Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

domingo, 1 de setembro de 2013

Medalha ou Coroa?









Na última quarta-feira, a judoca Rafaela Silva ganhou o primeiro ouro de uma mulher brasileira em mundiais de Judô. Aos 21 anos, oriunda da Cidade de Deus, no  Rio de Janeiro, ela venceu uma atleta americana com menos de um minuto de luta. Ouro!

Negra, moradora de uma favela, conheceu o judô num projeto social promovido pelo ex-campeão Flávio Canto. Essa história já teria tudo para servir de inspiração. Não obstante, há mais um detalhe a ser observado. No início da carreira, Rafaela ouviu de um professor que deveria procurar outra coisa para fazer, pois, segundo ele, o judô não seria pra ela.

Que comentário maldoso e desagradável! Não tenho dúvida de que muitas pessoas deixaram carreiras de sucesso por terem ouvido coisas assim. Quem sabe você, leitor, não seja uma dessas pessoas. Hoje, você poderia ser campeão de judô também, ou bailarina, ou médico(a), engenheiro(a), aviador. Infelizmente, porém, disseram que você não podia. E você não pôde.

Ao criar o homem, Deus o fez à Sua imagem e semelhança. Mesmo após o pecado, a Bíblia ainda insiste que o homem é portador da semelhança divina (Gn. 9.6). Isso significa que o potencial humano é incrível. Ganhar uma  medalha de  judô, tornar-se um bom profissional, conquistar fama e poder... Tudo isso é pouco, perto do que o homem pode conseguir. E o que o homem pode conseguir?

Ouçamos Paulo: “Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp. 3.13-14).

Você viu qual o alvo do ser humano? A soberana vocação em Cristo Jesus. É pouco?

O problema é que, ao longo da jornada, uma infinidade de pessoas e situações insistem em dizer que o céu não é pra você. Esqueça-o, procure outra coisa em que ocupar a sua mente e o seu tempo. E, tristemente, alguns de nós acabam dando ouvidos a esses comentários.

Pensamos no céu como um lugar reservado para seres perfeitos, inatingíveis pelas tentações comuns que nos cercam diariamente, santos sem asas. Não é verdade. Se o céu fosse para esse tipo de gente, não haveria necessidade de Cristo morrer na cruz por ninguém. Um céu assim seria meritório e não fruto da graça e do amor divino. Antes, o céu é para pessoas sem prestígio, de acordo com os padrões humanos. O céu, portanto, é para pecadores, como eu e você.

Novamente, ouçamos Paulo: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5.8).

Assim, ficamos entre dois extremos: Há os que dizem que o céu não existe ou, se existe, não é para gente como nós, e outros que afirmam, juntamente com a Bíblia, que o céu é uma dádiva de Deus para os piores pecadores, dentre os quais, nós! Pergunto: A quem você dará ouvidos?


Parabéns a Rafaela que ignorou o comentário depreciativo de um professor. Contudo, com perdão da sinceridade, a medalha reservada a nós é infinitamente superior à medalha de ouro conquistada por ela: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a Sua vinda” (2 Tm. 4.8).

Rev. Renato Arbués.

sábado, 31 de agosto de 2013

SUICÍDIO. O QUE FAZER?



Tempos atrás, um rapaz de 22 anos cometeu suicídio. Mais um na estatística sinistra de casos de suicídios em nossa região. Desde que cheguei a Senhor do Bonfim, impressionou-me a quantidade de pessoas que atentaram contra a própria vida em nossa cidade e em alguns outros municípios, como Campo Formoso, Jaguarari, Filadélfia e Ponto Novo.

Não somos uma região rica. Não há indústrias nessas cidades. As pessoas dependem do comércio, das prefeituras, de bicos e, claro, dos programas assistenciais. Contudo, nosso padrão de vida é bem melhor do que outras microrregiões nordestinas. Logo, é duvidoso atribuir à situação econômica a causa de tantas tragédias.

