Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

domingo, 27 de outubro de 2013

O COMPLÔ II

Se você acha que o exame das minhas convicções cristãs terminou na reflexão sobre Marx, Nietzsche e Sartre está muito enganado. Há, ainda um outro ponto em que eu quase tropeço: Mitologia. Ouvi tanto que a Bíblia é um relato mitológico, em especial, o da Criação, que, assumo, resolvi aceitar esse ponto-de-vista.

Como fiz antes, decidi examinar mais detidamente a questão. Procurei ajuda, claro. Encontrei-a num artigo de Barboza (Fides Reformata, 2004), intitulado “Gênesis 1.1-2.3: Um texto mítico? Um estudo comparativo de gênero literário”. E o que encontrei?

Em primeiro lugar, definir o que é um mito é uma das tarefas mais divertidas para um filósofo, uma vez que não há consenso entre as escolas sobre esse assunto. A certa altura, lê-se no artigo que o “mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares”. E agora? Que perspectiva devo adotar?

Resolvi começar pelo pensamento dos próprios autores bíblicos. Escolhi dois autores do Novo Testamento, um bem diferente do outro: Paulo, filósofo, erudito; Pedro, pescador, homem simples.

Começando com Paulo, encontrei em 1 Tm. 1.4, a seguinte declaração: “nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do que o serviço na fé”. De novo em Tt. 1.14: “E não se ocupem com fábulas judaicas, nem com mandamentos de homens desviados da verdade”.

Em 2 Pedro 1. 16: “Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade”.

Em todos os textos, a expressão destacada “fábulas”, do grego, muthos -  mitos. Não sei se você ficou com a mesma impressão que eu, mas, parece que tanto Paulo quanto Pedro odiavam essas “histórias inventadas”, os tais mitos.

Conheço bem o apóstolo Paulo. Leio trechos de suas cartas desde os meus 10 anos. Tenho 41. Jamais pensei em Paulo como um hipócrita. Seus escritos não sugerem isso, a maneira como as pessoas que lidaram com ele o trataram também não dá brechas a esse tipo de diagnóstico. Ele foi espancado por sua fé, perdeu seu status, não pôde desfrutar da convivência familiar como outras pessoas fizeram, tudo por causa do evangelho. Penso que seja por isso que ele odiava pensar que alguém pudesse dar ouvidos a uma “história inventada”, ao invés da mais pura verdade, verdade pela qual ele daria sua vida.

Pedro é outro velho conhecido. Sua reputação é tão honrosa que há quem o tenha como o “substituto de Cristo”. Diz a tradição que ele foi condenado à crucificação. Peidu para ser crucificado de cabeça para baixo, porque não era digno de morrer como Jesus. Um camarada desses jamais aceitaria que comparassem suas histórias com fábulas criadas pela engenhosidade humana.

Penso que isso seja relevante: Os escritores bíblicos sabiam o que era mito e o que era verdade. Abominaram o primeiro e exaltaram a segunda. Aliás, morreram pela verdade. Não posso ignorar isso.

Seja o que um mito for, os escritores bíblicos sabiam que eram histórias bem diferentes das histórias bíblicas.

Continua.

Rev. Renato Arbués.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O COMPLÔ I

Estive pensando a respeito de minha fé. Penso que todo homem, ao menos uma vez na vida, deveria examinar a base de suas convicções e, se preciso, substituí-las, ou confirmá-las definitivamente. Estive pensando sobre meu cristianismo. E resolvi aceitar que fui vítima de um complô.

O dicionário Houaiss define complô como “trama secreta combinada entre diversos indivíduos contra uma autoridade, um personagem público, uma instituição”. Como não sou autoridade nem personagem pública, fico com a segunda acepção do mesmo dicionário, que retrata um complô como “qualquer projeto tramado secretamente entre duas ou mais pessoas”.

Assim, decidi pensar que mentiram pra mim. Cristo não é o Filho de Deus, não morreu numa cruz para me salvar, não ressuscitou. Ele foi, na verdade, um bom judeu, cumpridor de seus deveres e que apresentou uma nova interpretação da Lei, pautada no amor a Deus e ao próximo como bens supremos.

