Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

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sábado, 4 de julho de 2015

Saudade de Deus!

Você já sentiu saudade de Deus? Davi, sim. Por duas vezes o rei Davi se viu obrigado a afastar-se de Jerusalém. Na primeira vez, enfrentou um longo exílio devido à hostilidade de Saul. Na segunda ocasião, seu filho, Absalão, iniciou uma revolta que forçou o rei a se retirar, evitando um conflito familiar. Embora alguns comentaristas entendam que o Salmo 42 foi escrito durante a fuga motivada por Absalão, Calvino entende que “a rebelião de Absalão foi rapidamente reprimida, de modo que não impediu por muito tempo a Davi do acesso ao santuário”. Portanto, o contexto do Salmo 42 foi a perseguição de Saul.
“Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por Ti, ó Deus, suspira a minha alma” (v. 1). Deus está presente em todo lugar. Por que Davi se ressente tanto da companhia divina? Ora, ali onde estava, não poderia ter comunhão com o Santo de Israel? Claro que sim. “Deus está aqui, tão como certo, aleluia, tão certo como o ar que eu respiro...”, diz o hineto. Mas, embora Deus esteja em todo lugar, precisamos nos lembrar de que Ele próprio providenciou meios para nos atrair a Si e conduzir nossas mentes para o alto. A Igreja faz isso. No caso de Davi, o santuário. O rei estava sentindo falta não da companhia de Deus, mas do lugar em que ele, Deus e Seu povo se encontravam e se alegravam. Davi sentia falta do culto, das orações, do cântico congregacional, da leitura audível da Palavra e da pregação. Era difícil viver longe de sua casa, de sua cidade, de seu povo. Mas, o que Davi não suportava mais, que realmente fazia falta, era estar na Casa de Deus.
“As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite, enquanto me dizem continuamente: O teu Deus, onde está?” Os inimigos de Davi zombavam dele, pois ele estava longe da arca, longe da prova da presença divina, e, por isso, aqueles homens concluíam que ele havia se perdido do Altíssimo (Matthew Henry).  Tais homens, obviamente, não sabiam nada sobre Deus. Todo crente sabe onde está Deus e como encontrá-lo, mesmo quando distante da igreja. “Não importa em que lugar estamos, há um caminho em direção aos céus”.
Entretanto, os inimigos de Davi não estavam de todo errados na inferência que fizeram. Um peixe fora da água, embora tenha oxigênio, está fora do seu ambiente e, certamente, morrerá. Um cristão fora da igreja, está fora do seu ambiente e, certamente, morrerá. Pedro diz que o diabo anda em derredor, como leão. Quando um leão sai à caça e encontra animais em bando, a estratégia dele é isolar um indivíduo. Fora do grupo, qualquer indivíduo torna-se presa fácil. É diferente com os cristãos? O que acontece a um crente que vive distante do grupo? Que não frequenta a igreja?
As lágrimas de Davi eram a sua própria alimentação diária, enquanto não podia se nutrir da companhia de Deus e de seus irmãos no santuário.
Tudo isso me leva a refletir sobre a postura perigosa que alguns filhos de Deus têm assumido, a de viver longe da Casa de Deus. Por que isso acontece? Como alguém escolhe colocar a própria segurança em perigo deliberadamente? O que levaria alguém a abrir mão da felicidade de estar com Deus no Seu templo para estar em qualquer outro lugar?
Cristão, lembre-se: Seu lugar é na Casa de Deus. “Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl. 42.11b).

Rev. Renato Arbués.

domingo, 13 de abril de 2014

DESÇAM DAS ÁRVORES

Eu amo os hinos cristãos. Sou tradicional nesse ponto. Aliás, tradicionalíssimo. Prefiro cantar “Mais perto quero estar” a “como Zaqueu quero subir...”. Não há nada de sagrado nos hinos clássicos. São letras e músicas compostas por cristãos sinceros e dedicados, mas que, de maneira nenhuma, estavam livres de cometerem erro. O mesmo se pode afirmar dos “cânticos espirituais” hodiernos. No entanto, eu prefiro os hinos. São mais inteligentes, tocam mais profundamente a alma e conseguem nos fazer pensar mais detidamente nas “Maravilhas Divinas” (Hino n.º 33).

Como exemplo, vejamos a maneira como alguns hinos falam do amor sacrificial de Jesus. Cristo deu a Sua vida por mim, é a mensagem do evangelho. Às vezes, meditando no que levou o Deus eterno a me amar de tal maneira a dar o Seu único Filho em meu lugar, eu me pego cantarolando: “Meu Deus que amor! Meu Deus que antigo amor!” (Hino n.º 88).

