Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

Mostrando postagens com marcador comunhão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comunhão. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Meu Pai!

A Oração do Senhor, o Pai Nosso, talvez seja a passagem mais conhecida da Bíblia. Mesmo em nosso mundo anticristão, ela é amplamente ensinada e aprendida, mesmo por pessoas que raramente frequentam uma igreja.

Mas, o que significam essas palavras? A oração possui algum poder mágico, que atue naqueles que a oram? A simples repetição dessas palavras pode mudar a nossa sorte?

Antes de tudo, é preciso destacar que a Oração do Pai Nosso é um texto teológico, pois nos ensina a respeito de Deus, e todo ensino a respeito de Deus, é chamado de Teologia. Isso significa que Jesus ensinou aos discípulos a pensar a respeito de Deus e a falar com Ele de modo razoável.

“Vós orareis assim: Pai Nosso, que estás no céu”. Nada é mais importante na oração do que à pessoa à qual se dirige essa oração. No mundo antigo, havia muitos deuses, e era quase impossível referir-se a um deles. A evidência do NT sugere que os israelitas não se dirigiam a Deus como “Pai”, pois o uso dessa palavra implicava um tipo de relacionamento inaceitável com Deus. Para eles, ser filho de Deus significava participar da natureza divina, e isso era impossível.

Ao chamar Deus de Pai, Jesus escandalizou os judeus piedosos, pois na mente desses homens, Ele estava afirmando igualdade com Deus. O fato de Jesus ter ensinado seus discípulos a orar a Deus como o Pai deles era, portanto, algo extremamente ousado no contexto religioso daquela época.

Pode-se afirmar que “Pai” equivale a “Criador”. Entretanto, ainda que isso seja verdadeiro, o uso bíblico do termo vai além. Jesus chamava Deus de Seu Pai, mas Jesus não foi criado por Deus. Ele é Deus (Jo. 1.1). Na verdade, todos os habitantes da terra, mesmo Satanás e seus anjos, poderiam chamar Deus de Criador com legitimidade. Entretanto, as forças do mal jamais se referiram a Ele como Pai. O uso da palavra "pai" implica afinidade espiritual que ultrapassa o relacionamento físico, e esse aspecto é uma novidade exclusiva do ensinamento de Jesus.

Ao ensinar os discípulos a orar "Pai nosso", Jesus os conduziu ao seu próprio relacionamento com Deus. Todavia, que tipo de relacionamento era esse, e em que proporção é possível aos discípulos participarem dele?

Quão apropriado é o uso da palavra "Pai" para descrever nosso relacionamento com Deus! As gerações precedentes não tinham problemas com isso. Jesus ensinou os discípulos a orar dessa maneira, e isso lhes era suficiente.

No entanto, por que Deus nos amaria e desejaria que passássemos a eternidade com ele, quando lhe demos as costas e nada fizemos para merecer esse tratamento? A razão é que fomos criados originariamente à imagem dele, com a intenção de que vivêssemos com Ele para sempre. A imagem de Deus em nós é mais bem explicada com a nossa personalidade, ou seja, a habilidade de estabelecer relacionamentos com outras pessoas e mantê-los, quer sejam humanas quer divina.

Por sermos humanos, dispomos da capacidade inata de relacionamento com Deus, que nada pode alterar ou diminuir. Mesmo quando lhe desobedecemos a vontade, a imagem de Deus permanece em nós e nos faz recordar de que temos um relacionamento com ele.

Portanto, orar "Pai nosso" preconiza, em primeiro lugar, a confissão de que Jesus tem o direito de orar a Deus dessa maneira porque Deus é seu pai natural, ao passo que, em relação a nós, trata-se de um privilégio do qual graciosamente nos foi permitida a participação. Isso se dá por termos sido unidos a Cristo pelo poder do Espírito Santo, o que nos capacita a orar de forma legítima e eficaz por termos sido adotados por Cristo.

Orar "Pai nosso" é entrar em um novo relacionamento com Deus, enraizado em seu ser interno, que nos dá acesso à sua mente, algo que jamais ocorreria de outra forma.

Ao transformar nosso relacionamento com Deus do nível de mestre e servo para o de família, Jesus alterou tudo. O relacionamento que ele nos proporcionou é regido pelo amor.

Por fim, na condição de Pai, Deus concedeu-nos o destino eterno. Bons pais deixam provisões para os filhos, fazem planos para o futuro deles e realizam grandes sacrifícios para que os filhos tenham o melhor que eles puderem prover. O que os pais humanos alcançam em grau limitado, com muito sacrifício, pois mesmo os pais mais ricos são incapazes de nos dar tudo de que precisamos, Deus nos concede com a plenitude de seu coração e de seus recursos. A herança que ele nos legou não é finita nem perecível na verdade, ilimitada e eterna em escopo de duração. Não se trata de algo calculável em termos de bens e riqueza monetária, mas de algo muito maior que isso.

