Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Falando de depressão

Reprodução de uma conversa despretensiosa entre um pastor e um membro de igreja sobre a depressão à luz das Escrituras Sagradas.

Membro: Pastor, a Organização Mundial de Saúde (OMS) em um estudo de 1990 comparando doenças, relata que a depressão foi a 4ª causa de incapacidade relacionada à saúde. E estima que em 2020, será a 2ª, perdendo apenas para problemas cardíacos. Estimativas dão conta de que há no mundo cerca de 121 milhões de pessoas deprimidas. Afinal, não há como vencer a depressão?

Pastor: Há sim. Mas pra isso, precisamos conhecer e crer no que as Escrituras dizem sobre essa e todas as demais doenças do homem.

Membro: É comum ouvir pessoas dizendo que a depressão é causada por pecado, rebeldia a Deus ou fraqueza espiritual. Pode-se dizer que a depressão vem, de fato, de uma dessas razões?

Membro: Olha, irmão, antes de tudo é preciso esclarecer uma coisa. Somos crentes e estudamos a Bíblia com o auxílio da Teologia. O médico tem os seus métodos de estudo, o psicanalista tem os deles, o psiquiatra... Assim por diante. O teólogo tem a Bíblia. Então, quando falamos de qualquer assunto, falamos a partir da perspectiva bíblica.

                Há vários fatores encontrados na raiz da depressão: uma enfermidade, mudanças hormonais, problemas financeiros, culpa sentida ante algum erro, autocompaixão, tristeza pela perda de alguém etc. O fato que aprendemos pela Bíblia, e que eu considero o mais relevante no tratamento da depressão, é que ela não resulta diretamente de nenhum desses fatores.

Membro: Como assim, isso quer dizer que uma pessoa deprimida não deve dizer que a sua depressão foi causada por uma enfermidade, por exemplo?

Pastor: Diretamente, não. A depressão vem de um processo dentro do qual o problema inicial é manipulado de forma errada de tal modo que acaba sendo ampliado e desemboca no desespero.

Membro: Há algum texto bíblico que possa corroborar essa afirmação?

Pastor: A Bíblia não é um livro escrito em linguagem científica. Ela não trata de assuntos por tópicos, como um livro didático. Certas verdades devem ser inferidas do ensino amplo das Escrituras. Mas, nós podemos ler o texto de Provérbios 5.21-22: “Porque os caminhos do homem estão perante os olhos do SENHOR, e ele considera todas as suas veredas. Quanto ao perverso, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido”.

Membro: Ou seja, embora a depressão não seja causada diretamente pelo pecado, entretanto, ele se encontra presente no processo!

                Há, então, alguma coisa a se fazer para começar a lutar contra a depressão? O que a Bíblia ensina?

Pastor: Irmão, à medida que o pecado vai descendo, também vai puxando para baixo o pecador, capturando-o e aprisionando com as suas cordas que vão se apertando mais e mais. É o que Salomão diz, o pecador é aprisionado pelas cordas de seu próprio pecado. Então, a primeira coisa que o amigo que luta contra a depressão deve tentar fazer é interromper os hábitos pecaminosos. É preciso parar de alimentar o depósito da depressão.

Membro: Ou seja, se na raiz da depressão está o ódio, deve-se tentar parar de odiar, esforçando-se por perdoar. Se for a tristeza, deve-se lutar contra ela, tentando-se alegrar no Senhor e nas coisas criadas por Ele.

Pastor: Exatamente. Parece simplista, mas não é. Lembre-se de que não estamos falando da cura da depressão. Estamos falando do primeiro passo em direção a ela. É importante dizer que a depressão não é inevitável e jamais chega a um estado que não possa ser contra-atacada. A depressão pode ser revertida em qualquer ponto, através da ação bíblica, no poder do Espírito Santo.

Membro: Portanto, apesar do pecado estar no processo que deflagra a depressão, não é pecado ficar deprimido. E sempre há possibilidade de cura, em Cristo Jesus, por meio das Escrituras Sagradas.

Renato: Se Cristo pôde ressuscitar os mortos pela Sua Palavra, é lógico concluir que Ele também pode curar um depressivo por essa mesma Palavra.

