Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

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sábado, 11 de julho de 2015

Pensando sobre Prosperidade!

Estudar a Bíblia, comparando o que os homens dizem que elas ensinam, com o que, de fato, está escrito, é um exercício fascinante. Infelizmente, algumas ideias sobre Deus são demasiado humanas. Pior, algumas ideias, além de humanas, contradizem o relato bíblico.

Teologia da Prosperidade! É um movimento surgido dentro de algumas igrejas e que também é conhecido como “Confissão Positiva”. É comum ouvir da boca de pregadores e crentes da Teologia da Prosperidade coisas do tipo: “Você é filho do Rei, não tem por que ter uma vida derrotada” ou “Declare as bênçãos de Deus sobre sua vida” ou ainda: “o verdadeiro filho de Deus não fica doente; Deus honra seu povo”! E outras expressões afins.

Ser derrotado, para a Teologia da Prosperidade, pode ser sinônimo de ser pobre. O cristão – dizem – não pode passar dificuldades financeiras. Se isso acontece, das duas uma: a) ou ele não confia em Deus; b) ele está em pecado!

Pois bem, vamos ler as Escrituras Sagradas. Há um trecho que, creio eu, todos devem conhecer: A Parábola do Homem Rico e Lázaro. Está registrada em Lucas 16.19-23. Leia-a, por favor.

É preciso ter cuidado para não deduzir coisas que a parábola não ensina. Jesus não ensinou que todos os ricos vão para o inferno, nem que todos os pobres vão para o céu. Não há elogio nem desprezo à condição social de nenhum dos dois personagens.

Somos colocados diante de um quadro que ilustra bem as palavras de Salomão em Provérbios 13.7: “Uns se dizem ricos sem terem nada; outros se dizem pobres, sendo mui ricos”.

Como alguém escreveu: “Quando os bens materiais foram deixados para trás, quando o rico foi para o túmulo, onde essas coisas não têm valor algum, ele nada tinha para levar consigo à eternidade. Possuía riquezas na terra, mas nenhum tesouro no céu. Sendo rico, certamente ele tinha muitos amigos, mas não tinha O amigo e advogado à destra de Deus. Comia manjares e as mais nobres refeições, porém não teve direito ao Pão da vida. Sua riqueza não era verdadeira riqueza, pois estava sem Cristo, sem fé, sem perdão e sem santidade. Quando morreu foi para o inferno. Na verdade, o homem rico era desesperadamente pobre.”

Ora, se bens materiais não nos darão direito ao mais importante dos bens, a vida eterna; se riquezas na terra não nos garantirão um tesouro no céu; se saúde física não garantirá a saúde espiritual... Como viver em função dessas coisas? Como buscar a Deus a fim de apenas receber recompensas materiais, como: riqueza, prosperidade, saúde, abundância...?

Não estamos negando o valor dessas coisas. Nós as buscamos pelos meios estabelecidos por Deus: “Com o suor do teu rosto comerás...”, é a ordem divina! O trabalho é o meio deixado por Deus para conquistarmos o pão de cada dia.

O que estamos questionando é a incessante busca por parte dos crentes de bens e coisas, de felicidade na terra, de abundância de manjares, enquanto as “coisas lá do alto” são deixadas em segundo plano!

Lázaro não tinha nada neste mundo. Porém, no sentido mais elevado, Lázaro era rico. Era um filho de Deus, com uma herança no céu. Suas riquezas eram duradouras e verdadeiras. Lázaro se alimentava do Pão da Vida.

Ora, pelo critério de hoje, certamente alguns diriam que o “abençoado” era o rico; enquanto Lázaro deveria confiar mais em Deus, fazer um voto, preencher um envelope, colocar dinheiro dentro e esperar que Deus lhe respondesse!

O Pr. Francisco Belvedere Neto, da Igreja Metodista, escreveu que: “a teologia da prosperidade une o fútil ao desagradável, ou seja, é uma mistura de ganância e comodismo. Os adeptos da teologia da prosperidade acham que nós temos direito de reivindicarmos o que quisermos de Deus, esquecendo da soberania divina”.

É estranho distorcer a Palavra de Deus para fazê-la dizer o que nenhum dos santos profetas disse. Vamos à Bíblia:

Mt. 6.19-21: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.

Ora, se Jesus ensinou que não devemos “acumular” é fácil concluir que não devemos “procurar” também!

1 Tm. 6.6-10: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”.

É quase possível ouvir algumas pessoas dizendo: “Mas, e o texto de Filipenses?”. Vamos lê-lo? Fp. 4.13: “tudo posso naquele que me fortalece”. Kenneth Hagin tem um livro muito famoso aqui no Brasil: O Nome de Jesus. Esse autor em outro texto escreveu que Paulo, nessa passagem, ensina que não há nada que Deus não possa fazer na vida dos que creem; que só é preciso ter fé, que tudo que você pedir, vai acontecer!