Fiquei aliviado. Agora, certamente, seria aceito entre os intelectuais e os caras mais bacanas que há no mundo. Tanto tempo vítima de superstições de judeus que acabei perdendo o bom senso e a inteligência. Chega. A partir de agora, serei livre. Serei como Marx, Nietzsche, Sartre.

Depois da euforia de me sentir livre do erro, resolvi analisar meu novo estado. Comecei pelos meus novos heróis: Marx, Nietzsche e Sartre.

Marx era sustentado por Engels. Na maior parte do tempo, não obteve êxito com seus escritos. Passou fome, foi despejado algumas vezes. Honestamente, penso que não vale a pena defender uma ideia que fará de mim um parasita. Desisti desse herói.

Nietzsche, o professor mais famoso de toda a Europa, morreu babando, preso num quarto, dizendo-se ora Cristo, ora o Anticristo. Sua irmã chegou ao ponto de cobrar ingresso para quem quisesse vê-lo. Esse dinheiro ajudava no tratamento e sustento do meu ex-herói.

Sartre era homem fino. Amigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Taí um cara que vale a pena seguir! Mas, seguir pra onde? Ele mesmo dizia que não sabia para onde ia, que seu caminho era construído enquanto caminhava! “Casado” com uma filósofa, mantinha um relacionamento aberto, em que ambos tinham amantes. Como dizem os baianos, “não dá pra mim, não!” Caí fora.

Então, meu amigo, fiquei num mato sem cachorro. Desisti da minha fé por causa de grandes homens que, na verdade, de grande não tinham nada! Mas, se eles não eram ninguém, certamente, os inventores do cristianismo também não haveriam de ser.

Mateus, cobrador de impostos de segunda categoria. Marcos, discípulo de Pedro, e só. Lucas, médico, pesquisador. Esses três criaram os evangelhos. Dá pra confiar? Eles criaram um personagem fictício, atribuíram a ele diversos ensinamentos, deram-lhe uma família, um nome e inventaram que realizava milagres, incluindo ressurreição de mortos. Quanta bobagem!

Como fiz antes, fui analisar a vida desses caras. Como você sabe, criar um personagem não é fácil. Torná-lo conhecido, então, é difícil. Fazer as pessoas se identificarem com ele é muito raro. Levar leitores a manterem uma relação pessoal com um personagem a ponto de morrer por ele, impossível! Aí, a pulga que vive na minha orelha me incomodou. “Como um cobrador de impostos, um médico e um discípulo de alguém foram capazes da proeza de inventarem um personagem tão fascinante como Jesus?” Como fizeram isso? Dois mil anos e nunca foram contestados definitivamente! Ninguém provou que estavam errados, que Jesus não existiu, que tudo era uma farsa. Ao invés disso, o personagem que eles “criaram” mudou a vida de pessos simples e de reis, de nações ricas e pobres. Livrou viciados, restaurou famílias, consolou aflitos, amparou necessitados, acolheu os desamparados.

Então, comecei a ter dúvida sobre quem, de fato, estava promovendo um complô.

Continua!

Rev. Renato Arbués.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SONHOS: O QUE FAZER COM ELES?


No livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o protagonista é traído e morto por sua maior paixão: o Brasil! Policarpo Quaresma era um patriota, no sentido mais exagerado da palavra. Ele idolatrava seu país. Idealizava uma era em que sua pátria seria o centro do mundo. Estudou, trabalhou, juntou recursos, deu a vida para ver concretizado o seu ideal. O que aconteceu? Ele foi tratado como louco, ridicularizado, desprezado, enxovalhado, preso e acabou morrendo sem desfrutar dos dias em que seu país se tornaria o melhor de todos. Coitado. Morreu sem ver o seu sonho se realizar.

A certa altura da sua vida, um pouco desiludido com o rumo que as coisas tomavam e já pensando em desistir de tudo, Policarpo Quaresma travou o seguinte diálogo com um amigo:

“- É bom sonhar. Sonhar consola” - disse Ricardo Coração dos Outros.

“- Consola, talvez; mas faz-nos também diferentes dos outros, cava abismo entre os homens” - respondeu o patriota.

