salvação do homem. Cá pra nós, creio que nem sempre os cristãos fazem isso. É tão natural ver-se salvo que, ouso a dizer, são poucos os filhos de Deus que refletem sobre a dádiva maior que receberam do SENHOR: A salvação de suas almas.

Basicamente, há três maneiras de pensar sobre a salvação: 1. Ela é um presente de Deus, a qual o homem recebe passivamente; 2. Ela é fruto do esforço humano; e, 3. Ela é um híbrido de graça e obras. Teologicamente, 2 e 3 se equivalem, ou seja, são a mesma coisa. Dizer que a salvação é fruto do esforço humano total ou parcialmente, é dizer o mesmo: Que, a menos que o homem queira ser salvo, Deus nada poderá fazer a respeito. Em contrapartida, crer numa salvação oriunda da soberana graça de Deus parece fazer jus ao ensino bíblico mais amplo. É assim que eu creio.

O apóstolo Paulo também pensava assim. Quando ele reflete sobre a justificação pela fé, usa o exemplo de Abraão para esclarecer a doutrina. Então, na epístola aos Romanos, capítulo 4, verso 13, ele escreve: “Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé”. Eu sublinhei a palavra promessa porque é a palavra que Paulo gosta de usar ao se referir à salvação. No idioma grego, há duas palavras que significam “promessa”. Uma é hiposquesis, que indica uma promessa sujeita a condições, do tipo “eu prometo fazer isso se você prometer fazer aquilo!” Um toma lá dá cá! A outra palavra é epaggelia (lê-se epanguelia), que significa uma promessa feita pela bondade do coração de alguém, e em forma incondional. Adivinha qual palavra o apóstolo usa? Claro, a segunda.

Deus promete amar a Seus filhos, não importa o que eles façam ou sejam. “Na verdade”, escreveu alguém, “amar algumas pessoas é o que faz Deus feliz. Não depende de nosso mérito, mas, sim, da generosidade dEle”.

Mas, frequentemente, Paulo fala da necessidade da fé, que ele logo ensina ser um presente (dom) de Deus. Ora, a fé é a certeza de que Deus é como é. É descansar nEle, sabendo que Ele jamais deixará de cumprir uma só de suas promessas (epaggelia). E Ele prometeu: “Se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-Se a Si mesmo” (2 Tm. 2.13).

Será que os santos anjos entendem isso? Que o Eterno Pai, Criador de todas as coisas, ama pecadores fragéis e culpados como eu e você? E faz isso de graça? Se você me permitir especular, acho que não é por acaso que os anjos estudam isso há tanto tempo. Não dá pra entender um amor tão grande assim.

Fazer o quê? Desfrutar da promessa divina de que somos Seus filhos e Ele é o nosso Deus. Maranata!

Rev. Renato Arbués.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Agripa, o mente "aberta"

A história você conhece: Paulo fora preso sob a acusação de ensinar a “todos a serem contra o povo, contra e lei e contra este lugar (o templo); ainda mais, introduziu até gregos no templo e profanou este recinto sagrado” (At. 21.28). Antes, porém, de ser preso, Paulo apanhou bastante da multidão ensandecida, sendo salvo pela intervenção do comandante dos soldados romanos. O comandante ordenou ainda aos soldados que “Paulo fosse recolhido à fortaleza e que, sob açoite, fosse interrogado para saber por que motivo assim clamavam contra ele.” (At. 22.24). Enquanto era amarrado, Paulo questionou se era lícito tratar daquela forma a um cidadão romano. Não era. E Paulo foi levado até o governador Félix.

Agripa II, rei da Galiléia, acompanhado de sua irmã Berenice, visitava o governador Festo. Este convidou os dois visitantes ilustres a assistirem ao julgamento de Paulo. Lê-se em At. 26.1: “A seguir, Agripa, dirigindo-se a Paulo, disse: É permitido que uses da palavra em tua defesa. Então, Paulo, estendendo a mão, passou a defender-se nesses termos:”. Cumpria-se, assim, a palavra de Deus, dita a Ananias, na conversão de Paulo: “Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel.” (At. 9.15).

