Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Firme, porque bem acompanhado!


Josias reinou em Judá no período de 640 a 609 a. C. Seu avô, Manassés, reinara por 55 anos. Manassés promoveu intensa perseguição contra as pessoas piedosas e reprimiu violentamente a verdadeira religião em Judá. O filho de Manassés e pai de Josias, Amom, também foi um homem corrupto. Sua maldade era tão gritante que, dois anos após assumir o trono, foi assassinado por seus súditos, que não suportavam mais as crueldades do rei. Josias foi aclamado como o novo monarca.

O texto sagrado diz: “Tinha Josias oito anos de idade quando começou a reinar e reinou trinta e um anos em Jerusalém...” (2 Rs. 22.1). Como uma criança poderia governar um país após 57 anos de atrocidades? Levaria adiante o legado de seus ancestrais ou romperia com o ciclo de impiedade e buscaria novamente a Lei do SENHOR? “E fez o que era reto aos olhos do SENHOR; e andou em todo o caminho de Davi e não se apartou dele nem para a direita nem para a esquerda.” (2 Rs. 2.2). Eis a resposta.

Josias procurou uma referência e a encontrou em Davi. Que belo exemplo da soberania da graça divina. O pai passou e pereceu em seus pecados, e o filho é um vaso escolhido. Mas isso se deu porque Josias, repito, seguiu os caminhos de Davi.

Ao nos salvar, Deus nos faz membros de um povo, de uma família. Não somos chamados para a solidão ou para o isolamento. A esse povo a Bíblia nomeia Igreja. E, na igreja, somos fortalecidos com a companhia dos demais e estimulados a seguir as referências de homens e mulheres que foram fiéis a Deus. Quando Paulo exortava os orgulhosos e vaidosos coríntios, disse: “Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores” (1 Co. 4.16).

Outro “segredo” de Josias foi cercar-se de boas companhias. Tarefa difícil, considerando que este mundo jaz no maligno (1 Jo. 5.19), porém, facilitada se procurarmos no lugar certo. E onde é o lugar certo? Ora, na Igreja! Quer dizer que todos na igreja são boas companhias? Gostaria muito de responder afirmativamente, mas não posso. No entanto, na Bíblia lemos que há joio no meio do trigo, mas não lemos que há trigo no meio do joio. O que quero dizer é que é possível que ímpios vivam entre nós, filhos de Deus. Mas, com toda certeza, os filhos de Deus não conseguirão viver entre os ímpios. Eles procurarão a companhia dos salvos, a “congregação dos justos” (Sl. 1.4). Foi o que Josias fez. E encontrou Hilquias, o sumo sacerdote que o apresentou à Lei do SENHOR.

Você pode ser Josias ou Hilquias, não importa. Talvez você precise de força para continuar fiel ao Senhor. Se for esse o seu caso, procure na igreja alguém como referência, se aproxime, converse, ore com essa pessoa e faça dela uma companhia frequente.

Ou você pode ser um Hilquias na vida de alguém. Veja quem precisa de auxílio na vida cristã, apresente a Lei do Senhor com sabedoria e piedade e não meça esforços para amparar e sustentar essa pessoa.

O que não dá é pra viver sozinho!

Rev. Renato Arbués.



sábado, 7 de junho de 2014

Exceder os fariseus

Mateus 5.20: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”.

Quando o Senhor Jesus pronunciou o sermão da montanha, estavam sentados em volta dele os seus discípulos, uma multidão de ouvintes que lhe seguiam e escutavam com prazer Suas palavras.

Era o começo da igreja. Ali estavam os apóstolos que um dia se sentarão em Seu reino em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. Porém, um deles era “um diabo”. Ali também havia uma multidão de seguidores, embora um pouco mais tarde, muitos deles também abandonariam Jesus quando suas esperanças de prosperidade e sucesso na terra fossem frustradas.

Mas, naquele momento, todos diziam crer em Jesus. E demonstravam isso através de sua presença ali e por sua atenção dedicada à pregação da Palavra.