Há poucas opções de lazer em nossa região. Os jovens, em especial, reclamam bastante disso. Não há rios, cachoeiras, não há teatros ou cinemas. Há um ou outro clube, nos quais se pode jogar futebol, nadar e distrair-se um pouco. Mas, eu e você conhecemos lugares em que as opções de lazer são ainda mais escassas e, de novo, não apresentam tantos suicídios como em nossa região.

O senso comum indica que o índice de divórcios é bem alto por aqui. Famílias são desfeitas com a mesma facilidade com que são formadas. No entanto, desde que o mundo é mundo, há divórcios; e, a bem da verdade, outros lugares apresentam taxas de separação ainda maiores que as nossas e nem por isso as pessoas se matam tanto.

Afinal, qual a grande causa de tantos suicídios entre nós? Solidão, desemprego, abandono, fracasso? Será que um desses itens pode causar tanto desespero a ponto de alguém atentar contra sua própria existência? Será que todos juntos podem causar a desesperadora decisão de acabar com uma vida?

Honestamente, creio que sim e que não. Sim, a solidão pode levar alguém à morte. O desemprego também. Uma discussão áspera entre dois amigos fez com que um deles entrasse num estado de abatimento tão grande que, dois dias depois, enforcou-se. Antes, porém, escreveu um bilhete para o amigo no qual afirmava não perdoá-lo pelas palavras duras que tivera de ouvir de alguém tão querido.

Quando o espírito está fragilizado, qualquer desassossego pode levar alguém ao suicídio. Não é bom, portanto, ignorar a tristeza contínua em alguém que conhecemos. Salomão advertiu: “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos” (Pv.  17.22). Se alguém que você conhece vive triste, acabrunhado, pelos cantos, não custa nada conversar, ouvi-lo, falar de Cristo, passear, enfim, fazer algo para alegrá-lo.

Contudo, solidão, desemprego, fracasso, nada disso pode levar uma pessoa ao suicídio, desde que ela esteja firme no Senhor. A comunhão com Deus faz-nos fortes, alegres, saudáveis emocionalmente. E não custa nada. Orar todos os dias, ler a Bíblia, frequentar a igreja, fazer o bem, perdoar. Aos que fazem isso, jamais faltará o socorro do bom Deus. Como disse Davi: “O SENHOR sustém os que vacilam e apruma todos os prostrados” (Sl. 145.14).

O suicídio é um mal em nossa região. É preciso fazer alguma coisa para ajudar as pessoas que estão tentadas a cometer tal ato. Para isso, é preciso, antes, cuidar da própria saúde espiritual. Cuide de si mesmo e procure livrar “os que estão sendo levados para morte e salvar os que cambaleiam indo para serem mortos” (Pv. 24.11).

Faça isso. Antes que outro jovem faça uma família sofrer!

Rev. Renato Arbués.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

VOCÊ TEM AMIGOS?

Tiago uma vez perguntou: “De onde procedem as guerras?”. Para ele, as guerras procedem “dos prazeres que militam na carne (natureza) humana” (Tg. 4.1). É a ganância que destrói a paz social. Quando conseguirmos dominar nossos impulsos, certamente, o número de conflitos (internos e externos) será reduzido consideravelmente.

Diversos pensadores responderam de forma diferente à pergunta de Tiago e propuseram, também, maneiras de superar o comportamento bélico dos homens. Karl Marx entendia que a luta de classes seria a razão dos confrontos. Freud pensava que problemas de ordem sexual estariam na raiz dos infortúnios. John Lennon (e mais recentemente o Dr. Edir Macedo), apontou a religião como a causa da desgraça humana.

Juntando tudo, uma sociedade sem riqueza, sem restrições sexuais e sem religião, seria perfeita. Salvo engano, o Éden era assim. O final, todos nós conhecemos.

O fato é que é quase impossível aplacar a animosidade entre os homens. De acordo com o site “Consultor Jurídico”, atualmente há 344 conflitos armados castigando o mundo todo. Em 2007, havia apenas 6. Nesse contexto, é deveras importante que consideremos a nossa 7ª bem-aventurança: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt. 5.9).