Depois de ler isso, concluímos uma de duas coisas sobre Kenneth Hagin: ou ele ensinava o que não fazia; ou ele não gostava de seus familiares. Sim, porque a pesquisadora de religiões Mary Schultz conta que o cunhado e a irmã de Kenneth Hagin morreram de câncer e que ele mesmo usou óculos até morrer! Se eu fosse maldoso, perguntaria: “Por que ele não declarou a cura para si mesmo e para os que ele amava?” Vai saber!

Mas voltemos a Fp. 4.13. Qualquer aluno da pré-escola sabe que antes do 13 vem o 12, e que antes do 12 vem o 11...  Afinal, do que Paulo tratou no capítulo 4 de Filipenses?

v. 10: “Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade” ð Paulo, em mais de uma ocasião, recebeu dinheiro daquela igreja para suprir as suas necessidades de comida e de abrigo.

vv. 11-12: “Digo isto não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez.”

Eis do que trata Paulo. Ele aprendeu a enfrentar QUALQUER situação, fosse riqueza, pobreza, saúde, doença... Tudo ele podia enfrentar naquele que fortalece o homem: Cristo.

Quando eu era seminarista em São Paulo, ouvi um testemunho impressionante: um rapaz crente havia ido buscar a noiva na porta do colégio quando foi abordado por dois assaltantes. Deram-lhe dois tiros: um na cabeça e outro no ombro. O rapaz sobreviveu e a igreja estava em festa porque ele estava ali dando aquele testemunho de fé!

Louvado seja Deus que nos livra da morte. Vários de vocês que leem esta pastoral podem contar coisas tão maravilhosas quanto essas: um livramento da morte certa; a cura de uma doença quase fatal; Deus restabelecendo um lar... Isso tudo é digno de louvores a Deus.

Mas, e quantos aos demais leitores que nunca levaram um tiro e nunca estiveram no leito de uma UTI? O que dizer de quem nunca teve de lutar contra uma doença grave? De quem nunca foi assaltado? Será que Deus também não foi bondoso com vocês?

Eu já fui assaltado. O bandido colocou a arma na minha cabeça e disse que ia atirar. Graças a Deus não o fez. Meu irmão vive em Brasília há mais de 10 anos. Nunca teve uma arma apontada para ele. E eu creio que o mesmo Deus que cuida de mim, cuida também do meu irmão!

Apesar de terem sido tão diferentes em suas vidas, tanto Lázaro como o homem rico chegaram ao mesmo fim. Ambos morreram. Este é o destino de todos os homens, e também será o seu e o meu. A morte é o grande inimigo que ninguém pode vencer. Ela não poupa pessoa alguma; e não esperará até que você esteja pronto. A morte virá na hora estabelecida por Deus.

Todos os homens conhecem esses fatos, os que creem na Teologia da Prosperidade e os que não creem. Porém, a maioria não os percebe como realidade. Se os percebessem, fariam algo a respeito.

Por isso, não coloquem seus corações neste mundo agonizante. Você pode até ganhá-lo, mas perderá a sua alma! Vale o preço?

Rev. Renato Arbués.

domingo, 27 de outubro de 2013

O COMPLÔ II

Se você acha que o exame das minhas convicções cristãs terminou na reflexão sobre Marx, Nietzsche e Sartre está muito enganado. Há, ainda um outro ponto em que eu quase tropeço: Mitologia. Ouvi tanto que a Bíblia é um relato mitológico, em especial, o da Criação, que, assumo, resolvi aceitar esse ponto-de-vista.

Como fiz antes, decidi examinar mais detidamente a questão. Procurei ajuda, claro. Encontrei-a num artigo de Barboza (Fides Reformata, 2004), intitulado “Gênesis 1.1-2.3: Um texto mítico? Um estudo comparativo de gênero literário”. E o que encontrei?

Em primeiro lugar, definir o que é um mito é uma das tarefas mais divertidas para um filósofo, uma vez que não há consenso entre as escolas sobre esse assunto. A certa altura, lê-se no artigo que o “mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares”. E agora? Que perspectiva devo adotar?

Resolvi começar pelo pensamento dos próprios autores bíblicos. Escolhi dois autores do Novo Testamento, um bem diferente do outro: Paulo, filósofo, erudito; Pedro, pescador, homem simples.

Começando com Paulo, encontrei em 1 Tm. 1.4, a seguinte declaração: “nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do que o serviço na fé”. De novo em Tt. 1.14: “E não se ocupem com fábulas judaicas, nem com mandamentos de homens desviados da verdade”.

Em 2 Pedro 1. 16: “Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade”.

Em todos os textos, a expressão destacada “fábulas”, do grego, muthos -  mitos. Não sei se você ficou com a mesma impressão que eu, mas, parece que tanto Paulo quanto Pedro odiavam essas “histórias inventadas”, os tais mitos.