Isso é precisamente o que ainda hoje vemos acontecer quando nos reunimos na igreja. Essa igreja, aqui e agora, esse grupo de pessoas, são o sal da terra e a luz do mundo (Mt. 5.14-15).

Então, para esses discípulos, para essa igreja e também para nossos filhos, Jesus acaba de falar sobre a justiça que deve haver entre eles, como prova de que aqui realmente se congregam futuros cidadãos do Reino dos Céus.

Não. Jesus não está ensinando que somos salvos mediante a justiça própria. Isso nos é totalmente impossível. Cristo é o Salvador. Somente Ele. E o homem é justificado pela fé em Cristo, e não por obras da Lei. Porém quem confessa que busca sua justiça em Jesus e que a encontra nEle, segundo suas firmes promessas; quem isso professa deve confirmar isso por frutos agora; e frutos abundantes, muito mais que os que eram produzidos pelos escribas e fariseus.

Trata-se de exigências enormes para aqueles judeus que rodeavam a Jesus no monte. Não havia ninguém então mais cumpridor da Lei do que os escribas e fariseus. Mas Jesus exige de pescadores e camponeses que mostrem uma justiça mais abundante que a dos doutores da Lei, e sob a ameaça de serem rechaçados como servos inúteis, caso não conseguissem.

Num sentido literal, os escribas e os fariseus tinham justiça. Mas era uma justiça externa, da porta pra fora, como diríamos. Se o mandamento dizia: “Não matarás”, eles o tomavam ao pé da letra e não matavam. Porém Jesus também toma estritamente o ódio ao irmão, manifestado em insultos e xingamentos, como parte desse mandamento também.

Os escribas e fariseus levavam a sério o mandamento que dizia: “Não adulterarás”. Eles não adulteravam. Mas Jesus proibiu também entre Seu povo olhares maldosos, cheios de cobiça, classificando tudo isso como adultério.

Os escribas e fariseus respeitavam grandemente a proibição de divorciar-se. Porém Jesus não queria permitir nenhuma carta de repúdio mais em Sua igreja. A “dureza de coração” devia ser quebrada pela pregação da Palavra e pelo Espírito Santo.

Escribas e fariseus sabiam amar e cuidar do próximo. Porém, na Igreja de Jesus, também se exige amor aos inimigos. É, pois, de se perguntar: “As regras na igreja de Jesus são mais rigorosas do que na igreja dos escribas e fariseus?”. Absolutamente não. Aqueles a quem Jesus perdoou uma dívida de 10.000 talentos não devem torturar a seus irmãos por 100 moedas.

O fato de os fariseus exigirem até o último centavo de seus devedores, não poderia ser de outra maneira, pois eles também davam a Deus o que pertencia a Ele até o último centavo. E sabemos que, quem é severo consigo mesmo também será com os outros. Mas aquele que sabe que vive pela graça, não pode fazer outra coisa senão mostrar graça e perdão.

Por isso, nossa justiça deve ser muito maior que a dos fariseus. Isso é possível. Pois nosso Senhor Jesus Cristo nunca exige de Sua igreja o que é totalmente impossível. Seu jugo é suave e sua carga é leve.

Nossa justiça será maior quando tivermos olhos para ver e praticar as obras que são fruto do Espírito Santo. Essa justiça existe onde vivem e trabalham os verdadeiros filhos de Deus.

A justiça que agrada a Deus é proveniente do coração. Deus julga nossos atos, sim. Mas Ele também considera nossos motivos. Não é o bastante fazer o bem; é importante considerar acerca do motivo que nos leva a praticá-lo.

Pessoas podem fazer coisas boas mesmo tendo um coração sujo. Hittler era incapaz de machucar um gato de estimação; ao mesmo tempo comandou o assassinato de milhões de judeus. Saddam Houssein era extremamente generoso com os netos, mas implacável com os filhos e netos de seus oponentes.

Portanto, a justiça do crente deve superar a dos hipócritas, dos fariseus. Isso será possível quando tivermos motivos nobres, razões verdadeiras, causas corretas. É possível viver assim. É possível cumprir a vontade de Deus. É possível entrar no Reino dos Céus.