Os Pacificadores são abençoados porque são totalmente diferentes de todas as outras pessoas. As guerras procedem da natureza pecaminosa do ser humano. Por isso, a educação não resolve esse problema; a igualdade nas relações econômicas também não; a satisfação sexual não diminui o ânimo pelas guerras.

A violência é produzida no homem. Ela vem do coração, a fonte de todos os males. Enquanto o homem estiver produzindo o pecado, não haverá paz. Lloyd-Jones pondera: “Você se surpreende com guerras, pedofilia, tráfico, devassidão? Não deveria. O coração do homem é mau em todos os seus desígnios (Gn. 6.5).”

Por que somos assim? Por que não conseguimos amar sem interesses escusos? Por que não somos capazes de ajudar sinceramente alguém que precisa? O que leva tantas pessoas a se odiarem, a se agredirem?

Estudos indicam que, a cada geração, o círculo de amigos de um homem tem diminuído. Se antes, um adulto mantinha relações sociais com 15, 20 pessoas, hoje, estima-se que os grupos de amizade sejam compostos de, no máximo, 4 pessoas. Imagine isso: Num mundo com 7 bilhões de habitantes, há indivíduos que não conseguem chamar outras 4 pessoas de amigas!

Faltam pacificadores em nossa sociedade. Faltam homens que consigam apaziguar os ânimos inflamados. Precisamos urgentemente de mulheres que tenham palavras de paz, de harmonia. E precisamos logo.

A habilidade de promover a paz é tão importante que, no Sermão da Montanha, Jesus a mencionou como uma das principais virtudes de Seus seguidores. A recompensa para os pacificadores é serem chamados filhos de Deus. O mesmo Jesus, ao se referir ao Diabo, afirmou que a missão do Tinhoso é “matar, roubar e destruir”, ou seja, promover o ódio, a guerra, a separação. Obviamente, aqueles que elegem esse estilo de vida podem, sim, ser chamados de filhos do Diabo. São agentes do mal infiltrados em nossa casa, em nosso ambiente de trabalho, em nossa escola.

Portanto, cuidemos de nosso espírito. Deixemos a mágoa de lado, o ressentimento, a inveja. Procuremos abandonar todo pensamento ruim em relação ao próximo, seja ele quem for. É preciso que aprendamos a enxergar o melhor das pessoas, tê-las como amigas, ajuda-las e ser ajudado por elas.

Quantos amigos você tem?

Rev. Renato Arbués.

domingo, 17 de março de 2013

HABEMUS PAPAM?


O mundo parou para ver a chaminé colocada sobre a Capela Sistina. Se a fumaça fosse preta, decepção. Se fosse branca, habemus papam. E assim, no dia 13/3/2013, pela primeira vez a Igreja Católica tem um Papa oriundo do continente americano. O argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito o 226º mandatário da Igreja Romana, após 5 votações, um dos conclaves mais rápidos da história.

O Papa escolheu o nome de Francisco. Fomos informados que para os católicos romanos há pelo menos 9 santos com o nome de Francisco. A escolha de Bergoglio foi em homenagem a Francisco de Assis, o jovem italiano que aos 24 anos abriu mão da fortuna da família para se dedicar aos pobres.               Seu nome é sinônimo de fraternidade e símbolo de humildade. São Franscisco de Assis é conhecido como protetor dos animais.

O que nós, protestantes, temos com a escolha de um novo Papa? Nada, seria a primeira resposta. Não estamos sob a autoridade do Papa, não o reconhecemos como sucessor de Pedro e não somos ligados à Igreja Católica Apostólica Romana. Portanto, se o Papa é argentino ou brasileiro, se Francisco ou João Paulo, se conservador ou reformista, pra nós, honestamente, não faz a menor diferença.