Membro: Amém!

Rev. Renato Arbués.

sábado, 18 de julho de 2015

E o amanhã?

No livro “Alice no País das Maravilhas”, há uma cena em que Alice chega a uma bifurcação na estrada. Um pânico gelado toma conta da menina, enquanto ela fica paralisada pela indecisão. Ela levanta os olhos ao céu, procurando uma direção. Seus olhos não encontram resposta, mas somente o gato Cheshire sorrindo para ela de seu galho numa árvore.

Alice pergunta: “Por qual caminho devo ir?”. “Isso depende...” disse o gato, fixando um sorriso sardônico na confusa garota. “Depende de quê?”, quer saber Alice. “Ora, depende do seu destino. Para onde você está indo?”. “Eu não sei”, hesitou Alice. “Então, não importa que caminho seguir, não é verdade”?

Esse trecho é bastante revelador do que acontece com muitas pessoas hoje em dia. Elas se sentem confusas, sem saber que caminho seguir, para que direção devem conduzir suas vidas. Mas, se alguém fizer a elas, a mesma pergunta que o gato fez a Alice, elas também responderão como a garota. Estão perdidas, não sabem para onde ir e, consequentemente, não sabem que caminho escolher.

Para o filho de Deus, tanto o destino como o caminho são importantes. Cada um de nós tem um destino no reino de Deus. Somos, como ensinou o apóstolo Pedro, um povo peregrino, um povo que se move. Mas sabemos para onde nos movemos. Estamos a caminho da Terra Prometida, do lugar que Jesus conseguiu para nós, por meio da Sua morte na cruz.

Mas, embora saibamos para onde estamos indo e temos a certeza de não caminharmos sozinhos, a verdade é que alguns aspectos do nosso futuro pessoal são desconhecidos para nós.

Eu sei o que o futuro me reserva: um lar celestial. Mas o que dizer do amanhã? É natural que nos sintamos tão ansiosos pelo futuro próximo como as outras pessoas.

A preocupação excessiva com o destino oculto pode encher uma pessoa de medo. O poder paralisador da preocupação, conforme escreveu R. C. Sproul, pode obstruir nossas ansiedades. Se a prostituição é a mais velha das profissões, certamente a previsão da sorte está em segundo lugar.

Pessoas que dizem ser capazes de ler a sorte ganham muito dinheiro e disputam a fama com as celebridades. Há algum tempo, um programa de televisão apresentou uma senhora que diz ser capaz de adivinhar o futuro a partir da borra do café, deixado na xícara. Outras pessoas têm examinado entranhas de lagartos, peles de cobra, ossos de coruja, búzios, o horóscopo diário e predições diversas – tudo para ganhar uma pequena margem de segurança contra um futuro desconhecido.

E quanto ao cristão? Ora, o cristão deve fazer apenas uma pergunta: “Qual é a vontade de Deus para a minha vida?”.

Os pregadores antigos nos advertem quanto a esse assunto. Buscar a vontade de Deus pode ser um exercício de piedade ou de impiedade, um ato de humilde submissão ou um ato de ultrajante arrogância – dependendo de que vontade de Deus nós estamos procurando.

Procurar descobrir aquilo que Deus não tem desejado revelar é interferir nas coisas sagradas que estão fora dos limites. Moisés escreveu: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt. 29.29). João Calvino coloca desta maneira: “Onde Deus cerrou Sua santa boca, eu desistirei de inquirir”.

Por outro lado, é um prazer para Deus ouvir as orações do Seu povo quando eles perguntam: “Senhor, o que queres que eu faça?”. O cristão busca a Deus procurando suas ordens, querendo saber que curso de ação é agradável a eles. Esta busca da vontade de Deus é uma busca santa – que deve ser conduzida com vigor pela pessoa piedosa.