Sobre esse antigo amor de Deus por mim, aprendi com minha mãe. Ainda criança, eu a ouvia ler “A história de Jesus”, “O anjo Gabriel”, “A fuga para o Egito”. Hoje, sou eu quem conta essas histórias para minha filha. Mas, sempre que ouço a congregação cantando “conta-me a velha história, que fala ao coração, de Cristo e Sua glória, de Cristo e seu perdão!” (Hino n.º 227), me bate uma saudade dos tempos de infância. Tive o privilégio de ouvir excelentes pregadores, entretanto, a “velha história” foi minha mãe que me contou.

Obviamente, mesmo sabendo do amor de Deus por mim, de vez em quando sinto abatimento em meio às crises. Nessas horas, como um desabafo e reconhecimento de minha pequenez, declaro: “De ti, Senhor, careço! Do teu amparo, sempre! Oh! Dá-me tua bênção! Aspiro a ti” (Hino n.º 120). Penso que o autor dessas letras experimentava a mesma sensação que eu. Ele deu voz poética à minha necessidade de proteção.

Proteção essa que se renova a cada vez que entoo: “Oh! Não temas! Oh! Não temas! Pois eu contigo sempre serei. Oh! Não temas! Oh! Não temas! Porque eu nunca te deixarei! (Hino n.º 146). Não poderia deixar de mencionar a paz sentida ao ouvir um irmão me lembrando que “Deus cuidará de ti! Na tua dor, com todo amor, jamais te deixará! Deus cuidará de ti!” (Hino n.º 165).

Cantar hinos também me faz lembrar do tempo em que eu, com dezessete anos, matriculei-me pela primeira vez como aluno numa Escola Bíblica Dominical, lá em Barra do Garças, no estado do Mato Grosso. O presb. Sandoval, que servia como nosso pastor, “sacramentalizou” que, o encerramento da EBD devia ser obrigatoriamente com o Hino 400: “Grande Deus! Em paz, agora, despedimo-nos, Senhor. Certos de fruir as bênçãos que provêm do teu amor. Dá-nos forças, dá-nos forças, neste mundo de amargor”. Se por alguma “negligência”, alguém terminasse a EBD sem cantar esses versos, à noite, durante o sermão, ouvíamos protestos do Sr. Sandoval: “Cuidado com a modernidade entrando na igreja!”. “Os jovens de hoje só querem fazer as coisas do seu jeito” etc, etc, etc. Imagine o que aconteceria se o Sr. Sandoval soubesse que hoje a igreja não quer mais saber dos hinos!

Enfim, eu amo os hinos. Não consigo descrever para você, caro leitor, a sensação que senti quando, num culto doméstico, minha filha mais nova, Luísa, pediu para cantarmos o Hino 110-A (com ênfase no A), pois, ela disse, “eu amo esse hino, papai”.

Se você escrevesse essa pastoral, certamente, os hinos citados seriam outros. Se eu escrever outra pastoral com a mesma temática, os hinos que citarei também serão outros. Uma constatação, porém, continuaria rigorosamente igual: Como é bom cantar os hinos! A essa altura, seria bom pedir para os irmãos que subiram em árvores, “como Zaqueu”, que desçam delas, abram seus hinários e cantem com os anjos: “Oh! Que belos hinos cantam lá no céu...” (Hino n.º 335).

Rev. Renato Arbués.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

"E foram batizados todos os que creram"

No último dia 12, a IPC de Senhor do Bonfim “ganhou” mais um membro. Trata-se da irmã Maria Raimunda Goveia de Oliveira, que recebeu o batismo e professou a fé, no culto solene. Apesar do mês de janeiro ser de férias, a igreja estava cheia, com amigos e familiares da referida irmã, que foram assistir a cerimônia e, consequentemente, ouviram a Palavra de Deus. Rogamos a Deus que confirme o chamado de nossa irmã com muitos frutos do Espírito Santo. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo. 8.32).