No entanto, há se de considerar que o Papa é líder de uma igreja com mais de 1 bilhão de fiéis e que, para todos os efeitos, é uma igreja cristã. Então, alguma coisa nós temos, sim, com ele. De certa forma, o mundo o reconhece como um porta-voz legítimo do pensamento da cristandade. Logo, o que o Papa diz, diz em nome de “todos” os cristãos. Pelo menos é assim que governos, intelectuais e pessoas simples escutam as palavras de Francisco.

E o que Francisco diz? Muito pouco. Claro, o homem é Papa há menos de uma semana. Contudo, provavelmente, ele não mudará de posição acerca de assuntos polêmicos, sobre os quais já se posicionara, como o aborto e o homossexualismo. Sobre o aborto, ele afirma ser crime. Sobre o outro tema, ele disse: “O plano de Deus para a família é que ela seja feita a partir de um homem e de uma mulher”.

Vê-se, por essas declarações, que alguma coisa nós temos com o Papa. E não é a coragem nem a coerência. Alguns cristãos reformados acham normal o casamento homossexual (é direito deles, dizem) e não poucas mulheres defendem o direito ao aborto. Temos em comum com o Papa a visão sobre o aborto e sobre a homossexualidade.

E daí? Pergunta você. Quer dizer que por isso, a partir de agora, serei mais um defensor do Papa? Com certeza, não. Continuamos sem ter nada que nos ligue com o papado romano. Mas, uma coisa podemos aprender com ele: É preciso defender com mais veemência nosso pensamento, nossa fé, nossa cosmovisão.

Será que, para o mundo conhecer o pensamento cristão sobre temas polêmicos, precisaremos continuar dependendo da proclamação Habemus Papam?

Deus queira que não.


Rev. Renato Arbués.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Deus e as tragédias


“O Brasil está de luto”, essa frase foi dita em tom dramático pela presidente Dilma Roussef, assim que soube da tragédia ocorrida na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Numa boate repleta de estudantes universitários, um incêndio destruiu a vida de 236 jovens, deixando outros tantos feridos em estado grave.

Muitas perguntas sem respostas. O que aconteceu? Como o incêndio começou? Quem é responsável? Por que não havia saídas de emergência? Quem permitiu aquela lotação?

Mas, uma pergunta insistiu em nos atormentar. Não se trata de uma pergunta original. Sempre que há uma tragédia, alguém a propõe. A pergunta é: “Onde Deus estava naquele momento?” Na verdade, o que se quer saber é: “Por que Deus não impediu que a tragédia acontecesse?”

Deus não precisa de advogados de defesa. E, se precisasse, certamente não me escolheria para tal função. No entanto, creio que podemos, com a orientação da Bíblia, tecer alguns comentários sobre essa tragédia e o papel de Deus na história humana.

Em primeiro lugar, precisamos compreender algo muito valioso ao falarmos de Deus. Ele diz em Ez. 33.11 que não tem prazer na morte do ímpio. Eis as Suas palavras: “Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?”

Pra quem não está muito familiarizado com a linguagem da Bíblia, um esclarecimento. O adjetivo “ímpio” é o mesmo que “incrédulo”, “aquele que não vive de acordo com a vontade de Deus”, ao contrário, conduz a sua vida de acordo com seus desejos e preferências. Resumidamente, ser ímpio é não temer a Deus, não estudar a Bíblia, não orientar suas decisões de acordo com a Santa vontade do Senhor.

É muito fácil concluir que Deus não Se importa com quem não se importa com Ele. Aliás, não haveria nada de absurdo se Deus simplesmente ignorasse a situação de todos aqueles que o desprezam. Mas não é isso que Ele faz. Ele diz que não sente prazer quando um ser humano morre, seja esse ser humano crente ou não, amando a Deus ou não.

Portanto, que isso fique bem claro: Deus não sente prazer quando acontece uma tragédia. Ele também não fica feliz quando morre uma pessoa apenas. Não importa a quantidade: Todos os seres humanos foram criados por Deus e são portadores da Sua imagem e semelhança.