Trata-se na verdade de uma posição em seu reino, o grau mais elevado de união e comunhão possíveis para com ele.

Vamor orar? "Pai nosso, que estás no céu..."

Rev. Renato Arbués (adaptado)

sábado, 4 de julho de 2015

Comunhão dividida?

Um tema recorrente nos círculos evangélicos é a comunhão entre os santos. Fala-se dela como o resultado de muito esforço e tolerância por parte dos cristãos. Existem centenas de denominações – dizem – mas somos um só povo. Não precisamos viver desunidos. Esforcemo-nos, pois, para refletirmos o amor de Cristo em nossas relações.
Concordo que, às vezes, a impressão que passamos para os que são de fora é de completa animosidade. A maneira desrespeitosa como evangélicos criticam evangélicos que mantêm práticas e doutrinas diferentes beira ao ódio. É como se o principal inimigo de um cristão fosse outro cristão, membro de uma igreja diferente.
Apesar de reconhecer que essa postura é muito comum, não creio que sejamos desunidos. Doutrinária e misticamente não somos. Estamos em Cristo e, portanto, somos membros uns dos outros. Como escreveu Barclay: “Ninguém pode caminhar desunido com seu semelhante e ao mesmo tempo estar unido a Cristo. Se a pessoa tiver a Cristo como companheiro de caminhada, inevitavelmente é companheiro de todo caminhante.” Eu estou em Cristo, você está em Cristo. Estamos os dois no mesmo lugar. Eu completo você tanto quanto você me completa. Aliás, não seria um cristão pleno se não tivesse comunhão com você e com os demais filhos de Deus. Em essência, portanto, temos a mais íntima e perfeita comunhão.
Infelizmente, devido ao pecado, à imaturidade, ao mundanismo, é que nas nossas relações agimos tão díspares. Deixamos a beleza da comunhão mística ser sufocada por questões secundárias, como a forma do batismo, práticas litúrgicas e outras tantas coisas de somenos importância. Cremos em Deus Pai, Todo Poderoso? Cremos em Jesus Cristo, Seu Único Filho? Cremos na morte e ressurreição do Filho de Deus? Cremos no Espírito Santo? Cremos na Igreja? Ora, então cremos nas mesmas coisas! Se isso é assim, o que nos diferencia? 5 litros de água? Cantar de olhos fechados?
Richard Tatlock escreveu: “O inferno é a condição eterna dos que fizeram da relação com Deus e com seus semelhantes algo impossível porque destruíram em suas vidas o amor... O céu e, por outro lado, a condição eterna dos que acharam verdadeira vida numa relação de amor com Deus e seus semelhantes.”
Em Jesus, somos um. E não vários.

Rev. Renato Arbués.

Saudade de Deus!