Rev. Renato Arbués.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

E OS DEMÔNIOS DESCANSAM...

Alguns demônios vigiavam de perto um homem de boas intenções quando, de repente, ele se abaixou para pegar algo no chão. Aflitos, os demônios perguntavam entre si:

- O que ele encontrou, o que ele encontrou?

- Um pedaço da verdade, respondeu um deles.

Quase todos eles ficaram muito preocupados:

- O que faremos, o que faremos?

O mais experiente deles, porém, procurava acalmá-los:

- Não faremos nada. Fiquem calmos, não há com o que se preocupar.

- Como não? Afinal, ele achou um pedaço da verdade!

- Não há com o que se preocupar, repetiu o demônio, vocês ainda não sabem o que um homem de boas intenções e apenas um pedaço da verdade pode fazer?

- Não!

- O de sempre, respondeu ele, uma nova heresia.

            Em toda seita, na sua origem, há um(a) homem/mulher bem-intencionado(a).


É com a melhor das intenções que milhares de cristãos têm priorizado o que é secundário em suas vidas, como a cura para a dor de cabeça ou de coluna, um novo emprego, um novo amor. Salvo engano, a prioridade da vida cristã deveria ser glorificar a Deus: “Digo ao SENHOR: Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo senão a ti somente” (Sl. 16.2).

O maior bem que o homem pode conquistar é o Senhor! Infelizmente, pessoas bem intencionadas, porém, continuam com pedaços da verdade induzindo o cristão a desejar tudo, menos a comunhão com Deus. Enquanto isso, os demônios podem descansar.

O que fazer?

Rev. Renato Arbués.

sábado, 26 de abril de 2014

HAJA TREVAS!

No evangelho de Lucas, precisamente no capítulo vinte e três, no verso quarenta e quatro, encontra-se uma informação aparentemente despretensiosa. Jesus estava pendurado na cruz e, dentro de instantes, morreria. O evangelista informa que “era quase a hora sexta”, quer dizer, por volta de meio-dia, “e houve trevas sobre toda a terra até a hora nona”.

Não há erro nesse registro. Porém, pedindo permissão ao Santo Espírito, autor original da narrativa do evangelho, sinto-me autorizado a estender a figura. O motivo que levou as trevas a se estenderem sobre “toda a face da terra”, sem dúvida, foi a morte de Cristo. Os homens haviam, finalmente, realizado seu grande e único intento: Afastavam Jesus Cristo de suas vidas, de seu mundo, de sua história, matando-o.

“Afastar Jesus” ainda é o grande projeto dos homens. Na Idade Média, senhores ilustres proclamaram a autonomia da razão contra a autoridade religiosa (Igreja), o misticismo, a Bíblia e sua mitologia (lendas), o obscurantismo. Senhores ilustres promoveram a Ilustração (= Iluminismo, século XVII), movimento que propunha a independência da razão. Terminava a escuridão, a tristeza, o atraso, promovidos pela religião, em especial, pelo cristianismo, a religião do Deus crucificado. Immanuel Kant, no ensaio “Resposta à pergunta: O que é esclarecimento?”, afirmou: “O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si.” Tutelagem? Sim, era assim que os grandes pensadores se referiam ao que a Igreja fazia aos Seus fiéis. Para eles, a Igreja não ensinava, não pregava, não instruía. Ela tutelava. E toda forma de “tutelagem” é danosa. Não por acaso, o lema Iluminista era “Sapere Aude”, do latim, “Ouse saber”, “Atreva-se a saber” ou, como mais comumente se traduz essa expressão, “tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento”.

Faz-se necessário esclarecer a óbvia ironia do resultado alcançado. Afastando Jesus e colocando a razão em seu lugar, a humanidade alcançaria as “luzes”, “a Ilustração”, o “Racionalismo”. Mas, o que a humanidade, de fato, alcançou? De acordo com Lucas, “houve trevas sobre a toda a terra”. Atualizando a conclusão do autor sagrado, o que os homens têm conseguido senão, a cada dia, jogar sobre todos nós, mais e mais trevas, as trevas do ódio, da violência, da promiscuidade, da indiferença, enfim, as trevas do pecado! Não fosse a tragédia patente na situação, seria o momento adequado para uma estrondosa gargalhada!