Mas, então, por que Ele não evitou que o acidente acontecesse? Essa pergunta exige uma reflexão séria, respeitosa e humilde. Nossa regra de conduta é a vontade revelada de Deus. Aquilo que Ele falou por meio dos profetas e apóstolos, nós podemos falar. Aquilo que Ele não revelou, pertence a Ele somente.

Assim, com base no que sabemos da natureza de Deus, tal qual revelada nas Escrituras, podemos refletir algumas coisas:

Deus não tem prazer na morte de ninguém, porém, ainda assim, as pessoas morrem. E não importa quais pessoas: tementes a Deus ou não, um dia, todos morrem. Homens morrem, mulheres morrem, velhos morrem, crianças morrem, jovens morrem. Vale lembrar que o próprio Filho de Deus morreu. E morreu tragicamente, pendurado numa cruz, nu e humilhado.

Isso significa que Deus não Se obrigou a proibir as coisas que Ele não gosta. Ele não tem prazer na morte dos humanos, mas os humanos morrem. Deus não tem prazer na mentira, mas tolera a mentira dos homens. Deus não tem prazer na inveja, mas permite que nós sejamos, em alguns momentos da vida, invejosos. Deus não se agrada da violência, mas os homens são violentos. Deus não tem prazer na traição, mas as pessoas são infiéis todos os dias.

Ou seja, Deus não é um Ser tirano, que controla as pessoas como marionetes. Não. Aliás, nenhum homem gosta de pensar em um Deus assim!

Como presbiteriano, eu creio que todas as coisas acontecem de acordo com a vontade de Deus. Ele é soberano sobre todas as coisas. Mas, ao defender essa minha crença diante de outras pessoas, sou logo retrucado: Mas, como Deus pode determinar todas as coisas? Não, o homem é livre e tem livre-arbítrio.

Respeito as opiniões diferentes da minha. Embora não consiga entendê-las. Acho curioso que o mesmo homem que se recusa a aceitar que Deus dirija a sua vida, é o mesmo homem que obrigue Deus a livrá-lo das consequências de suas escolhas. Funciona assim: Eu faço o que eu quero, sem considerar a vontade de Deus. Mas, toda vez que eu tiver em perigo, Deus tem a obrigação de me livrar, senão Ele não é Deus! Você, caro ouvinte, consegue entender isso?

Na verdade, somos pequenos demais para entender as coisas que Deus faz ou as coisas que Ele não faz. Num momento de dor como esse, não é hora de pensamos sobre o porque disso ou daquilo. Creio que o deveríamos fazer era buscar em Deus a única coisa que realmente pode ajudar aqueles pais que estão tristemente feridos, a saber, pedir o consolo de Deus.

A Bíblia diz assim em 2 Coríntios 1.3-4: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus”.

A morte chega a todos nós. Bons ou maus, ricos ou pobres, altos ou baixos. Todos morrem. Por isso, temos a necessidade de fazermos boas escolhas na vida. Escolher amar a Deus, amar as pessoas, viver bem com a família, fazer o bem.

No final de tudo, não levaremos nada para o outro mundo. Tragédias acontecem numa boate ou numa Igreja. Bendito seja Deus que nos livrou até agora de todo mal. E que esse mesmo Deus continue a nos livrar. Porém, se tivermos de passar por momentos difíceis, que Ele nos dê todo o consolo necessário. Assim como certamente Ele está consolando os familiares e amigos dos 235 jovens mortos no Rio Grande do Sul.


Rev. Renato Arbués.

sábado, 29 de setembro de 2012

O QUE QUEREM OS CRENTES?


             Afinal, o que querem os crentes? A pergunta é “plagiada”. Quando Freud investigou, por assim dizer, as condições de vida e o que exigiam as mulheres, ele questionou: “Afinal, o que querem as mulheres”. Seu questionamento era cheio de ironia e reprimenda. Nossa indagação, frise-se, não é feita com ironia. Talvez com um tom de advertência.