Você já sentiu saudade de Deus? Davi, sim. Por duas vezes o rei Davi se viu obrigado a afastar-se de Jerusalém. Na primeira vez, enfrentou um longo exílio devido à hostilidade de Saul. Na segunda ocasião, seu filho, Absalão, iniciou uma revolta que forçou o rei a se retirar, evitando um conflito familiar. Embora alguns comentaristas entendam que o Salmo 42 foi escrito durante a fuga motivada por Absalão, Calvino entende que “a rebelião de Absalão foi rapidamente reprimida, de modo que não impediu por muito tempo a Davi do acesso ao santuário”. Portanto, o contexto do Salmo 42 foi a perseguição de Saul.
“Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por Ti, ó Deus, suspira a minha alma” (v. 1). Deus está presente em todo lugar. Por que Davi se ressente tanto da companhia divina? Ora, ali onde estava, não poderia ter comunhão com o Santo de Israel? Claro que sim. “Deus está aqui, tão como certo, aleluia, tão certo como o ar que eu respiro...”, diz o hineto. Mas, embora Deus esteja em todo lugar, precisamos nos lembrar de que Ele próprio providenciou meios para nos atrair a Si e conduzir nossas mentes para o alto. A Igreja faz isso. No caso de Davi, o santuário. O rei estava sentindo falta não da companhia de Deus, mas do lugar em que ele, Deus e Seu povo se encontravam e se alegravam. Davi sentia falta do culto, das orações, do cântico congregacional, da leitura audível da Palavra e da pregação. Era difícil viver longe de sua casa, de sua cidade, de seu povo. Mas, o que Davi não suportava mais, que realmente fazia falta, era estar na Casa de Deus.
“As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite, enquanto me dizem continuamente: O teu Deus, onde está?” Os inimigos de Davi zombavam dele, pois ele estava longe da arca, longe da prova da presença divina, e, por isso, aqueles homens concluíam que ele havia se perdido do Altíssimo (Matthew Henry).  Tais homens, obviamente, não sabiam nada sobre Deus. Todo crente sabe onde está Deus e como encontrá-lo, mesmo quando distante da igreja. “Não importa em que lugar estamos, há um caminho em direção aos céus”.
Entretanto, os inimigos de Davi não estavam de todo errados na inferência que fizeram. Um peixe fora da água, embora tenha oxigênio, está fora do seu ambiente e, certamente, morrerá. Um cristão fora da igreja, está fora do seu ambiente e, certamente, morrerá. Pedro diz que o diabo anda em derredor, como leão. Quando um leão sai à caça e encontra animais em bando, a estratégia dele é isolar um indivíduo. Fora do grupo, qualquer indivíduo torna-se presa fácil. É diferente com os cristãos? O que acontece a um crente que vive distante do grupo? Que não frequenta a igreja?
As lágrimas de Davi eram a sua própria alimentação diária, enquanto não podia se nutrir da companhia de Deus e de seus irmãos no santuário.
Tudo isso me leva a refletir sobre a postura perigosa que alguns filhos de Deus têm assumido, a de viver longe da Casa de Deus. Por que isso acontece? Como alguém escolhe colocar a própria segurança em perigo deliberadamente? O que levaria alguém a abrir mão da felicidade de estar com Deus no Seu templo para estar em qualquer outro lugar?
Cristão, lembre-se: Seu lugar é na Casa de Deus. “Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl. 42.11b).

Rev. Renato Arbués.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Firme, porque bem acompanhado!


Josias reinou em Judá no período de 640 a 609 a. C. Seu avô, Manassés, reinara por 55 anos. Manassés promoveu intensa perseguição contra as pessoas piedosas e reprimiu violentamente a verdadeira religião em Judá. O filho de Manassés e pai de Josias, Amom, também foi um homem corrupto. Sua maldade era tão gritante que, dois anos após assumir o trono, foi assassinado por seus súditos, que não suportavam mais as crueldades do rei. Josias foi aclamado como o novo monarca.

O texto sagrado diz: “Tinha Josias oito anos de idade quando começou a reinar e reinou trinta e um anos em Jerusalém...” (2 Rs. 22.1). Como uma criança poderia governar um país após 57 anos de atrocidades? Levaria adiante o legado de seus ancestrais ou romperia com o ciclo de impiedade e buscaria novamente a Lei do SENHOR? “E fez o que era reto aos olhos do SENHOR; e andou em todo o caminho de Davi e não se apartou dele nem para a direita nem para a esquerda.” (2 Rs. 2.2). Eis a resposta.

Josias procurou uma referência e a encontrou em Davi. Que belo exemplo da soberania da graça divina. O pai passou e pereceu em seus pecados, e o filho é um vaso escolhido. Mas isso se deu porque Josias, repito, seguiu os caminhos de Davi.

Ao nos salvar, Deus nos faz membros de um povo, de uma família. Não somos chamados para a solidão ou para o isolamento. A esse povo a Bíblia nomeia Igreja. E, na igreja, somos fortalecidos com a companhia dos demais e estimulados a seguir as referências de homens e mulheres que foram fiéis a Deus. Quando Paulo exortava os orgulhosos e vaidosos coríntios, disse: “Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores” (1 Co. 4.16).

Outro “segredo” de Josias foi cercar-se de boas companhias. Tarefa difícil, considerando que este mundo jaz no maligno (1 Jo. 5.19), porém, facilitada se procurarmos no lugar certo. E onde é o lugar certo? Ora, na Igreja! Quer dizer que todos na igreja são boas companhias? Gostaria muito de responder afirmativamente, mas não posso. No entanto, na Bíblia lemos que há joio no meio do trigo, mas não lemos que há trigo no meio do joio. O que quero dizer é que é possível que ímpios vivam entre nós, filhos de Deus. Mas, com toda certeza, os filhos de Deus não conseguirão viver entre os ímpios. Eles procurarão a companhia dos salvos, a “congregação dos justos” (Sl. 1.4). Foi o que Josias fez. E encontrou Hilquias, o sumo sacerdote que o apresentou à Lei do SENHOR.

