Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

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sábado, 26 de abril de 2014

HAJA TREVAS!

No evangelho de Lucas, precisamente no capítulo vinte e três, no verso quarenta e quatro, encontra-se uma informação aparentemente despretensiosa. Jesus estava pendurado na cruz e, dentro de instantes, morreria. O evangelista informa que “era quase a hora sexta”, quer dizer, por volta de meio-dia, “e houve trevas sobre toda a terra até a hora nona”.

Não há erro nesse registro. Porém, pedindo permissão ao Santo Espírito, autor original da narrativa do evangelho, sinto-me autorizado a estender a figura. O motivo que levou as trevas a se estenderem sobre “toda a face da terra”, sem dúvida, foi a morte de Cristo. Os homens haviam, finalmente, realizado seu grande e único intento: Afastavam Jesus Cristo de suas vidas, de seu mundo, de sua história, matando-o.

“Afastar Jesus” ainda é o grande projeto dos homens. Na Idade Média, senhores ilustres proclamaram a autonomia da razão contra a autoridade religiosa (Igreja), o misticismo, a Bíblia e sua mitologia (lendas), o obscurantismo. Senhores ilustres promoveram a Ilustração (= Iluminismo, século XVII), movimento que propunha a independência da razão. Terminava a escuridão, a tristeza, o atraso, promovidos pela religião, em especial, pelo cristianismo, a religião do Deus crucificado. Immanuel Kant, no ensaio “Resposta à pergunta: O que é esclarecimento?”, afirmou: “O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si.” Tutelagem? Sim, era assim que os grandes pensadores se referiam ao que a Igreja fazia aos Seus fiéis. Para eles, a Igreja não ensinava, não pregava, não instruía. Ela tutelava. E toda forma de “tutelagem” é danosa. Não por acaso, o lema Iluminista era “Sapere Aude”, do latim, “Ouse saber”, “Atreva-se a saber” ou, como mais comumente se traduz essa expressão, “tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento”.

Faz-se necessário esclarecer a óbvia ironia do resultado alcançado. Afastando Jesus e colocando a razão em seu lugar, a humanidade alcançaria as “luzes”, “a Ilustração”, o “Racionalismo”. Mas, o que a humanidade, de fato, alcançou? De acordo com Lucas, “houve trevas sobre a toda a terra”. Atualizando a conclusão do autor sagrado, o que os homens têm conseguido senão, a cada dia, jogar sobre todos nós, mais e mais trevas, as trevas do ódio, da violência, da promiscuidade, da indiferença, enfim, as trevas do pecado! Não fosse a tragédia patente na situação, seria o momento adequado para uma estrondosa gargalhada!

E eis aqui estamos. De novo, os homens tentam afastar Jesus de suas vidas, de sua história, de suas decisões, de sua política. E o que conseguem? Pais matando filhos e filhos matando pais; leis que transformam em direito o que antes era promiscuidade; banalização da vida; destruição da família; perversão dos valores outrora orientadores da conduta humana. Dá pra ouvir o apóstolo Paulo sussurrando que os homens “dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”.

Enfim, agora, quem tutela o homem é a sua razão. Como todos têm razão, ninguém mais pode ser culpado ou proibido de nada. Como constatou Dostoiévski, no livro “Os irmãos Karamazov”: “Se Deus não existisse, tudo seria permitido”! E voltamos às trevas!

Pobre Terra!

Rev. Renato Arbués.