Ao final do discurso, o apóstolo se dirige ao rei Agripa e o questiona: “Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas?” (At. 26.27). Agripa era um homem letrado, conhecedor tanto da Lei dos judeus quanto da nova religião. Era de família nobre e, portanto, versado nas várias áreas do conhecimento da época. Portanto, muito provavelmente, nada do que Paulo falara, com exceção da experiência pessoal de conversão do apóstolo, era novidade para o rei, que respondeu assim ao questionamento: “Então, Agripa se dirigiu a Paulo e disse: Por pouco me persuades a me fazer cristão.” (At. 26.28).

Pobre Agripa.

Mas, excetuando as razões soberanas de Deus, talvez a maior dificuldade para que Agripa aceitasse a pregação de Paulo fosse sua posição. Como intelectual, era difícil a ele aceitar aquelas “superstições e crendices” de judeus. Antes, Festo, o governador, havia dito que Paulo estava delirando. Como um homem culto poderia abraçar uma religião de pescadores? Como aceitar que um carpinteiro pudesse ser alguém importante? Sua mente não lhe permitiu render-se àquela proposta de vida. Uma mente sábia deve continuar sempre aberta às possibilidades, sem, contudo, comprometer-se com nenhuma. Esse tem sido o lema dos sábios e entendidos deste mundo. Agripa era um deles.

Entretanto, o que poucos têm conseguido enxergar é a diferença entre uma mente aberta e uma mente vazia. Continuar recusando aceitar uma verdade demonstrada com fatos históricos, evidências arqueológicas, testemunhos de pessoas e nações, não é ter uma mente aberta. É ter uma mente vazia. Para continuar sendo educado, o intelectual de hoje afirma que respeita muito a Jesus, que Ele foi um grande mestre, um grande professor (há quem o veja até como o maior psicólogo que já existiu), um profeta, um sábio, qualquer coisa muito importante, menos Deus. Novamente, a sabedoria desse mundo se mostra falha, pois, como observou C. S. Lewis, se Cristo não é Deus, não poderia ter sido um profeta exemplar ou um grande professor de moralidade, pois ele afirmava ser Deus. Se não era quem dizia ser, então ele era um mentiroso ou um lunático, e dificilmente um grande mestre de moral ou profeta.

Mas, o pessoal de mente aberta não liga para essas contradições. Eles continuam, como Agripa, por pouco quase gostando do evangelho; por pouco quase aceitando a Bíblia; por pouco sendo simpáticos à igreja.

Você já sabe aonde essa mente aberta vai dar!

Rev. Renato Arbués.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Livre para quê?

Você ainda deve se lembrar da definição de livre-arbítrio. Em todo caso, vou repeti-la, a fim de deixar o argumento desta pastoral bem evidente: Livre-arbítrio é a capacidade de todo pecador de escolher igualmente entre a salvação e a perdição, entre crer e descrer de Cristo. Por favor, não confunda livre-arbítrio com escolha, vontade ou liberdade. Afinal, você tem toda a liberdade de fazer suas escolhas de acordo com sua natureza. Quando você escolhe vestir uma blusa vermelha está agindo de acordo com sua natureza. Da mesma maneira, quando escolhemos entre uma refeição salgada ou doce, assistirmos ou praticarmos esportes, vermos uma novela ou lermos um livro, estamos agindo de acordo com nossa natureza. A questão que resta é entender um pouco sobre a nossa natureza. Para isso, creio que não há  ninguém melhor do que Aquele que a criou para nos ajudar. O Senhor Deus diz sobre a nossa natureza: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo o desígnio do seu coração” (Gn. 6.5); “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (Rm. 3.10-12). Que bela natureza nós temos, não?

Avançando mais um ponto, devo ressaltar que livre-arbítrio também não é o mesmo que liberdade. Claro que o homem é livre! E ser livre é poder agir de acordo com sua natureza, caso contrário, não há liberdade. Pense comigo, se você faz algo de que não gosta, não está agindo livremente, mas coagido. Quando um preguiçoso, lutando contra sua natureza, decide fazer exercícios, ele está sendo impulsionado pelo desejo de emagrecer, de melhorar sua capacidade aeróbica, de combater os efeitos da obesidade. Em qualquer dos casos, ele não age livremente, mas forçado pela necessidade de trocar o sedentarismo por uma rotina saudável. Ora, quanto à saúde espiritual, o homem age da mesma forma: Mesmo sabendo o que deve fazer para ser espiritualmente saudável, a menos que uma força maior o obrigue a fazê-lo, jamais conseguirá: “O meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios e não inteligentes; são sábios para o mal e não sabem fazer o bem” (Jr. 4.22), disse o SENHOR.