                Voltemos à questão. Se somos crentes, é porque fomos chamados por Deus, regenerados por Seu Santo Espírito, justificados sob a base da justiça de Cristo (bênção apropriada por meio da fé) e, também por meio da obra do Espírito Santo, vivemos em santidade, rumo à perfeição, conforme nos orienta o apóstolo Paulo (Fp. 3).

                Podemos simplificar a resposta. Somos crentes porque Deus quis. É assim que o apóstolo João entendia o fato de alguém servir a Deus. Para João, “nós o (a Deus) amamos, porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo. 4.19).

                Entre a complexidade da primeira resposta e a objetividade da segunda, é possível escolher uma terceira, que abranja as duas e acrescente algo mais. É a resposta que já conhecemos e aceitamos. Também a subscrevemos, se somos cristãos presbiterianos. É a resposta que o Catecismo Maior de Westminster oferece:

Pergunta 1: Qual é o fim principal do homem?
Resposta: O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.

                Você percebeu que a pergunta se refere ao fim (objetivo, finalidade) do homem, independentemente de ele (o homem) aceitar a existência e o senhorio de Deus, ou não. Todo homem precisa ter, como objetivo de vida, render glórias a Deus e desfrutar (gozar) dEle para sempre. Se isso é exigido até mesmo do homem que não conhece a Deus, o que devem fazer os que são feitos “filhos de Deus, a saber, os que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo. 1.12-13)?

                Glorificar a Deus, eis o que os crentes devem querer. Mas, o que é e como conseguir glorificar a Deus?

                O verbo “glorificar”, aparece 13 vezes no hebraico bíblico. Ele é derivado do substantivo “glória”. A palavra descreve “beleza” no sentido de realçar a aparência característica da pessoa. Portanto, glorificar a Deus é ressaltar, num mundo imundo, a dignidade do Senhor nosso Deus.

                Para isso, precisamos saber quais as características da pessoa a quem vamos glorificar. Quem é o nosso Deus?

                A primeira afirmação bíblica acerca de Deus é a de que “no princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn. 1.1). E, quando a obra criadora é finalizada, o texto sagrado afirma o seguinte: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gn. 1.31). Descobrimos, então, que nosso Deus além de poderoso, é caprichoso. Quando Ele decidiu fazer algo, Ele fez muito bem feito.

                E será dessa forma que o filho de Deus irá glorificar o Seu Nome. O cristão deve mostrar ao mundo, e a si mesmo, que há algo a ser feito, e que precisa ser muito bem feito para a glória de Deus. Salomão compreendeu isso. Ele escreveu: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças...” (Ec. 9.10).

                Meu irmão, cada uma das pessoas amadas por Deus, recebe dEle uma comissão, uma obra, um serviço, um ministério. Chame como quiser. E para a execução desse serviço, Deus também outorga os talentos, as habilidades necessárias. Paulo ensina: “E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens” (Ef. 4.7-8).

                Por essa razão, há dois tipos de pessoas que não têm lugar no Reino de Deus: os inúteis (os que não fazem nada) e os incompetentes (os que fazem mal feito). Os primeiros (os inúteis) são transformados pelo Espírito Santo e passam a produzir frutos vistosos, maravilhosos e profícuos. Quando aos últimos (os incompetentes), o mesmo Deus os aperfeiçoa, de maneira que são capazes das maiores realizações na força do Santo Espírito.

                Eu não sei pra que tipo de missão você foi chamado. Eu sei que, se você é crente, algum tipo de vocação, e as habilidades para desenvolvê-la, você, meu irmão, possui. Não permita que as ocupações com este mundo impeçam você de glorificar o nome de Deus. Você é crente para isso!

                A Bíblia também diz que Deus “não é homem para mentir” (Nm. 23.19). Logo, todo o que pretende glorificar a Deus, realçando Suas características, deve ouvir o ensino de Paulo: “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros” (Ef. 4.25).

Enfim, se o que os crentes querem é glorificar a Deus, devem fazer isso vivendo de maneira que agradem ao Senhor, manifestando em suas vidas a beleza do Pai das Luzes, a fim de calarmos o nosso adversário.