Inevitavelmente, eu e você teremos que concordar com duas premissas desse diálogo: 1º) É bom sonhar - e todos nós sonhamos com alguma coisa e desejamos tornar reais nossos sonhos; e, 2º) Sonhar nos faz diferentes - a diferença entre mim e você, e entre você e as demais pessoas, é o modo como tratamos nossos sonhos. Uns lutam com todas as armas disponíveis para alcançar seus objetivos; outros, em algum ponto da jornada, desistem. São derrotados pelas circunstâncias.

Não precisávamos, a bem da verdade, de Policarpo Quaresma para chegar a essas conclusões. Antes dele, a Bíblia já falava sobre isso.

Jó, em um de seus momentos de reflexão, avalia a vida do homem e conclui: “o homem vive breve tempo, e cheio de inquietação” (Jó 14.1). Nossos dias são curtos. Mas nem por isso são tranquilos. São “cheios de inquietação”.

A princípio, sonhamos com nosso futuro, imaginando qual será nossa profissão, com quem vamos nos casar, onde viveremos etc. Temos, assim, um início de vida inquieto. Decisões precisam ser tomadas numa fase em que a maioria de nós não está preparada pra tanta responsabilidade.

Porém, ao mesmo tempo em que tudo isso nos angustia, também nos consola. Quando pensamos em como será nosso futuro, na bela casa que teremos, no bom profissional que nos tornaremos, enfim, esses pensamentos têm o poder de nos tranqüilizar. Vejam o que disse Salomão: “Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze (desfrute) o bem do seu trabalho...” (Ec. 2.24). Sonhar pode consolar!

Entretanto, você já deve ter percebido como as pessoas têm projetos diferentes umas das outras. Eu, provavelmente, vejo o mundo sob uma perspectiva distinta da sua, pelo menos em alguma área. É esse fato que explica certas escolhas diversas que fazemos, os discursos opostos que eu e você aceitamos. Por isso, sonhar, enquanto consola, também cava abismos entre os homens.

E qual de nós pode dizer que alcançará todos os seus sonhos? O sábio rei Salomão disse um dia: “Se é amor ou se é ódio que está à sua espera, não o sabe o homem. Tudo lhe está oculto no futuro” (Ec. 9.1).
É aqui que os sonhos nos fazem diferentes, cavam abismos entre nós. Uns jamais desistem de seus projetos, embora as circunstâncias da vida lhes sejam contrárias; outros temem tanto as coisas ocultas do futuro que desistem dos seus sonhos em algum trecho da jornada.

Que pena! Quantos sonhos lindos foram abandonados pelo simples receio do desconhecido.
Imagine o que teria acontecido se Lutero tivesse desistido de seu sonho de reformar a Igreja? Se João Calvino, quando fracassou pela primeira vez, abandonasse o sonho de “reformar” Genebra? Se Martin Luther King não acalentasse sonhos de dias melhores (I have a dream).

A resposta é simples: se esses homens tivessem desistido de seus sonhos, as coisas boas que eles fizeram jamais teriam chegado até nós!

E você, o que você faz dos seus sonhos?

Permita-me, mais uma vez, fazer uso das palavras de Salomão: “Semeiapela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas” (Ec. 11.6).

Não seja tragado pelo abismo que nos leva a todos!

Rev. Renato Arbués.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A TUA PRÓPRIA BOCA TESTIFICOU CONTRA TI

Davi estava em Ziclague, descansando da última batalha, acontecida há dois dias. Ao terceiro dia, chega um homem ao arraial “com as vestes rotas e terra sobre a cabeça”. Era um amalequita que havia conseguido fugir do arraial de Israel, devastado pelos filisteus. O homem trazia uma notícia: o rei Saul e seu filho, Jônatas, estavam mortos. Ele os havia matado.


A ironia da história fica por conta do desfecho. Ele aguardava ser recompensado por Davi. Afinal, com a morte de Saul, Davi poderia reinar sobre Israel tranquilamente, sem um rival. “Davi vai ficar tão feliz, que me presenteará com ouro, roupas finas e, quem sabe, um cargo no palácio”, deve ter pensado o amalequita. Ao invés disso, Davi chamou um de seus soldados e deu a seguinte ordem: “Vem, lança-te sobre esse homem”. O soldado feriu o mensageiro, e este morreu. Essa história pode ser lida no Segundo Livro de Samuel, capítulo 1.


