Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Livre para quê?

Você ainda deve se lembrar da definição de livre-arbítrio. Em todo caso, vou repeti-la, a fim de deixar o argumento desta pastoral bem evidente: Livre-arbítrio é a capacidade de todo pecador de escolher igualmente entre a salvação e a perdição, entre crer e descrer de Cristo. Por favor, não confunda livre-arbítrio com escolha, vontade ou liberdade. Afinal, você tem toda a liberdade de fazer suas escolhas de acordo com sua natureza. Quando você escolhe vestir uma blusa vermelha está agindo de acordo com sua natureza. Da mesma maneira, quando escolhemos entre uma refeição salgada ou doce, assistirmos ou praticarmos esportes, vermos uma novela ou lermos um livro, estamos agindo de acordo com nossa natureza. A questão que resta é entender um pouco sobre a nossa natureza. Para isso, creio que não há  ninguém melhor do que Aquele que a criou para nos ajudar. O Senhor Deus diz sobre a nossa natureza: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo o desígnio do seu coração” (Gn. 6.5); “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (Rm. 3.10-12). Que bela natureza nós temos, não?

Avançando mais um ponto, devo ressaltar que livre-arbítrio também não é o mesmo que liberdade. Claro que o homem é livre! E ser livre é poder agir de acordo com sua natureza, caso contrário, não há liberdade. Pense comigo, se você faz algo de que não gosta, não está agindo livremente, mas coagido. Quando um preguiçoso, lutando contra sua natureza, decide fazer exercícios, ele está sendo impulsionado pelo desejo de emagrecer, de melhorar sua capacidade aeróbica, de combater os efeitos da obesidade. Em qualquer dos casos, ele não age livremente, mas forçado pela necessidade de trocar o sedentarismo por uma rotina saudável. Ora, quanto à saúde espiritual, o homem age da mesma forma: Mesmo sabendo o que deve fazer para ser espiritualmente saudável, a menos que uma força maior o obrigue a fazê-lo, jamais conseguirá: “O meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios e não inteligentes; são sábios para o mal e não sabem fazer o bem” (Jr. 4.22), disse o SENHOR.

E quem fez isso com o homem? Quem dotou o homem com uma natureza tão bruta, irracional e maldita, a ponto de desejar o mal ao bem? De quem é a culpa por sermos assim?

De Deus? Não. Porque “eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele (o homem) se meteu em muitas astúcias.” (Ec. 7.29). Ao criar o homem, Deus o fez perfeito, à Sua imagem e semelhança. Portanto, essa limitação na natureza humana não veio de Deus. Então, vem de quem?

Do próprio homem! Quando decidiu pelo pecado, o homem traiu a si mesmo e não apenas a Deus. O homem trocou a sua pureza, sua perfeição, sua dignidade, pelo pecado (Gn. 3). E continua fazendo isso. A mensagem é pregada, o evangelho é oferecido a todos os homens, “contudo, não quereis vir a mim para terdes vida”, diz Jesus (Jo. 5.40). O livre-arbítrio tornou o homem escravo de si mesmo, de seus desejos maus, de sua natureza corrupta, de seu coração cheio de malícia: “E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental e reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia.” (Rm. 1.28-31).

Que beleza de livre-arbítrio, hein?

Rev. Renato Arbués.


sábado, 21 de junho de 2014

PODE FOFOCAR?

Por que as pessoas se preocupam tanto com a vida dos outros? Por que tantos comentários sobre os erros e acertos do próximo? Por que tanta investigação para saber os detalhes do que se passou com um irmão ou irmã?

Essas perguntas me ocorreram devido a quantidade de vezes que fui abordado com perguntas sobre esse ou aquele irmão, o que estaria acontecendo com essa ou aquela família, por que tal irmão está tão ausente?

Como membros da mesma família, é natural que certo interesse ocorra entre nós. É até esperado. Afinal, uma de minhas responsabilidades cristãs é orar pelo meu/minha irmão/irmã e procurar ajuda-lo nas suas dificuldades. Não há outra maneira de se fazer isso sem me aproximar do outro, sem saber algo a seu respeito, sem me inteirar de sua situação. As noites de reunião de oração são excelentes para isso. Na exposição de nossos pedidos, informamos a nossos irmãos algo sobre nossa vida. Os momentos sociais da igreja também permitem certa aproximação e, claro, há as visitas sociais que podemos e devemos manter como hábito saudável entre nós.