E quem fez isso com o homem? Quem dotou o homem com uma natureza tão bruta, irracional e maldita, a ponto de desejar o mal ao bem? De quem é a culpa por sermos assim?

De Deus? Não. Porque “eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele (o homem) se meteu em muitas astúcias.” (Ec. 7.29). Ao criar o homem, Deus o fez perfeito, à Sua imagem e semelhança. Portanto, essa limitação na natureza humana não veio de Deus. Então, vem de quem?

Do próprio homem! Quando decidiu pelo pecado, o homem traiu a si mesmo e não apenas a Deus. O homem trocou a sua pureza, sua perfeição, sua dignidade, pelo pecado (Gn. 3). E continua fazendo isso. A mensagem é pregada, o evangelho é oferecido a todos os homens, “contudo, não quereis vir a mim para terdes vida”, diz Jesus (Jo. 5.40). O livre-arbítrio tornou o homem escravo de si mesmo, de seus desejos maus, de sua natureza corrupta, de seu coração cheio de malícia: “E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental e reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia.” (Rm. 1.28-31).

Que beleza de livre-arbítrio, hein?

Rev. Renato Arbués.


domingo, 8 de março de 2015

FELIZ DIA DA MULHER

No mundo grego, as mulheres eram colocadas quase no mesmo nível que os escravos e, tanto pelo costume quanto pela lei, estavam sob controle de seus maridos.

Na sociedade romana, a mulher gozava de maior liberdade, na prática, senão na lei. Ela compartilhava a vida do marido e tinha liberdade de aparecer com ele em público. Com essa emancipação parcial, veio maior lassidão moral que incluía o divórcio mais frequente. O estoicismo tendia a elevar a posição das mulheres e buscava indicar um alto padrão ético; por outro lado, as religiões romanas, muitas vezes, incluíam vícios vergonhosos que em muito degradava sua posição.

No judaísmo, a posição das mulheres era regulada pela Torah. No lar, sua posição era de dignidade e responsabilidade (Pv. 31). Os filhos ficavam sob a responsabilidade especial da mãe (Êx. 20.12; 21.15; Lv. 19.3). Comparada com a visão do resto do mundo, a posição da mulher, dentro do judaísmo, era de privilégios e reconhecimento.

Tal privilégio pode ser observada numa leitura mais cuidadosa da narrativa da criação, algo que poucos cristãos fazem. A respeito da Criação, a Bíblia afirma que Deus criou o mundo em 6 dias e, ao final de cada dia, viu Ele que tudo “era bom”. Porém, lendo com óculos de grau, qualquer pessoa verá que algo não “era bom”, mesmo antes do pecado. Gênesis 2.18 afirma: “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”. Deus, que criou e organizou todas as coisas, sabia que o homem, sozinho, não seria grande coisa. Deu-lhe a mulher para que sua humanidade (do homem) alcançasse toda a sua potencialidade.

O Senhor Jesus ensinava as mulheres e recebia o serviço delas. Em Suas parábolas, Jesus, frequentemente, incluía referências ao cotidiano da mulher (Mt. 13.33; Lc. 15.8ss). Nosso Senhor não fez distinção entre homem e mulher no que concerne aos privilégios espirituais.

A verdade é que a mulher é uma das mais belas obras de Deus. O rei Salomão escreveu: “Quem encontra uma esposa (mulher) excelente coisa encontra e alcançou a benevolência do SENHOR” (Pv. 18.22). Apesar de Salomão chamar de “coisa”, tem-se de observar que é uma “coisa excelente”. Brincadeira à parte, a ordem planejada por Deus estabelecia que a felicidade plena se daria na vida em família, homem e mulher.

Ter um dia especial para homenagear às mulheres à luz da Bíblia não é algo que deva ser avaliado como certo ou errado. Porém, à luz das Escrituras, uma “coisa” tão excelente, quanto a mulher, deveria ser honrada e homenageada todos os dias do ano.

Enfim, a visão cristã a respeito da mulher eleva-a e a entende não como inferior, mas, de fato, igual e essencial ao homem. Sem ela, certamente, não conheceríamos a felicidade planejada por Deus.

Feliz Dia Internacional da Mulher.

Rev. Renato Arbués.