Rev. Renato Arbués.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A SANTA CEIA DO SENHOR E OS BENEFÍCIOS CONFERIDOS POR ELA

RESOLVI REPUBLICAR POR OCASIÃO DA SANTA CEIA NO PRÓXIMO DOMINGO. LEIA COM ATENÇÃO:

1. Porque Cristo instituiu a Ceia
Deus, depois de nos ter recebido em Sua família, não para servir-se de nós como criados, e sim para ter-nos no número de Seus filhos, a fim de conduzir-nos como um bom pai de família, que se preocupa com seus filhos e descendentes, e pensa no modo de sustentar-nos durante toda nossa vida. E não contente com isto, nos quis dar a segurança de Sua perpétua liberalidade para conosco, dando-nos um presente. Para este fim instituiu por meio de Seu Unigênito Filho outro sacramento; a saber; um banquete espiritual, no qual Cristo assegura que é o pão da vida (João 6:51) com o qual nossas almas são mantidas e sustentadas pela bem aventurada imortalidade.

E como é sobremodo necessário entender um tão grande mistério; e por ser tão profundo, requer uma explicação particular; e Satanás ao contrário, a fim de privar a Igreja deste inestimável tesouro, por muito tempo o manteve obscurecido, primeiramente com trevas, e depois com nuvens mais espessas; e, além disso tem suscitado discussões e disputas para desagradar aos homens. E posto que em nossos dias ele tem usado as mesmas armas e artifícios, me esforçarei em primeiro lugar para explicar o que se deve saber a respeito da Santa Ceia do Senhor, de uma forma que os ignorantes possam entender; e depois explicarei aquelas dificuldades nas quais Satanás tem procurado enlaçar o mundo.

O pão e o vinho são sinais de uma realidade espiritual. Antes de tudo, os sinais são o pão e o vinho; os quais representam o mantimento espiritual que recebemos do corpo e sangue de Cristo. Porque como no Batismo, ao regenerar-nos, Deus , nos incorpora a Sua Igreja e nos faz Seus por adoção, assim também temos dito que com este desempenha o papel de um zeloso pai de família proporcionando-nos continuamente o alimento com o qual nos conserva e mantém naquela vida que nos gerou com Sua Palavra; Agora bem, o único sustento de nossas almas é Cristo, e por isso nosso Pai Celestial nos convida para que venhamos a Ele, para que alimentados com este sustento possuamos dia após dia maior vigor até chegar por fim à imortalidade no céu. E como este mistério de nos unirmos com Cristo é por sua natureza incompreensível, Ele nos mostra a figura e imagem com sinais visíveis mui próprios de nossa débil condição. Mais ainda; como se nos desse um presente, nos dá tal segurança disso, como se O víssemos com os nossos próprios olhos; porque esta semelhança tão familiar: que nossas almas são alimentadas com Cristo, exatamente igual o pão e o vinho natural alimentam nossos corpos, penetra nos entendimentos, por mais rudes que sejam.

Vemos pois para que fim este sacramento foi instituído; a saber, para nos assegurar que o corpo do Senhor foi, uma vez por todas, sacrificados por nós, de tal maneira que agora o recebemos e ao recebermos sentimos em nós a eficácia deste único sacrifício. E desta forma, que Seu sangue de tal maneira tem sido derramado por nós, que nos possa servir de bebida perpetuamente. Isto é o que dizem as palavras da promessa, que ali se adicionam: ‘’Tomai, comei, este é o meu corpo, que é dado por vós” (Mt. 26:26; Mc 14:22; Lc 22:19; 1 Cor. 11;24). Assim, nos manda que tomemos e comamos o corpo que uma vez foi oferecido para nossa salvação, a fim de que tenhamos a plena confiança de que a virtude deste sacrifício se mostrará em nós. E por isso chama o cálice, pacto em seu sangue; porque de certa forma renova o pacto que uma vez fez com o Seu sangue, ou melhor dizendo, continua realizando no que concerne a confirmação de nossa fé, sempre que nos dá seu preciso sangue para que o bebamos.

2- Os frutos da Santa Ceia
Nossas almas podem obter deste sacramento grande fruto de confiança e doçura, pois temos testemunho de que:

* Jesus Cristo, de tal maneira é incorporado a nós, e nós a Ele, que tudo quanto é Seu podemos chamar de “nosso”. E tudo quanto é nosso, podemos dizer que é Seu. Por isso com toda segurança nos atrevemos a nos assegurar de que

* a vida eterna e o reino dos céus no qual Cristo entrou não pode deixar de ser nossos, assim com não pode deixar de ser dEle;

* Não podemos ser condenados pelos nossos pecados, posto que ele nos tem absolvido de todos, tomando-os sobre Si e desejando que lhes fossem imputados, como se Ele os houvesse cometido. Tal é a admirável troca e substituição que Ele, meramente por Sua infinita bondade, quis fazer conosco. Ele, aceitando toda nossa pobreza, nos tem transferido todas as suas riquezas, tomando sobre si nossas fraquezas, nos tem feito forte com Sua virtude e potência, recebendo em Si nossa morte, nos tem dado a Sua imortalidade;

* carregando todo o peso dos nossos pecados, debaixo dos quais estávamos em agonia, nos tem dado Sua justiça para que nos apoiemos n’Ele, descendo a terra nos tem aberto o caminho para chegar ao céu, fazendo-se filho do homem, nos tem feito filhos de Deus.