Reflita bem, cristão. Afinal, como filho de Deus, o que você quer?

Rev. Renato Arbués.



sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Nossa Sagrada Família


Todo mundo já viu um quadro com esse título. José, Maria e Jesus são retratados como símbolos “perfeitos” da Trindade. A harmonia dessa família é um espelho da relação amorosa e íntima existente entre as três pessoas da Trindade.

Como símbolo, não há problema algum em se falar assim. A família, não há dúvida, foi “inspirada” no modelo trinitário. Ela deve ser reprodutora do padrão divino. Um padrão em que há amor, respeito, divisão do trabalho, objetivos comuns, conversas. Várias vezes no Evangelho lemos Jesus dizer que amava o Pai. Em outras ocasiões, Ele dizia que era preciso “ir” para o que o outro Consolador pudesse “vir” (respeito). Também é claro que, na nossa salvação, cada pessoa da Trindade realiza uma “tarefa” distinta (o Pai enviou o Filho; o Filho morreu na cruz; o Espírito aplica a obra redentora na vida do cristão). O objetivo? Ora, salvar o pecador, sim; mas, também, que toda a glória fosse oferecida a Deus. Por fim, desde o relato da Criação, encontramos passagens bíblicas que falam do “conselho”, do “conselho da Sua vontade”. Ora, “conselho” nada mais é do que uma decisão tomada em conjunto.

Assim, parece óbvio que não só a família de José, Maria e Jesus era um tipo da Trindade. A minha família também o é. A sua, idem. As famílias de todos os que serviram e servem a Deus são chamadas para refletir a beleza da relação trinitária. Não por acaso, Deus disse as benditas palavras à família de Abraão: “[...] em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn. 12.3). Que privilégio, pois, termos uma família que represente a Trindade! Que graça maravilhosa a de Deus, em não apenas nos dar o prazer de viver em comunhão, mas de abençoar essa comunhão de tal maneira que outros – que vivem em conflito ou que não têm família – sejam “benditos em nós”.

Tal verdade deveria nos encher de alegria, gratidão e amor a Deus. Ainda mais considerando a situação do mundo que vivemos. Quantos há que não sabem o que significa “viver em família”? Quantos, neste momento em que você lê essas palavras podendo olhar para o lado e ver ser/sua esposo/esposa, abraçar o seu filho, quantos não podem fazer isso porque foram privados da comunhão familiar ou ainda não a puderam experimentar? Quantos estão de coração partido pela dor da perda de um ente querido?

Por isso, pense bem, meu irmão ou minha irmã, pense muito bem em como você vive sua vida familiar. O tempo passa muito rápido. Infelizmente, talvez não alcancemos todas as coisas que almejamos; muitos projetos serão deixados para trás nessa vida. O que parece tão certo e seguro hoje, amanhã pode se tornar “pó e cinza”.

Será que vale a pena “correr tanto atrás do vento” à custa de momentos de comunhão com nossa família? Será que dinheiro, títulos, diplomas, vão nos marcar tanto quanto uma conversa carinhosa com nosso filho?

Certamente, você não se lembra de quantas vezes já foi chamado de senhor ou senhora, de doutor, professor, chefe, patrão ou coisa que o valha ao longo da vida. Não se lembra porque muitas dessas vezes foram meras formalidades, palavras destituídas de sentimentos como carinho e respeito. Porém, nunca se esquecerá daquele momento singular em que seu filho o chamou de “papai ou mamãe” pela primeira vez!

O tempo passa. E você aprenderá de uma maneira muito dolorosa que a nossa sagrada família não dura para sempre. Que as palavras de Jesus – “até que a morte os separe” – também se referem a nós. E, então, quando esse dia chegar, você só terá duas coisas em que se apoiar: na certeza da ressurreição e, portanto do reencontro, e nas lembranças dos bons momentos vividos.

Pense nisso!

Rev. Renato Arbués.