Rev. Renato Arbués.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Pensando sobre a bebida

Discutir se o cristão pode ou não consumir bebida alcoólica é, sem dúvida, um tema delicado. É preciso prudência ao abordá-lo e, também, maturidade espiritual para aceitar o que diz a Bíblia sobre isso, e não o que pensa o homem. Há várias maneiras de se analisar o uso do vinho. Duas são, pra nós, oponentes: a visão cultural e a religiosa. Vejamos:

As Escrituras veem o vinho sob dois ângulos diametralmente opostos. Elas falam do vinho favoravelmente, por exemplo, ao falar da Lei dos Dízimos, Moisés escreveu: “Esse dinheiro, dá-los-ás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, ou ovelhas, ou vinho, ou qualquer coisa que te pedir a tua alma; come-o ali perante o Senhor, teu Deus, e te alegrarás, tu e a tua casa” (Dt. 14.26). O salmista Davi, no Salmo 104, bendiz a Deus, o Criador. Ele enumera várias das obras de Deus. No verso 15, ele afirma: “Deus fez o vinho, que alegra o coração do homem, o azeite, que lhe dá brilho ao rosto, e o alimento, que lhe sustém as forças” (Sl. 104.15).

No entanto, as Escrituras também falam do vinho também negativamente. O profeta Isaías adverte: “Ai dos que são heróis para beber vinho e valentes para misturar bebida forte” (Is. 5.22). O rei Salomão disse: “Quem ama os prazeres empobrecerá, quem ama o vinho e o azeite jamais enriquecerá” (Pv. 21.17).

E, então? Dá-se o caso de contradição?

Não. O NT mantém uma atitude em relação ao vinho semelhante àquela que se revela no AT. De um lado, é uma das dádivas da criação de Deus, a ser desfrutada; de outro, abster-se de beber vinho pode ser necessário por amor ao evangelho. Em suma, recomenda-se MODERAÇÃO. Mas, a moderação não pode ser confundida com licensiodade.

Além disso, há que se considerar mais dois fatores: 1º. O irmão mais fraco: Paulo nos adverte, em Romanos 14, a levarmos em consideração o pensamento do irmão mais fraco em relação a alguns assuntos. Não que nossa vida seja conduzida pela consciência alheia. Mas, que é preciso considerar a opinião de todo o corpo de Cristo antes de se adotar qualquer comportamento. 2º. A Cultura: É impossível dissociar testemunho de cultura. Na nossa cultura, o vinho não é bem visto por alguns cristãos. Logo, qualquer que seja minha posição sobre esse tema, eu deve considerar esse fator.


Pra resumir, irmão, a orientação do Espírito Santo pela Palavra e uma boa dose de bom senso, acima de tudo.


Rev. Renato Arbués.
Fontes diversas.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O cristão e a honestidade

Deus requer e merece honestidade. A Bíblia diz no Salmo 51.6 “Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma”.

A desonestidade causa dor e dura tanto quanto a ferida física. A Bíblia diz em Provérbios 25.18 “Malho, e espada, e flecha aguda é o homem que levanta falso testemunho contra o seu próximo”.

O Senhor não aprova desonestidade em transações de negócios. A Bíblia diz em Provérbios 20.23 “Pesos fraudulentos são abomináveis ao Senhor; e balanças enganosas não são boas”.

Seja honesto. A Bíblia diz em 1 Tessalonicenses 2.3 “Porque a nossa exortação não procede de erro, nem de imundícia, nem é feita com dolo”; 2 Coríntios 8:21 “Pois zelamos o que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens”.

Honestidade é parte de dois mandamentos. A Bíblia diz em Êxodo 20:15-16 “Não furtarás”;  “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”.

Os líderes apreciam aqueles que dizem a verdade. A Bíblia diz em Provérbios 16.13 “Lábios justos são o prazer dos reis; e eles amam aquele que fala coisas retas”.

A verdade é mais valiosa que os elogios. A Bíblia diz em Provérbios 28:23 “O que repreende a um homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua”.

Os filhos de pais honestos são bem-aventurados. A Bíblia diz em Provérbios 20:7 “O justo anda na sua integridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele”.

Diga sempre a verdade. A Bíblia diz em Provérbios 12:13-14 “Pela transgressão dos lábios se enlaça o mau; mas o justo escapa da angústia. Do fruto das suas palavras o homem se farta de bem; e das obras das suas mãos se lhe retribui”.