Você pode ser Josias ou Hilquias, não importa. Talvez você precise de força para continuar fiel ao Senhor. Se for esse o seu caso, procure na igreja alguém como referência, se aproxime, converse, ore com essa pessoa e faça dela uma companhia frequente.

Ou você pode ser um Hilquias na vida de alguém. Veja quem precisa de auxílio na vida cristã, apresente a Lei do Senhor com sabedoria e piedade e não meça esforços para amparar e sustentar essa pessoa.

O que não dá é pra viver sozinho!

Rev. Renato Arbués.



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Por que ir à igreja é tão importante?

As pessoas estão cansadas. Estão cansadas do casamento, da escola, do trabalho, da vida. Por estarem cansadas, as pessoas têm procurado fugir de tudo isso que, antes, parecia dar sentido à vida. Não querem mais se casar, fogem da escola, evitam procurar emprego e, tristemente, atentam contra a própria vida.

Um discurso muito repetido é que as instituições estão falidas. Família, escola, trabalho, já não atendem mais às expectativas do homem moderno. Como o homem moderno há muito perdeu a paciência para reedificar muros caídos, acabou por escolher a via mais rápida, a da destruição. Explico-me. Restaurar um casamento demanda muito tempo e uma volumosa carga de energia emocional. Quem tem tempo pra isso? A opção mais prática, sem dúvida, é o divórcio. Tal raciocínio estende-se para todas as demais instituições.

Mas, e quanto à igreja? Por que as pessoas estão cansadas de irem à igreja? Será que a Casa de Deus também se tornou uma instituição falida e, por isso, descartável? Creio que não.

Porque na igreja, eu posso ouvir a Palavra de Deus sendo pregada. É claro que os pregadores não são perfeitos, nem na sua vida, nem na sua pregação. Porém, foram separados por Deus e reconhecidos pela igreja como porta-vozes do Senhor. Como pregadores não exercem seu ofício em bancos ou clubes, mas, sim, nas diversas igrejas espalhadas pela face da terra, é para uma delas que me dirijo sistematicamente a fim de ouvir as maravilhosas verdades de Deus para minha vida.

Na igreja, minha família é recebida por outras famílias. Meus filhos são tratados como filhos pelos meus irmãos em Cristo. E eu posso fazer o mesmo com os filhos deles. Na igreja, encontro homens que enfrentam lutas iguais ou diferentes das minhas, mas que buscam no mesmo Deus os recursos para serem vencedores. É para a igreja que o Senhor envia aqueles que Ele ama. E, claro, é pra lá que eu vou.

Mas na igreja há pessoas difíceis também. Há irmãos que torcem por times bem melhores que o meu. E eles riem de mim sempre que meu clube do coração perde (o que costuma acontecer com frequência). Mas, também, a bem da verdade, há irmãos que torcem por times piores que o meu, aí, óbvio, sou eu quem dá risada quando eles perdem. No entanto, podemos fazer isso sem o receio de que tal atitude vá provocar uma briga ou uma ruptura nas nossas relações. De forma nenhuma. O mesmo se dá na política. Cada um tem seu preferido e, lógico, alguém sempre vai perder. Mas há algo maior que nos une, o amor, que é o vínculo da perfeição. Nada – nem time, nem política – pode nos separar do amor de Deus e do amor fraternal.

Eu ando bem cansado fisicamente, mas disposto a ter mais cinquenta anos com minha família, na minha escola, no meu trabalho. E, por crer na vida eterna, anseio pela eternidade na companhia dos meus irmãos em Cristo, com os quais convivo semanalmente na minha igreja.

Que Deus me conceda essa alegria!

Rev. Renato Arbués.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Nossa Sagrada Família


Todo mundo já viu um quadro com esse título. José, Maria e Jesus são retratados como símbolos “perfeitos” da Trindade. A harmonia dessa família é um espelho da relação amorosa e íntima existente entre as três pessoas da Trindade.

Como símbolo, não há problema algum em se falar assim. A família, não há dúvida, foi “inspirada” no modelo trinitário. Ela deve ser reprodutora do padrão divino. Um padrão em que há amor, respeito, divisão do trabalho, objetivos comuns, conversas. Várias vezes no Evangelho lemos Jesus dizer que amava o Pai. Em outras ocasiões, Ele dizia que era preciso “ir” para o que o outro Consolador pudesse “vir” (respeito). Também é claro que, na nossa salvação, cada pessoa da Trindade realiza uma “tarefa” distinta (o Pai enviou o Filho; o Filho morreu na cruz; o Espírito aplica a obra redentora na vida do cristão). O objetivo? Ora, salvar o pecador, sim; mas, também, que toda a glória fosse oferecida a Deus. Por fim, desde o relato da Criação, encontramos passagens bíblicas que falam do “conselho”, do “conselho da Sua vontade”. Ora, “conselho” nada mais é do que uma decisão tomada em conjunto.