O rei Davi não suportou a impertinência de um homem que havia acabado de matar o Ungido do Senhor e, ainda por cima, se vangloriava de tal fato. Quem conhece a história sabe que o amalequita estava mentindo. Saul havia cometido suicídio. O futuro rei de Israel ficou tão furioso que ordenou a morte do mentiroso. Foi então que Davi pronunciou as palavras que dão título a essa mensagem: “A tua boca testificou contra ti” (2 Sm. 1.16).


É impossível ler essa história e não meditar nas inconsequências de nossas palavras. Por razões diferentes das do amalequita, os homens têm falado coisas que testificam contra si mesmos. São promessas não cumpridas, votos desfeitos, compromissos ignorados, juras falsas, calúnias, mentiras, ofensas...

Não faz muito tempo, um senhor de meia-idade teve de ouvir de um comerciante a seguinte frase: “Você? Você se diz crente? Mentira!”. A indignação do comerciante se deveu ao não pagamento de uma dívida e à tentativa, por parte do “crente” de adquirir mais uns produtos.


“Você se diz crente?”, como deve ser constrangedor ouvir isso!


É bom que se afirme que vida cristã não é vida perfeita. Não se está defendendo aqui a absoluta necessidade de conduta perfeita a fim de evidenciar-se cristão. Isso seria uma mistura de legalismo com farisaísmo.


Como calvinistas, afirmamos as verdades bíblicas como as da Depravação Total e Pecaminosidade Humana. Além, claro, da maravilhosa doutrina da Graça Irresistível de Deus e da Santidade dos crentes. E como calvinistas cremos tanto na Soberania de Deus quanto na Responsabilidade dos Homens. Nossa santificação vem de Deus, mas isso não elimina nossa responsabilidade de buscá-la e vivê-la na obediência aos preceitos cristãos.


O apóstolo Paulo, como bom calvinista, equilibrava essas duas verdades com uma naturalidade desconcertante para alguns: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Co. 15.10).


Os crentes de hoje estão no meio de uma guerra. Estamos, sim, combatendo o bom combate. Mas, quem são os nossos inimigos? Satanás, o mais forte deles; o mundo, o mais “tristemente prazeroso”; e, a carne (a natureza humana), a quem somos mais vulneráveis. Se empenharmos todas as nossas forças na luta contra um desses inimigos – Satanás, por exemplo – ficamos expostos aos outros dois. Logo, precisamos, como ensinou Jesus, “vigiar e orar, para que não entreis em tentação”.


Portanto, tomemos cuidado a fim de não sermos derrotados por nós mesmos, sim, pela nossa própria boca. Falemos sempre a verdade, cumpramos sempre a nossa palavra, sejamos leais e honestos, esforcemo-nos para sermos achados fiéis à Palavra que professamos.


Talvez se o amalequita tivesse vivido alguns anos mais tarde, nos dias de Salomão, e tivesse ouvido e obedecido os conselhos do Sábio Rei, quem sabe, não teria tido uma morte tão ingrata: “Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus [...]; Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes. [...] Não consintas que a tua boca te faça culpado, nem digas diante do mensageiro de Deus que foi inadvertência...” (Ec. 5.1-6).

Rev. Renato Arbués.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

SE DEUS MANDOU, FAÇA!

Os defensores do vernáculo que me perdoem, mas eu gosto tanto da fala coloquial que me permiti usar uma frase muito comum aqui em Senhor do Bonfim para dar título a essa reflexão: “E você, é quem?”. A construção parece esquisita, mas simplesmente quer dizer “Quem é você? O que você faz? Como vive?”.

A Bíblia registra os feitos de grandes líderes do passado. No decorrer das narrativas, podemos saber com certo grau de precisão quem era cada um deles, como era sua personalidade, seus hábitos, seus medos – tudo a partir do modo como realizaram as missões confiadas a eles por Deus. Quero que você passe em revista comigo por alguns personagens do livro dos Juízes e, ao final, tente identificar com qual deles você se parece mais e responda a pergunta do título: “E você, é quem?”.