3- A Ceia demonstra nossa redenção e que Cristo é nosso
Todas estas coisas Deus nos tem prometido plenamente neste sacramento, que devemos estar certos e seguros que nos são simbolizadas nele, nem mais nem menos que se Cristo estivesse presente e o víssemos com os nossos próprios olhos, e o tocássemos com as nossas mãos. Porque Sua Palavra não pode falhar nem mentir: Tomai, comei, este é o meu corpo que é dado por vós; este é meu sangue que é derramado para a remissão de vossos pecados. Ao mandar que o tomem, dá a entender que é nosso ao ordenar que o comam e que bebam, mostra que se torna uma substância conosco. Quando diz: Este é o meu corpo, entregue por vós; este é o meu sangue, derramado por vós, nos declara e nos ensina que eles não são tão Seus como nossos, pois os têm tomado e deixado, não para Sua comodidade, e sim por amor a nós e para nosso proveito.

Devemos notar diligentemente, que quase toda virtude e força do sacramento consiste nestas palavras: que por vós é entregue; que por vós se derrama; porque de outra maneira não nos serviria de grande coisa que o corpo e o sangue do Senhor nos fosse servido agora, se não houvessem sido entregues de uma vez por todas para a nossa salvação e redenção. E assim nos são representados pelo pão e vinho, para que saibamos que não somente são nossos, e sim que também nos concedem a vida e o sustento espiritual. Já temos advertido que pelas coisas corporais que se propõem devemos dirigir-nos segundo uma certa proporção e semelhança, às coisas espirituais. E assim quando vemos que o pão nos é apresentado como um símbolo e sacramento do corpo de Cristo, devemos recordar em seguida a semelhança de que como o pão sustenta e mantém o corpo, de mesma maneira o corpo de Jesus Cristo é o único mantimento para alimentar e vivificar a alma.. Quando vemos que nos é dado o vinho como símbolo e sacramento do sangue, devemos considerar para que serve o vinho ao corpo e que bem este lhe faz, para que entendamos que o mesmo faz o sangue de Cristo em nós: nos confirma, conforta, regozija e alegra. Porque se considerarmos atentamente que proveito obtemos do fato de que o corpo sacrossanto de Cristo tenha sido entregue e Seu precioso sangue derramado por nós , veremos claramente , que o que se atribui ao pão e ao vinho lhes convém perfeitamente segundo a analogia e semelhança a que aludimos.

4. Cristo é nosso pão e nossa bebida de vida
Não é, pois, o principal do sacramento dar-nos simplesmente o corpo de Jesus Cristo; o principal é selar e firmar esta promessa na qual Jesus Cristo nos disse que Sua carne é verdadeira comida, e Seu sangue bebida, mediante os quais somos alimentados para a vida eterna, e nos assegura que Ele é o pão da vida, do qual o que tivesse comido, viverá eternamente. E para isto, quer dizer, para selar a mencionada promessa, o sacramento nos remite à cruz de Cristo, onde esta promessa tem sido de todo realizada e cumprida. Porque não comemos a Jesus Cristo de maneira apropriada, a menos que O tenhamos como tendo sido crucificado, enquanto com vívida apreensão, percebemos a eficácia de Sua morte. Porque Ele se chama pão da vida, não por causa do sacramento, como muitos falsamente têm entendido, mas porque nos tem sido dado como tal pelo Pai; e se nos mostra tal, quando se havendo feito partícipe de nossa condição humana mortal, nos fez participantes de sua divina imortalidade; quando se oferecendo em sacrifício, tomou sobre si toda nossa maldição, para encher-nos de Sua bênção; quando com Sua morte devorou e tragou a morte; quando em Sua ressurreição, ressuscitou com glória e incorrupção a nossa carne corruptível, da qual Ele se havia revestido.