Assim, parece óbvio que não só a família de José, Maria e Jesus era um tipo da Trindade. A minha família também o é. A sua, idem. As famílias de todos os que serviram e servem a Deus são chamadas para refletir a beleza da relação trinitária. Não por acaso, Deus disse as benditas palavras à família de Abraão: “[...] em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn. 12.3). Que privilégio, pois, termos uma família que represente a Trindade! Que graça maravilhosa a de Deus, em não apenas nos dar o prazer de viver em comunhão, mas de abençoar essa comunhão de tal maneira que outros – que vivem em conflito ou que não têm família – sejam “benditos em nós”.

Tal verdade deveria nos encher de alegria, gratidão e amor a Deus. Ainda mais considerando a situação do mundo que vivemos. Quantos há que não sabem o que significa “viver em família”? Quantos, neste momento em que você lê essas palavras podendo olhar para o lado e ver ser/sua esposo/esposa, abraçar o seu filho, quantos não podem fazer isso porque foram privados da comunhão familiar ou ainda não a puderam experimentar? Quantos estão de coração partido pela dor da perda de um ente querido?

Por isso, pense bem, meu irmão ou minha irmã, pense muito bem em como você vive sua vida familiar. O tempo passa muito rápido. Infelizmente, talvez não alcancemos todas as coisas que almejamos; muitos projetos serão deixados para trás nessa vida. O que parece tão certo e seguro hoje, amanhã pode se tornar “pó e cinza”.

Será que vale a pena “correr tanto atrás do vento” à custa de momentos de comunhão com nossa família? Será que dinheiro, títulos, diplomas, vão nos marcar tanto quanto uma conversa carinhosa com nosso filho?

Certamente, você não se lembra de quantas vezes já foi chamado de senhor ou senhora, de doutor, professor, chefe, patrão ou coisa que o valha ao longo da vida. Não se lembra porque muitas dessas vezes foram meras formalidades, palavras destituídas de sentimentos como carinho e respeito. Porém, nunca se esquecerá daquele momento singular em que seu filho o chamou de “papai ou mamãe” pela primeira vez!

O tempo passa. E você aprenderá de uma maneira muito dolorosa que a nossa sagrada família não dura para sempre. Que as palavras de Jesus – “até que a morte os separe” – também se referem a nós. E, então, quando esse dia chegar, você só terá duas coisas em que se apoiar: na certeza da ressurreição e, portanto do reencontro, e nas lembranças dos bons momentos vividos.

Pense nisso!

Rev. Renato Arbués.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Você ou o inferno!


Meditação baseada em Romanos 9.3:

Religião estranha, esse cristianismo. Como é possível entender uma doutrina que ensina que o fiel deve batalhar para manter um bom relacionamento com o Seu Deus, por meio de horas e horas de estudo bíblico, de oração, de participação em cultos públicos e outras atividades espirituais e, de repente, apenas por amor aos demais fiéis, desejar distanciamento desse Deus?

Pois é, por mais complicado que seja compreender algo assim, é exatamente isso que Paulo nos ensina. O apóstolo amava seus compatriotas com tamanha intensidade que, se preciso, a fim de vê-los salvos, seria capaz de separar-se de Cristo. Mais: O velho discípulo disse que seria melhor ser maldito (anátema) do que ver seus irmãos perdidos.

É difícil aceitar ou entender, mas não é nenhuma novidade. A essência do evangelho está no amor a Deus e ao próximo. A evidência maior do amor é a disposição em fazer o outro feliz. No caso de Deus, o que O deixa feliz é a nossa obediência (Jo. 14.15; 15.14). Todo aquele que diz amar a Deus deve obedecê-lo.

Devemos obedecer à ordem de congregar-nos (Hb. 10.25), de meditar na Palavra (Sl. 119.97), de orar (1 Ts. 5.17), de participarmos da Santa Ceia (1 Co. 11.23-32), de santificarmos (Hb. 12.14), de cuidar dos órfãos e das viúvas (Tg. 1.27) e de evangelizar os que estão perdidos (Mt. 28.18-20).

O bem-estar do outro deve ser colocado acima do nosso. Cristo fez isso quando Se entregou para morrer naquela cruz horrível. Ele não veio para fazer a Sua vontade, mas a do Pai. Jesus estava sempre colocando a satisfação do outro (do Pai, dos eleitos) acima da sua. Cristo é o nosso exemplo. O que Ele fez, devemos fazer também.