Contudo, parece haver entre os crentes uma curiosidade maldosa pela vida alheia. Um burburinho é facilmente percebido especialmente quando alguém está em apuros: “Você tá sabendo?”, “Me disseram que...”, “Estão dizendo...”. Frases como essas, a meu ver, estão longe de demonstrar piedade e preocupação com a vida do outro e, sim, revelam a pura malícia humana, na sua verve mais mesquinha.

A Bíblia adverte diversas vezes contra a postura de quem “adora” comentar o cotidiano do próximo: “Não andarás como mexeriqueiro (fofoqueiro) entre o teu povo...” (Lv. 19.16); “o mexeriqueiro (fofoqueiro) revela o segredo; mas o fiel de espírito o mantém em oculto” (Pv. 11.13). O Espírito Santo deixou clara a sua reprovação aos comentários maldosos ou não, feitos sem o consentimento do envolvido.

Pra mim, porém, a passagem que mais me instiga a evitar tal comportamento está na Primeira carta de Paulo aos coríntios: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co. 2.2). Com tanta coisa que ainda tenho para descobrir sobre a obra de Cristo, dificilmente teria tempo para me debruçar sobre as estripulias de alguém. Aliás, a menos que alguém queira compartilhar comigo algo de suas particularidades, procuro sempre me manter a distância dos eventos que se passam longe do meu teto.

Enfim, creio que saber por que há tanto interesse na vida alheia não é tarefa simples ou realizável nesta vida. Porém, é possível que tenhamos uma atitude mais positiva em relação ao nosso próximo. Ao invés de querer saber detalhes a respeito de nosso irmão, vamos orar por ele; antes de comentarmos erros, tentemos corrigir os nossos; no lugar de divulgarmos má fama de alguém, falemos do amor de Deus por pecadores IGUAIS a nós. E, sobretudo, vamos procurar saber mais de Cristo, e este crucificado. Sem dúvida, das maravilhas, está é e será sempre a maior.

Rev. Renato Arbués.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

FÉLIX: JÁ VAI TARDE!

Durante meses, o Brasil acompanhou a novela “Amor à vida”. Trama envolvente, atores do primeiro escalão da Rede Globo, produção caríssima. Entendidos do assunto afirmaram que houve muitos pontos falhos no roteiro, mas, quem se importa? Afinal, o “padrão Globo de qualidade” garante o sucesso prévio. Não assisti e, portanto, não poderia emitir juízo de valor sobre o folhetim. No entanto, de um personagem posso falar, porque ouvi sobre ele o tempo todo em que a novela esteve no ar: Félix.

É desnecessário ressaltar a distinção entre o ator e o personagem. Mateus Solano, intérprete do tal Félix, demonstra ser uma pessoa culta, discreta e de boa índole. Não poderia dizer mais do que isso. Agora, a criatura a quem ele deu vida, infelizmente, a meu ver, não mereceria o destaque que teve.

Não me consternaram as maldades que o dito cujo praticou ao longo da trama, tampouco sua “opção” sexual, censurada veementemente pelas Escrituras Sagradas. De um bom vilão, o mínimo que se espera são maldades. Em um Estado laico, nenhuma cosmovisão deveria ser posta como superior às outras. Nem inferior.

E é aqui que começa o meu desconforto com o Félix. Não acompanho novelas, no entanto, é impossível não saber alguma coisa a respeito delas. Ainda mais quando uma se destaca, como foi o caso de Amor à vida. Foi assim que soube das “frases maldosas” do filho do Dr. César.

Com a intenção de fazer rir, assumiu a postura batizada de “politicamente incorreta”, em especial, contra o cristianismo: criticou a burrice das pessoas, a feiura, a gordura, a vaidade. E todo mundo ria. Afinal, era ficção, brincadeira, passatempo. Então, resolveu descer um degrau e voltou suas tiradas contra a religião. Na verdade contra o cristianismo. Falou debochadamente da Santa Ceia e da Cruz. E todo mundo riu. Inclusive cristãos e cristãs, que saiam do culto, em que louvavam a Deus, e corriam para a tv, a fim de rirem com o Félix da mais importante obra do Deus Redentor em favor deles: A morte sangrenta de Cristo. Como se fosse pouco, o sacramento que lembra e honra o sacrifício de Cristo também foi alvo do “engraçado” Félix.