5. Recebemos a Cristo, pão da vida, no Evangelho e na Ceia
Resta somente que tudo isto se torno nosso, por aplicação. Isto é feito por meio do evangelho, e mais claramente pela Santa Ceia, onde Cristo oferece a Si mesmo a nós, com todas as Suas bênçãos, e O recebemos em fé. O sacramento, portanto, não faz que Cristo se torne pela primeira vez o pão da vida; mas, ele nos recorda que Cristo foi feito o pão da vida, para que constantemente O comamos, ele nos dá o gosto e o sabor deste pão, e nos faz sentir sua eficácia. Porque nos assegura que tudo isto que Jesus Cristo fez e padeceu, foi para nos vivificar. E além do mais, que esta vivificação é eterna. Porque como Cristo não seria o pão da vida, se uma vez não houvesse nascido, morte e ressuscitado por nós, assim também é mister que a virtude destas coisas seja permanente e imortal, a fim de que recebamos o fruto das mesmas.

Isto o expõe mui bem em São João, quando disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” (João 6:51); onde sem dúvida alguma, demonstra que Seu corpo havia de ser pão para dar a vida espiritual às nossas almas, em quanto o devia entregar à morte por nossa salvação. Porque Ele O deu uma vez por pão, quando O entregou para ser crucificado pela redenção do mundo; e O dá a cada dia, quando pela Palavra do Evangelho se oferece e apresenta, para que participemos dEle, visto que foi crucificado por nós; e, por conseguinte, sela um tal participação com o mistério de Sua Santa Ceia; e quando interiormente cumpre o que externamente significa.

Não despojemos os sinais de sua realidade. Comungar não é somente crer. Não há ninguém, a não ser que careça absolutamente de sentimentos religiosos, que não admita que Jesus Cristo é o pão da vida, com o qual os fiéis são sustentados para a vida eterna; porém, o que não estão de acordo, é no modo de se realizar tal participação.

Há alguns que numa palavra definem que comer a carne de Cristo e beber Seu sangue não é outra coisa, senão crer nEle. Porém, a mim me parece que o mesmo Cristo quis dizer, neste notável sermão, algo muito mais alto e sublime, ao recomendar-nos que comamos Sua carne; a saber, que somos vivificados pela verdadeira participação que nos dá nEle, a qual se significa pelas palavras comer e beber, a fim de que ninguém pensasse que consistia num simples conhecimento. Porque, como o comer e beber, e não o simplesmente mirá-lo, é o que dá sustento ao corpo, assim também é necessário que a alma seja verdadeiramente partícipe de Cristo, para ser mantida na vida eterna.

João Calvino.


sábado, 6 de novembro de 2010

Diretório para o Culto Público!

Um diretório para a Oração Pública, Leitura das
Escrituras, Canto de Salmos, Pregação da
Palavra, Administração dos Sacramentos,
e outras partes do Culto Público
de Deus, Ordinário
e Extraordinario

(um dos documentos produzidos pela Assembléia de Westminster).

Da Reunião dos Crentes da Igreja e seu Comportamento no Culto Público de Deus:
Quando a Igreja se reúne para o Culto Público, as pessoas (tendo antes preparado seus corações para o mesmo) devem todas vir, e tomar parte; não se ausentando das Ordenanças Públicas por negligência, ou por pretexto de reuniões particulares.
Que todos entrem no recinto da Reunião, não com irreverência, e sim de maneira comedida e decorosa, tomando seus lugares sem Mesuras (comprimentos) em direção a um ou outro lado, ou outros movimentos de Adoração.
Os fiéis estando reunidos, o Ministro, depois de convocá-los solenemente à adoração do grande nome de Deus, deverá começar com Oração.
Uma vez começado o Culto Público, as pessoas deverão dirigir toda sua atenção a este culto, evitando ler qualquer coisa que não seja o que o Ministro está lendo ou citando no momento; e abstendo-se sobretudo de todos os cochichos, consultas, saudações, ou cumprimentos particulares a quaisquer pessoas presentes, ou que estejam entrando; como também de todos os olhares fixos, cochilos, e outro comportamento indecoroso, que possam perturbar o Ministro ou as pessoas, ou impedir a si mesmo ou a outros de cultuar a Deus.
Se por necessidade as pessoas forem impedidas de estarem presentes no início, não devem, ao entrar na Igreja, se entreter em devoções pessoas, e sim reverentemente se comporem para se unir com a congregação, para a Ordenança de Deus que esteja ocorrendo no momento.