Dessa forma, o desejo de Paulo está de acordo com o que o homem de Nazaré nos ensinou. As palavras de Paulo foram: “Porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne” (Rm. 9.3).

Infelizmente, essa não é uma atitude muito comum entre os evangélicos de hoje. Estamos tão absortos nos nossos problemas, nas nossas dificuldades, na nossa vida que, raramente, temos tempo para preocupar-nos com a vida do outro, quanto mais desejar salvá-la, se para isso for necessário investir tempo e/ou recursos pessoais.

Imagine – mesmo que seja uma tarefa por demais difícil – uma família em que o homem desejasse ir para o inferno a ver sua esposa infeliz; em que uma mulher desejasse perder a comunhão com Cristo a deixar esfriar o romance com o esposo; em que os filhos desejassem a condenação a desobediência aos pais. Que família, não é mesmo?

Por que não pode ser assim, se somos filhos de Deus? Se temos Cristo como Salvador e Senhor de nossas vidas, por que não conseguimos imitá-lo justamente no ponto principal de Seu ministério, o amor?

Não espere sua esposa começar a seguir o exemplo de Cristo, homem, comece você a amá-la acima de tudo. Mulher, não espere a mudança do seu marido. Mude você! Filho, não espere ter pais dedicados a você, dedique sua vida a seus pais.

Se for muito difícil fazer isso, peça ajuda a Deus. Para Ele, não há impossíveis.

Rev. Renato Arbués.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

A SANTA CEIA DO SENHOR E OS BENEFÍCIOS CONFERIDOS POR ELA

RESOLVI REPUBLICAR POR OCASIÃO DA SANTA CEIA NO PRÓXIMO DOMINGO. LEIA COM ATENÇÃO:

1. Porque Cristo instituiu a Ceia
Deus, depois de nos ter recebido em Sua família, não para servir-se de nós como criados, e sim para ter-nos no número de Seus filhos, a fim de conduzir-nos como um bom pai de família, que se preocupa com seus filhos e descendentes, e pensa no modo de sustentar-nos durante toda nossa vida. E não contente com isto, nos quis dar a segurança de Sua perpétua liberalidade para conosco, dando-nos um presente. Para este fim instituiu por meio de Seu Unigênito Filho outro sacramento; a saber; um banquete espiritual, no qual Cristo assegura que é o pão da vida (João 6:51) com o qual nossas almas são mantidas e sustentadas pela bem aventurada imortalidade.

E como é sobremodo necessário entender um tão grande mistério; e por ser tão profundo, requer uma explicação particular; e Satanás ao contrário, a fim de privar a Igreja deste inestimável tesouro, por muito tempo o manteve obscurecido, primeiramente com trevas, e depois com nuvens mais espessas; e, além disso tem suscitado discussões e disputas para desagradar aos homens. E posto que em nossos dias ele tem usado as mesmas armas e artifícios, me esforçarei em primeiro lugar para explicar o que se deve saber a respeito da Santa Ceia do Senhor, de uma forma que os ignorantes possam entender; e depois explicarei aquelas dificuldades nas quais Satanás tem procurado enlaçar o mundo.

O pão e o vinho são sinais de uma realidade espiritual. Antes de tudo, os sinais são o pão e o vinho; os quais representam o mantimento espiritual que recebemos do corpo e sangue de Cristo. Porque como no Batismo, ao regenerar-nos, Deus , nos incorpora a Sua Igreja e nos faz Seus por adoção, assim também temos dito que com este desempenha o papel de um zeloso pai de família proporcionando-nos continuamente o alimento com o qual nos conserva e mantém naquela vida que nos gerou com Sua Palavra; Agora bem, o único sustento de nossas almas é Cristo, e por isso nosso Pai Celestial nos convida para que venhamos a Ele, para que alimentados com este sustento possuamos dia após dia maior vigor até chegar por fim à imortalidade no céu. E como este mistério de nos unirmos com Cristo é por sua natureza incompreensível, Ele nos mostra a figura e imagem com sinais visíveis mui próprios de nossa débil condição. Mais ainda; como se nos desse um presente, nos dá tal segurança disso, como se O víssemos com os nossos próprios olhos; porque esta semelhança tão familiar: que nossas almas são alimentadas com Cristo, exatamente igual o pão e o vinho natural alimentam nossos corpos, penetra nos entendimentos, por mais rudes que sejam.