E eis aqui estamos. De novo, os homens tentam afastar Jesus de suas vidas, de sua história, de suas decisões, de sua política. E o que conseguem? Pais matando filhos e filhos matando pais; leis que transformam em direito o que antes era promiscuidade; banalização da vida; destruição da família; perversão dos valores outrora orientadores da conduta humana. Dá pra ouvir o apóstolo Paulo sussurrando que os homens “dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”.

Enfim, agora, quem tutela o homem é a sua razão. Como todos têm razão, ninguém mais pode ser culpado ou proibido de nada. Como constatou Dostoiévski, no livro “Os irmãos Karamazov”: “Se Deus não existisse, tudo seria permitido”! E voltamos às trevas!

Pobre Terra!

Rev. Renato Arbués.

domingo, 20 de abril de 2014

FELIZ PÁSCOA!

O apóstolo Pedro era um homem simples, do povo. Pescador, vivia entre outros homens para os quais a vida era relativamente simples de ser entendida. Quão difícil deve ter sido para ele entender o plano divino para a salvação do pecador mediante a morte e ressurreição de Cristo!

Mas, Pedro entendeu. Entendeu tão bem que o explicou para os seus contemporâneos no discurso registrado em Atos 2.14-40. Jesus era filho de Deus? Sim, Seus milagres e maravilhas atestavam isso (At. 2.22). Jesus tinha de morrer? Sim, pois foi entregue pela presciência e pelo determinado desígnio de Deus (At. 2.23a). Os pecadores tinham responsabildade na morte de Cristo? Claro, afinal, foram eles que o entregaram para a crucificação (At. 2.23b). A morte venceu a Jesus Cristo? Não, pois não era possível que Ele fosse retido por ela (At. 2.24).

Tudo muito simples. Então, por que será que tantos homens eruditos não entendem? Na verdade, entender, entendem. E bem. Não querem é aceitar. Porque, se aceitarem, eles terão de mudar de vida, subjugando seu querer e todo o seu ser “Ao único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver” (1 Tm. 6.16).

Aliás, o próprio Senhor Jesus afirmou que essas verdades foram escondidas dos sábios e entendidos, e reveladas aos homens simples (Mt. 11.25). O que importa, porém, é refletir sobre o que Pedro ensinou acerca da ressurreição. Ela foi o fim de um ciclo, de um programa estabelecido pelo eterno propósito de Deus. A coroa da obra sacrificial de Cristo foi-lhe colocada pelo Pai no dia da ressurreição.

E com a ressurreição, o último inimigo foi derrotado, a saber, a morte. Nas palavras de Pedro, “rompendo os grilhões da morte” (At. 2.24). Como a morte é assustadora! Como são terríveis suas marcas. Basta ligar a tv por alguns instantes e veremos a dor da perda estampada no olhar perdido de uma mãe, na desolação de um amigo, na perturbação de uma criança. Mas, como é tremenda a ressurreição! Nela, encontramos a vitória sobre a morte. Nela, veremos nossos amigos e irmãos. Por ela, estaremos seguros ao lado de Cristo e ouviremos dEle: “Vinde, bendidos do meu Pai!”

É fantástico saber essas coisas e viver por elas. Dá vontade de gritar com Paulo que todas as demais coisas são refugo, quando comparadas à excelência do conhecimento de Cristo. O nosso cordeiro Pascal deu-nos o maior de todos os presentes. Colocou um cântico novo em nossa boca e encheu a nossa vida com a doce presença do Espírito Santo.

Assim, a exemplo de Pedro, resta-nos compartilhar essas verdades de maneira bem simples, desejando-lhe com toda a sinceridade uma Feliz Páscoa!

Rev. Renato Arbués.