Conheço bem o apóstolo Paulo. Leio trechos de suas cartas desde os meus 10 anos. Tenho 41. Jamais pensei em Paulo como um hipócrita. Seus escritos não sugerem isso, a maneira como as pessoas que lidaram com ele o trataram também não dá brechas a esse tipo de diagnóstico. Ele foi espancado por sua fé, perdeu seu status, não pôde desfrutar da convivência familiar como outras pessoas fizeram, tudo por causa do evangelho. Penso que seja por isso que ele odiava pensar que alguém pudesse dar ouvidos a uma “história inventada”, ao invés da mais pura verdade, verdade pela qual ele daria sua vida.

Pedro é outro velho conhecido. Sua reputação é tão honrosa que há quem o tenha como o “substituto de Cristo”. Diz a tradição que ele foi condenado à crucificação. Peidu para ser crucificado de cabeça para baixo, porque não era digno de morrer como Jesus. Um camarada desses jamais aceitaria que comparassem suas histórias com fábulas criadas pela engenhosidade humana.

Penso que isso seja relevante: Os escritores bíblicos sabiam o que era mito e o que era verdade. Abominaram o primeiro e exaltaram a segunda. Aliás, morreram pela verdade. Não posso ignorar isso.

Seja o que um mito for, os escritores bíblicos sabiam que eram histórias bem diferentes das histórias bíblicas.

Continua.

Rev. Renato Arbués.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

NUNCA DESISTA!

Algúem comentou ontem que, infelizmente, perdeu a coragem. Já não tem mais ânimo para lutar, está cansado de tanto tentar sem conseguir jamais conquistar o que deseja, enfim, desânimo total. Que pena. Tentou tudo e de tantas maneiras, mas insiste em ignorar a única via possível de realização. "Deus, tu és o meu Deus, outro bem não possuo, senão a ti somente", escreveu o salmista (Sl. 16.2).Vou lutar sempre, como meu amigo aí da charge. O que tiver que virá, virá. Deus já o decretou, eu sei e acredito. Mas Ele, certamente, não decretou a ociosidade e o desânimo como possibilidades legítimas. Definitivamente, isso é coisa para os fracos. Quem são os fracos? Leia Provérbios 23.10.
Um abraço.

Rev. Renato Arbués.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Aos incautos navegantes...

Incauto navegante! Segundo o Aurélio, incauto é um sujeito “imprudente, ingênuo”. Péssimas qualidades para um navegante. No hinário Novo Cântico, este hino é o de número 308 e é vinculado ao nome de Sarah Poulton Kalley. Considerando que essa senhora viveu de 1825 a 1907, fica ainda mais forte a força da expressão “incauto navegante”. Imagine uma viagem de barco cujo comandante fosse um sujeito reconhecidamente imprudente!

Ler essas palavras remete o pensamento quase que instantaneamente aos versos do conhecido poema de Fernando Pessoa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. Os historiadores nos lembram que, na verdade, essa frase foi dita pelo general romano Pompeu (106-48 a. C.) aos marinheiros que, amedrontados, se recusavam a viajar. “Navigare necesse; vivere non est necesse”, num latim caipira.

No hino de Sarah Kalley, a vida é descrita como cheia de tormentas. Os navegantes incautos são os homens que vivem sem considerarem o rumo para onde vão nem os perigos a que estão submetidos. A qualquer momento o barco da vida pode topar com um iceberg (lembra do Titanic?) ou com outro barco e afundar; ou, quem sabe, deparar-se com piratas, ou enfrentar uma tempestade e virar. Enfim, viver é algo perigoso, sobretudo se não temos uma boa bússola para nos mostrar a direção e o caminho mais seguro.

Na poesia de Fernando Pessoa, há quem diga que o “preciso” da frase deve ser entendido como “necessário”. Assim, o que importa não é viver, mas como viver! É preciso correr riscos, aventurar-se no bravio mar. Se a vida corre perigo, paciência! Afinal, viver não é necessário mesmo. Contudo, outros intérpretes dizem que no famoso verso, o sentido de “preciso” não é o de necessário, mas o de “exatidão, precisão”. Navegar, então, é algo mais seguro do que viver, pois na navegação dispomos de bússolas, astrolábio (esse é antigo!), computadores, mapas etc. Eu também, modestamente, acho que o “preciso” do poema tem o sentido de exatidão.

Bom, mas o que importa realmente pra esta pastoral é dizer pra você, leitor, que, se você for um navegante incauto, cuidado! São muitas as tormentas que podem naufragar levar o seu “barco” para o fundo do mar: a violência urbana, os males da alma, as doenças, o trânsito... Mas, o maior perigo a que você está exposto é o “das trevas do pecado”. Esse, além de fazê-lo naufragar, pode mandá-lo para uma fornalha bem quente, que consumirá lentamente toda a velha madeira de seu barquinho.

E se você, leitor, não for um viajante incauto, devo lembrá-lo do nosso dever: “resplandeçam nossas luzes através do escuro mar, pois nas trevas do pecado, almas podem naufragar!”. Pregue a Palavra. Seja luz. Salve os incautos que vivem com você. Não seja desobediente à ordem divina: “Sê tu uma bênção”.

Pense nisso!

Rev. Renato Arbués.