O primeiro é Baraque. Pouca gente já ouviu falar dele. Sua história está documentada no livro dos Juízes, capítulos 4-5. Os filhos de Israel estavam sendo oprimidos por Jabim, rei de Canaã. Baraque havia sido escolhido por Deus para livrar Israel. Mas não foi. Aí entra em cena a profetisa Débora. Ela manda chamar Baraque e lhe dá um “puxão de orelha”: “Porventura, o SENHOR, Deus de Israel, não de ordem, dizendo:vai, e leva consigo 10.000 homens... e livra a Israel? (Jz. 4.6-7, adaptado). Baraque estava acomodado.

Baraque, então, revela mais um pouco da sua personalidade. Já vimos que ele era desobediente a Deus. Ele diz: “Se fores comigo, irei; porém, se não fores comigo, não irei” (Jz. 4.8). Em outras palavras, ele disse: “Sozinho? Nem morto!”. Para Baraque, a ordem de Deus, a garantia divina, vista na palavra profética (e o darei nas tuas mãos), não eram suficientes. Ele precisava da companhia de alguém. Seus temores só seriam desfeitos se tivesse Débora ao seu lado.

É impressionante a semelhança entre Baraque e uma multidão de homens e mulheres cristãos. Eles têm à disposição as grandes promessas de Deus e a certeza de que não estarão sozinhos. Porém, preferem a comodidade e o conforto de seus lares a enfrentarem críticas e oposição. Preferem serem vistos sem serem notados a ter de desagradar a este ou aquele. Enfim, se contentam com as frutas caídas no chão porque têm medo dos espinhos na árvore.

São essas pessoas que devem ouvir a profetisa Débora. “Porventura, Deus não lhe confiou uma missão? Então, por que não a realiza? Como você pode ficar aí parado, tendo uma seara imensa pela frente? Por que não colocou a mão no arado ainda”. Na verdade, Baraque sabia que não estaria sozinho. Deus o acompanharia. No entanto, para uma pessoa insegura é mais fácil confiar em carros e cavalos do que no Deus que criou essas coisas!

Meu amigo, não se preocupe com críticas, oposição, desânimo ou qualquer coisa que o valha. Não se contente com uma zona de conforto, na qual você não tem “dor de cabeça” nenhuma. Fazer a obra de Deus exige tempo e dedicação total. Porém, a recompensa é certa. Haverá o dia do descanso eterno, mas até que ele chegue, trabalhemos, pois!

Rev. Renato Arbués.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

VIDAS TRANSFORMADAS TRANSFORMAM!


Estudo baseado em 1 Tessalonicenses 1.1-10

As cartas aos tessalonicenses são os únicos documentos do NT que declaram ter sido escritos por um grupo de pessoas para outro grupo de pessoas (1.1).

Por estar situada numa estrada principal romana, a Via Egnatia, Tessalônica, além de sede administrativa, se tornara um importante centro de comunicações e de comércio. Possuía cerca de 200 mil habitantes e ficava próxima do litoral. Esses fatores fizeram com que o apóstolo Paulo a visitasse em sua segunda viagem missionária, realizada por volta do ano 49 d. C., e registrada em Atos 15.39-18.22. Na visita à Tessalônica, narrada em Atos 17, a Igreja é fundada.

Os Tessalonicenses
Por ser capital da província da Macedônia e importante centro comercial, o custo de vida em Tessalônica era alto para os padrões da época. Os crentes daquela igreja também gozavam de boas condições financeiras e exerciam a hospitalidade para com os peregrinos. Eles eram, em sua maioria, gentios convertidos da idolatria para o cristianismo. A igreja, logo na sua origem, enfrentou forte oposição por parte dos judeus (At. 17.5.10).

Estrutura
O trecho que lemos está organizado da seguinte forma: Paulo louva a Deus pelo estado de glória dos tessalonicenses e conclui lembrando de onde eles saíram (da idolatria).

Saíram da Idolatria (v. 9):
A igreja, como sabemos, era composta predominantemente por gentios. Os gentios, por sua vez, naturalmente eram inclinados e seduzidos pela adoração a falsos deuses. A idolatria cega e escraviza o homem de tal forma que o impede de contemplar a bondade de Deus. O único antídoto eficiente contra a idolatria é a Palavra de Deus.