Não sei como alguém consegue ler a Bíblia de manhã e, à noite, sentar-se em sua sala para ser cúmplice de escárnio praticado contra ela. Não sei como um cristão consegue gostar de uma figura deliberadamente construída para afrontar a ideia de santidade bíblica. Talvez porque fosse engraçado. Talvez porque não se conseguia ver maldade nenhuma. Talvez porque fosse apenas uma novela.

A Rede Globo, me parece, segue um padrão facilmente percebido quando se trata de vilipendiar o evangelho. Nas novelas, os primeiros homossexuais eram engraçados, espalhafatosos, caricatos. Divertiam todo mundo. Até que a coisa mudou de ares e, hoje, vemos romances homossexuais, beijos gays, discursos em defesa da liberdade sexual etc. Agora, essa estratégia se volta contra os valores cristãos, por meio de “frases maldosas”, mas engraçadas. Você pode deduzir onde isso vai chegar.

Eu não ri com ou do Félix. Pra mim, ele não era engraçado, nem útil ou compatível com a minha ideia de diversão e entretenimento. Pra mim, já vai tarde. Aliás, nem devia ter vindo!

Rev. Renato Arbués.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Aos incautos navegantes...

Incauto navegante! Segundo o Aurélio, incauto é um sujeito “imprudente, ingênuo”. Péssimas qualidades para um navegante. No hinário Novo Cântico, este hino é o de número 308 e é vinculado ao nome de Sarah Poulton Kalley. Considerando que essa senhora viveu de 1825 a 1907, fica ainda mais forte a força da expressão “incauto navegante”. Imagine uma viagem de barco cujo comandante fosse um sujeito reconhecidamente imprudente!

Ler essas palavras remete o pensamento quase que instantaneamente aos versos do conhecido poema de Fernando Pessoa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. Os historiadores nos lembram que, na verdade, essa frase foi dita pelo general romano Pompeu (106-48 a. C.) aos marinheiros que, amedrontados, se recusavam a viajar. “Navigare necesse; vivere non est necesse”, num latim caipira.

No hino de Sarah Kalley, a vida é descrita como cheia de tormentas. Os navegantes incautos são os homens que vivem sem considerarem o rumo para onde vão nem os perigos a que estão submetidos. A qualquer momento o barco da vida pode topar com um iceberg (lembra do Titanic?) ou com outro barco e afundar; ou, quem sabe, deparar-se com piratas, ou enfrentar uma tempestade e virar. Enfim, viver é algo perigoso, sobretudo se não temos uma boa bússola para nos mostrar a direção e o caminho mais seguro.

Na poesia de Fernando Pessoa, há quem diga que o “preciso” da frase deve ser entendido como “necessário”. Assim, o que importa não é viver, mas como viver! É preciso correr riscos, aventurar-se no bravio mar. Se a vida corre perigo, paciência! Afinal, viver não é necessário mesmo. Contudo, outros intérpretes dizem que no famoso verso, o sentido de “preciso” não é o de necessário, mas o de “exatidão, precisão”. Navegar, então, é algo mais seguro do que viver, pois na navegação dispomos de bússolas, astrolábio (esse é antigo!), computadores, mapas etc. Eu também, modestamente, acho que o “preciso” do poema tem o sentido de exatidão.

Bom, mas o que importa realmente pra esta pastoral é dizer pra você, leitor, que, se você for um navegante incauto, cuidado! São muitas as tormentas que podem naufragar levar o seu “barco” para o fundo do mar: a violência urbana, os males da alma, as doenças, o trânsito... Mas, o maior perigo a que você está exposto é o “das trevas do pecado”. Esse, além de fazê-lo naufragar, pode mandá-lo para uma fornalha bem quente, que consumirá lentamente toda a velha madeira de seu barquinho.

E se você, leitor, não for um viajante incauto, devo lembrá-lo do nosso dever: “resplandeçam nossas luzes através do escuro mar, pois nas trevas do pecado, almas podem naufragar!”. Pregue a Palavra. Seja luz. Salve os incautos que vivem com você. Não seja desobediente à ordem divina: “Sê tu uma bênção”.

Pense nisso!

Rev. Renato Arbués.