Vemos pois para que fim este sacramento foi instituído; a saber, para nos assegurar que o corpo do Senhor foi, uma vez por todas, sacrificados por nós, de tal maneira que agora o recebemos e ao recebermos sentimos em nós a eficácia deste único sacrifício. E desta forma, que Seu sangue de tal maneira tem sido derramado por nós, que nos possa servir de bebida perpetuamente. Isto é o que dizem as palavras da promessa, que ali se adicionam: ‘’Tomai, comei, este é o meu corpo, que é dado por vós” (Mt. 26:26; Mc 14:22; Lc 22:19; 1 Cor. 11;24). Assim, nos manda que tomemos e comamos o corpo que uma vez foi oferecido para nossa salvação, a fim de que tenhamos a plena confiança de que a virtude deste sacrifício se mostrará em nós. E por isso chama o cálice, pacto em seu sangue; porque de certa forma renova o pacto que uma vez fez com o Seu sangue, ou melhor dizendo, continua realizando no que concerne a confirmação de nossa fé, sempre que nos dá seu preciso sangue para que o bebamos.

2- Os frutos da Santa Ceia
Nossas almas podem obter deste sacramento grande fruto de confiança e doçura, pois temos testemunho de que:

* Jesus Cristo, de tal maneira é incorporado a nós, e nós a Ele, que tudo quanto é Seu podemos chamar de “nosso”. E tudo quanto é nosso, podemos dizer que é Seu. Por isso com toda segurança nos atrevemos a nos assegurar de que

* a vida eterna e o reino dos céus no qual Cristo entrou não pode deixar de ser nossos, assim com não pode deixar de ser dEle;

* Não podemos ser condenados pelos nossos pecados, posto que ele nos tem absolvido de todos, tomando-os sobre Si e desejando que lhes fossem imputados, como se Ele os houvesse cometido. Tal é a admirável troca e substituição que Ele, meramente por Sua infinita bondade, quis fazer conosco. Ele, aceitando toda nossa pobreza, nos tem transferido todas as suas riquezas, tomando sobre si nossas fraquezas, nos tem feito forte com Sua virtude e potência, recebendo em Si nossa morte, nos tem dado a Sua imortalidade;

* carregando todo o peso dos nossos pecados, debaixo dos quais estávamos em agonia, nos tem dado Sua justiça para que nos apoiemos n’Ele, descendo a terra nos tem aberto o caminho para chegar ao céu, fazendo-se filho do homem, nos tem feito filhos de Deus.

3- A Ceia demonstra nossa redenção e que Cristo é nosso
Todas estas coisas Deus nos tem prometido plenamente neste sacramento, que devemos estar certos e seguros que nos são simbolizadas nele, nem mais nem menos que se Cristo estivesse presente e o víssemos com os nossos próprios olhos, e o tocássemos com as nossas mãos. Porque Sua Palavra não pode falhar nem mentir: Tomai, comei, este é o meu corpo que é dado por vós; este é meu sangue que é derramado para a remissão de vossos pecados. Ao mandar que o tomem, dá a entender que é nosso ao ordenar que o comam e que bebam, mostra que se torna uma substância conosco. Quando diz: Este é o meu corpo, entregue por vós; este é o meu sangue, derramado por vós, nos declara e nos ensina que eles não são tão Seus como nossos, pois os têm tomado e deixado, não para Sua comodidade, e sim por amor a nós e para nosso proveito.

Devemos notar diligentemente, que quase toda virtude e força do sacramento consiste nestas palavras: que por vós é entregue; que por vós se derrama; porque de outra maneira não nos serviria de grande coisa que o corpo e o sangue do Senhor nos fosse servido agora, se não houvessem sido entregues de uma vez por todas para a nossa salvação e redenção. E assim nos são representados pelo pão e vinho, para que saibamos que não somente são nossos, e sim que também nos concedem a vida e o sustento espiritual. Já temos advertido que pelas coisas corporais que se propõem devemos dirigir-nos segundo uma certa proporção e semelhança, às coisas espirituais. E assim quando vemos que o pão nos é apresentado como um símbolo e sacramento do corpo de Cristo, devemos recordar em seguida a semelhança de que como o pão sustenta e mantém o corpo, de mesma maneira o corpo de Jesus Cristo é o único mantimento para alimentar e vivificar a alma.. Quando vemos que nos é dado o vinho como símbolo e sacramento do sangue, devemos considerar para que serve o vinho ao corpo e que bem este lhe faz, para que entendamos que o mesmo faz o sangue de Cristo em nós: nos confirma, conforta, regozija e alegra. Porque se considerarmos atentamente que proveito obtemos do fato de que o corpo sacrossanto de Cristo tenha sido entregue e Seu precioso sangue derramado por nós , veremos claramente , que o que se atribui ao pão e ao vinho lhes convém perfeitamente segundo a analogia e semelhança a que aludimos.