Receberam a Palavra (v. 6b):
Quando Paulo afirma que os tessalonicenses receberam a Palavra, ele tinha em mente uma ação efetuada totalmente, definitivamente. Ele expressa isso na língua grega.
Paulo fala de uma ação foi praticada em benefício próprio. Quando acolheram a Palavra, os tessalonicenses foram arrancados da idolatria e se converteram ao Deus vivo e verdadeiro.

Tornaram-se Imitadores da Virtude (v. 6a):
A Palavra de Deus nos transforma. Somos feitos novas criaturas quando ela muda a nossa vida. Veja o caso do publicano Zaqueu. Depois do encontro dele com Jesus, lemos:

“Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma cousa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão” (Lucas 19.8-9).

É impossível continuar o mesmo quando se é alcançado pela Palavra.

Praticaram as Virtudes Cristãs (v. 3):
Os autores da carta se alegram muito por três coisas, que caracterizam a imitação deles de Jesus e dos apóstolos:

a. Operosidade da fé: Operosidade vem do grego ergon (lembra da bicicleta ergométrica?) e quer dizer “trabalho, ato, ação praticada de acordo com a orientação do patrão/senhor”.

Conheci um senhor, doente renal crônico, que foi orientado por um pastor a interromper o tratamento (hemodiálise) e ingerir água normalmente. O pastor, na ocasião, disse: “Tenha fé e a bote pra funcionar”. Opere a sua fé!

É impossível dizer que Paulo pensava dessa forma. Isso é tentar a Deus. Não é ter fé operosa ou operante. Operosidade da fé é agir de acordo com a orientação de Deus:

“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2.10).

b. Abnegação do amor: A palavra grega usada por Paulo tem sua raiz nos vocábulos “golpe, batida, pancada”. É usada por Paulo no sentido de trabalho realizado com dificuldade, extremamente penoso. Um árduo labor.

Em suma, o amor que desiste ante a primeira dificuldade, não é amor abnegado. A única igreja que pôs em dúvida o ministério apostólico de Paulo foi Corinto. Depois de todo trabalho, do esforço, da dedicação do apóstolo, a retribuição foi a dúvida, a desconfiança. Mas Paulo tinha amor abnegado (2 Co. 6.4-11).

c. Firmeza na esperança: Firmeza (riponomês) quer dizer, “ficar debaixo, assentar sob, permanência, persistência”. Os tessalonicenses estavam “assentados” debaixo da “árvore” da esperança. Eles aguardavam persistentemente à vinda de Jesus.

 Os Efeitos do Testemunho:
O testemunho deles os fazia “modelos” para os demais crentes que tomavam conhecimento do estilo de vida deles. Eles eram padrões, exemplos:

1. Deus era louvado, glorificado pela vida deles: v. 2;

2. Eram amados de Deus: v. 4;

3. Tornaram-se modelos: v. 7

4. A Palavra repercutia: v. 8.


Lições:

I. A Palavra de Deus nos tira das trevas e nos transporta para a glória:
Os tessalonicenses saíram do nível mais baixo que um homem pode descer diante de Deus (idolatria) e se tornaram MODELOS para todos os filhos de Deus.

Portanto, independentemente de quem você tenha sido ou seja, a Palavra do Senhor pode mudar a sua vida.

II. A Palavra nos faz produtivos, evidenciando a nossa eleição:
Não somos chamados para a contemplação. Somos chamados para as boas obras preparadas por Deus para que andássemos. Façamos a diferença. Sejamos operantes e ativos na Seara do Senhor.

Amém!

Rev. Renato Arbués.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

NUNCA DESISTA!

Algúem comentou ontem que, infelizmente, perdeu a coragem. Já não tem mais ânimo para lutar, está cansado de tanto tentar sem conseguir jamais conquistar o que deseja, enfim, desânimo total. Que pena. Tentou tudo e de tantas maneiras, mas insiste em ignorar a única via possível de realização. "Deus, tu és o meu Deus, outro bem não possuo, senão a ti somente", escreveu o salmista (Sl. 16.2).Vou lutar sempre, como meu amigo aí da charge. O que tiver que virá, virá. Deus já o decretou, eu sei e acredito. Mas Ele, certamente, não decretou a ociosidade e o desânimo como possibilidades legítimas. Definitivamente, isso é coisa para os fracos. Quem são os fracos? Leia Provérbios 23.10.
Um abraço.

Rev. Renato Arbués.