Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Eu no reino de Deus!

Não poucas vezes os cristãos são instruídos a pensar no reino de Deus. Buscá-lo em primeiro lugar foi apresentado por Jesus como dever do filho de Deus. Mas, o que tem recebido pouca ênfase na igreja é a necessária obrigação de trabalhar por e neste reino.

Você trabalha por este reino quando sua vida reflete as horas de leitura da Bíblia e de oração que regularmente você faz. Sua participação nos trabalhos regulares da igreja também é uma ótima maneira de fazer algo relevante pelo reino. Você faz parte de uma congregação. Seu lugar, portanto, é com os seus irmãos, compartilhando com eles suas lutas e anseios, suas vitórias e derrotas, suas contribuições para a glória de Deus. Trabalhar pelo reino de Deus é um mister sublime, que demanda boa vontade e dedicação não a si mesmo ao outro por quem Cristo morreu.

Em outra frente, fomos convocados a trabalhar neste reino. Há muitas tarefas a serem feitas e elas não são realizada por anjos e, sim, por seres humanos regenerados, como eu e você. No reino de Deus há pessoas que estão fracas espiritualmente e precisam de socorro; há irmãos que carecem de uma oração, de um aconselhamento, de um sorriso, de um desafio, de uma exortação. E quem deve fazer isso? O pastor e o presbítero? Sim. E você também. É dever de um irmão zelar pelo bem-estar de outro irmão. Você também é responsável por aqueles por quem Cristo morreu.

Assim, temos um grande privilégio de pertencermos ao reino de Deus. Nele, todas as coisas são controladas e dirigidas para um fim: A glória do SENHOR. É nessa perspectiva que avaliamos a nossa vida, nossa família, nosso trabalho. Todas as coisas que somos e fazemos fazem parte de um plano eterno, lindo e perfeito, que, ao final, revelará o quanto Deus é bom e Santo em todos os Seus caminhos.

No entanto, todo privilégio anda acompanhado de responsabilidades. E é nossa responsabilidade trabalhar por e neste reino. Você não pode ser inútil nem parasita. Inútil é aquele que se nega a doar pelo bem da igreja e do próximo. Nega aos irmãos o uso dos seus talentos e dos seus recursos. Parasita é aquele que apenas se senta e desfruta da pregação, do templo e da companhia dos irmãos, sempre sugando e em nada cooperando. Você não é assim!

Avalie sua participação no reino de Deus. Você acha satisfatório o que tem feito ou poderia fazer mais? Que sua consciência não lhe condene, irmão. Antes, seja a sua vida um testemunho da gratidão que você tem por pertencer à família de Deus.

Rev. Renato Arbués.

domingo, 3 de junho de 2012

O CRESCIMENTO DA IGREJA!

Atos 2.42-47:
Conta-se que um homem visitava um hospício. O enfermeiro mostrava-lhe pacientemente os vários setores daquela casa. Intrigado com a flagrante desproporção entre o número de funcionários e o de enfermos ali internados, o visitante perguntou:
- Vocês não têm medo de que os internos se unam e agridam vocês? Afinal, eles são em número muito maior!
O enfermeiro respondeu:
- Oh! Não, ninguém precisa ficar com medo. Os loucos nunca se unem.
As palavras do enfermeiro parecem ser um diagnóstico de aplicação quase universal. A desunião está presente nos hospícios, nas empresas, nas escolas, nas famílias e nas igrejas. A desunião impede que as pessoas alcancem o máximo de seu potencial como grupo, porque isola os indivíduos. Sozinhos, não podemos muito. Aristóteles, um importante filósofo, observou que o homem é um ser político, quer dizer, o homem é um ser que se realiza em ações que envolvem a participação de outros homens.
Parece que a Igreja Primitiva trilhava um caminho semelhante. No trecho lido, temos um resumo dos elementos essenciais do discipulado cristão, com forte ênfase na comunidade, na comunhão uns com os outros.
É óbvio que nós vivemos época diferente daquela. Nossos contextos - social, cultural, eclesiástico – são bastantes diversos. Mas somos a mesma Igreja e servimos ao mesmo Deus. Isso significa que os deveres impostos por Deus àquela comunidade, são os mesmos deveres que pesam sobre os ombros da igreja atual.
No livro de Atos é dito que a igreja foi resgatada mediante um valor muito alto (At. 20.28). E em virtude desse resgate, da soberana escolha de Deus, da atuação do Espírito Santo, a igreja é preciosa para Deus. Ela é agente do reino de Deus.
Exatamente por isso, Deus tem normas específicas para esta igreja. Tais normas devem ser muito bem observadas por nós, pois nos é dito, também, que Deus é zeloso. Ele cuida e exige cuidados com a Sua igreja.
Todo esse zelo é efetivado por intermédio do E. S. É ele quem origina, acompanha, quem dá vida e sustenta a igreja. Até aqui tudo bem. Os crentes concordam com essas afirmações. O debate torna-se áspero quando o assunto se volta para temas como: crescimento, unidade, testemunho.
O livro de Atos retoma a narrativa de onde o evangelho de Lucas termina: com as aparições de Jesus após Sua ressurreição. Daí começa a registrar Sua ascensão, a vinda do Espírito Santo, o início e o progresso da igreja em Jerusalém.
Do ponto de vista teológico, o tema dominante é a atividade de Cristo, realizada pela atuação do Espírito Santo por meio dos apóstolos. A promessa do derramamento do Espírito Santo foi cumprida entre os discípulos judaicos no capítulo 2, e entre os crentes gentios, no capítulo 10; os apóstolos realizam sua missão no poder do Espírito; a aceitação do Evangelho pelos convertidos é possibilitada pela ação do Espírito Santo... Em suma, o Espírito é a personagem central da narrativa.
Uma das características de Lucas é utilizar-se de resumos da situação da igreja nas várias etapas do seu progresso. Outros resumos são encontrados nos capítulos 4.32-37 e 5.12-16.
No v. 42, Lucas nos brinda com a apresentação dos quatro elementos essenciais na prática religiosa da igreja cristã: a doutrina dos apóstolos, comunhão, o partir do pão e o louvor a Deus. Então, no v. 47, encontramos a conseqüência da prática desses elementos: O Crescimento da Igreja.
                Em um presbitério, participei de uma comissão que tinha a missão de formular estratégias para o crescimento da denominação. Essas estratégias seriam apresentadas no Sínodo que aconteceria no ano seguinte. Me lembro bem das discussões. De onde vem o crescimento? É legítimo empregar esse método? Fulano está fazendo isso e está dando resultados positivos na sua igreja! E coisas do gênero.
                Mas o que diz a Bíblia, afinal? Nosso texto afirma que o Senhor acrescentava à igreja os que iam sendo salvos.
                A Bíblia nos ensina que o crescimento de uma igreja:

1. Não vem do pragmatismo:
O pragmatismo é tido como a primeira filosofia originalmente americana. Seus fundadores são Charles Peirce e William James, segundo alguns, inspirados em Ralph Emerson.
O pragmatismo é uma doutrina filosófica que se baseia na verdade do valor prático, ou seja, se um método dá bons resultados, este é um bom método. Julga-se os meios pelos fins!
Desde há alguns anos, esta tem sido uma tendência avassaladora dentro do cenário evangélico. Métodos, campanhas, técnicas de marketing, tudo é válido na batalha pelo crescimento da igreja. O item mais importante do relatório pastoral é o que apresenta a estatística de sua igreja.
Mas será que o crescimento do qual acabamos de ser informados por Lucas seguiu técnicas pragmáticas? Era pragmático ser cristão naquela época?
Vejamos:
* A oposição à expansão do evangelho começa com a zombaria dirigida contra os apóstolos no Pentecoste (At. 2.13) ð estes homens haviam acabado de receber o Espírito Santo;

* Continua nos esforços do Sinédrio para impedi-los de pregar (At. 4.1-3);

* Os apóstolos são presos (At. 5.17-18);

* Estevão é morto por apedrejamento (At. 7.59-60);

* O rei Herodes ordena a morte de Tiago (At. 12.1-3);

* Paulo é apedrejado (At. 14.19)...

Se o pragmatismo julga as coisas pelo valor prático, uma conclusão nós podemos adiantar: não era nada pragmático ser cristão naquela época.
Ora, os apóstolos trabalhavam pelo crescimento da igreja. Eles faziam isso ensinando e estimulando a igreja a participarem das virtudes descritas no v. 42. Eles dariam a própria vida para alcançarem esse objetivo. Surge a questão: Eles não deveriam adotar um método mais eficaz de pregação? Um que trouxesse menos transtornos e mais convertidos? Qual foi a atitude deles?
Vejamos:

* Atos 2.40-41 ð testemunho e exortação. Resultado: quase 3.000 almas;
* Atos 4.1 ð Eles falaram: a palavra grega laléo (proclamar) Resultado: At. 4.4;
* Atos 5.40, 42 ð Eles pregavam. Resultado: At. 5.47;
* Atos 14.19 ð Eles pregavam. Resultado: At. 14.21

Diante disso: ou o pregador daquela época era um tremendo cabeça-dura ou essa história de métodos, técnicas, estratégias de crescer igrejas, não faz muito sentido. Porque os apóstolos, do início ao fim de sua era, utilizavam de um único método de evangelização: testemunho (vida cristã) e pregação, e o resultado está visível no nosso texto base: At. 2.47.
Se os apóstolos tivessem de seguir um método a fim de não serem perseguidos, agradar a todos e, ao mesmo tempo, produzir o crescimento da igreja, a única alternativa possível seria perverter o cristianismo, tornando-o mundano. A propósito, não é mundanismo o que vemos em muitas igrejas de “sucesso”?
Só existe um método legítimo deixado por Deus pelo qual devemos esperar o crescimento de nossas igrejas: a pregação e a vivência da Palavra de Deus.

(continua)
Rev. Renato Arbués.