4. Cristo é nosso pão e nossa bebida de vida
Não é, pois, o principal do sacramento dar-nos simplesmente o corpo de Jesus Cristo; o principal é selar e firmar esta promessa na qual Jesus Cristo nos disse que Sua carne é verdadeira comida, e Seu sangue bebida, mediante os quais somos alimentados para a vida eterna, e nos assegura que Ele é o pão da vida, do qual o que tivesse comido, viverá eternamente. E para isto, quer dizer, para selar a mencionada promessa, o sacramento nos remite à cruz de Cristo, onde esta promessa tem sido de todo realizada e cumprida. Porque não comemos a Jesus Cristo de maneira apropriada, a menos que O tenhamos como tendo sido crucificado, enquanto com vívida apreensão, percebemos a eficácia de Sua morte. Porque Ele se chama pão da vida, não por causa do sacramento, como muitos falsamente têm entendido, mas porque nos tem sido dado como tal pelo Pai; e se nos mostra tal, quando se havendo feito partícipe de nossa condição humana mortal, nos fez participantes de sua divina imortalidade; quando se oferecendo em sacrifício, tomou sobre si toda nossa maldição, para encher-nos de Sua bênção; quando com Sua morte devorou e tragou a morte; quando em Sua ressurreição, ressuscitou com glória e incorrupção a nossa carne corruptível, da qual Ele se havia revestido.

5. Recebemos a Cristo, pão da vida, no Evangelho e na Ceia
Resta somente que tudo isto se torno nosso, por aplicação. Isto é feito por meio do evangelho, e mais claramente pela Santa Ceia, onde Cristo oferece a Si mesmo a nós, com todas as Suas bênçãos, e O recebemos em fé. O sacramento, portanto, não faz que Cristo se torne pela primeira vez o pão da vida; mas, ele nos recorda que Cristo foi feito o pão da vida, para que constantemente O comamos, ele nos dá o gosto e o sabor deste pão, e nos faz sentir sua eficácia. Porque nos assegura que tudo isto que Jesus Cristo fez e padeceu, foi para nos vivificar. E além do mais, que esta vivificação é eterna. Porque como Cristo não seria o pão da vida, se uma vez não houvesse nascido, morte e ressuscitado por nós, assim também é mister que a virtude destas coisas seja permanente e imortal, a fim de que recebamos o fruto das mesmas.

Isto o expõe mui bem em São João, quando disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” (João 6:51); onde sem dúvida alguma, demonstra que Seu corpo havia de ser pão para dar a vida espiritual às nossas almas, em quanto o devia entregar à morte por nossa salvação. Porque Ele O deu uma vez por pão, quando O entregou para ser crucificado pela redenção do mundo; e O dá a cada dia, quando pela Palavra do Evangelho se oferece e apresenta, para que participemos dEle, visto que foi crucificado por nós; e, por conseguinte, sela um tal participação com o mistério de Sua Santa Ceia; e quando interiormente cumpre o que externamente significa.

Não despojemos os sinais de sua realidade. Comungar não é somente crer. Não há ninguém, a não ser que careça absolutamente de sentimentos religiosos, que não admita que Jesus Cristo é o pão da vida, com o qual os fiéis são sustentados para a vida eterna; porém, o que não estão de acordo, é no modo de se realizar tal participação.

Há alguns que numa palavra definem que comer a carne de Cristo e beber Seu sangue não é outra coisa, senão crer nEle. Porém, a mim me parece que o mesmo Cristo quis dizer, neste notável sermão, algo muito mais alto e sublime, ao recomendar-nos que comamos Sua carne; a saber, que somos vivificados pela verdadeira participação que nos dá nEle, a qual se significa pelas palavras comer e beber, a fim de que ninguém pensasse que consistia num simples conhecimento. Porque, como o comer e beber, e não o simplesmente mirá-lo, é o que dá sustento ao corpo, assim também é necessário que a alma seja verdadeiramente partícipe de Cristo, para ser mantida na vida eterna.

João Calvino.


domingo, 13 de março de 2011

Congregando?

P

A Igreja é a Casa Deus. Estar na casa de Deus é estar na presença dEle. Não há outro lugar em que um cristão deveria se sentir melhor do que no Templo. No Templo, adoramos ao Senhor, oramos, ouvimos a Leitura da Santa Palavra, aprendemos por meio da pregação, compartilhamos experiências, enfim, congregamos, juntos, sob a orientação e bênção divina.
Apesar de tudo isso, por que será que tantos cristãos negligenciam a Casa de Deus? Por que, para muitos, estar em casa é melhor do que estar no Templo?
"Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor".
Amém.