Lucro fraudulento não traz felicidade. A Bíblia diz em Provérbios 20:17 “Suave é ao homem o pão da mentira; mas depois a sua boca se enche de pedrinhas”.

As riquezas que foram ganhas desonestamente não duram. A Bíblia diz em Provérbios 21:6 “Ajuntar tesouros com língua falsa é uma vaidade fugitiva; aqueles que os buscam, buscam a morte”.

Siga os caminhos de Deus. A Bíblia diz em Provérbios 11:1 “A balança enganosa é abominação para o Senhor; mas o peso justo é o seu prazer”.

Deus prefere que sejamos honestos de que darmos ofertas. A Bíblia diz em Provérbios 21:3 “Fazer justiça e julgar com retidão é mais aceitável ao Senhor do que oferecer-lhe sacrifício”.

Rev. Renato Arbués.


terça-feira, 14 de julho de 2015

Raca

RACA é provavelmente uma palavra aramaica (reca), que significa “patife” ou “tolo”. O termo hebraico REQUIM é usado no AT para indicar os “inúteis”.

A palavra RACA está presente em Mt. 5.22, quando Jesus dá um novo espírito à lei do homicídio. Não se trata realmente da questão de matar, mas também depende da própria disposição do coração. Aos crentes não é permitido chamarem a seus irmãos por nomes inconvenientes por motivo de ressentimento. Na ética neotestamentária, essa é uma transgressão tão grande como o assassinato já realizado.

Rev. Renato Arbués.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Livros Apócrifos

O que são livros apócrifos?

A palavra “apócrifo” vem do idioma grego e significa “oculto”, “secreto”. Livros apócrifos são escritos judaicos surgidos na Palestina e em parte da Diáspora, durante o período que vai do século III a. C. até o século I d. C.

O assunto principal desses livros são as lutas pela sobrevivência das comunidades judaicas na Palestina, a fuga para o Egito, a tentativa de restabelecimento monárquico com os hasmoneus e a opressão e exclusão sócio-religiosa perpetrada pelos romanos a partir do século II a. C.

Os livros apócrifos mais conhecidos são:

Do Antigo Testamento: Judite, Sabedoria, Tobias, Baruque, 1 e 2 Macabeus.

Do Novo Testamento: Evangelho de Tomé, Evangelho de Pedro, Evangelho de Nicodemos, Atos de Pedro, Atos de Paulo, Epístola de Paulo aos Laodiceus, A Assunção da Virgem, Apocalipse de Tomé e Apocalipse de Pedro.

Vale lembrar que esses livros não são canônicos, portanto, não possuem autoridade bíblica como os demais. Sua utilidade é condicionada, não podendo nenhum deles sustentar ou ensinar qualquer doutrina que não apareça nos livros canônicos.

Rev. Renato Arbués.
Fontes diversas.


sábado, 11 de julho de 2015

Pensando sobre Prosperidade!

Estudar a Bíblia, comparando o que os homens dizem que elas ensinam, com o que, de fato, está escrito, é um exercício fascinante. Infelizmente, algumas ideias sobre Deus são demasiado humanas. Pior, algumas ideias, além de humanas, contradizem o relato bíblico.

Teologia da Prosperidade! É um movimento surgido dentro de algumas igrejas e que também é conhecido como “Confissão Positiva”. É comum ouvir da boca de pregadores e crentes da Teologia da Prosperidade coisas do tipo: “Você é filho do Rei, não tem por que ter uma vida derrotada” ou “Declare as bênçãos de Deus sobre sua vida” ou ainda: “o verdadeiro filho de Deus não fica doente; Deus honra seu povo”! E outras expressões afins.

Ser derrotado, para a Teologia da Prosperidade, pode ser sinônimo de ser pobre. O cristão – dizem – não pode passar dificuldades financeiras. Se isso acontece, das duas uma: a) ou ele não confia em Deus; b) ele está em pecado!

Pois bem, vamos ler as Escrituras Sagradas. Há um trecho que, creio eu, todos devem conhecer: A Parábola do Homem Rico e Lázaro. Está registrada em Lucas 16.19-23. Leia-a, por favor.

É preciso ter cuidado para não deduzir coisas que a parábola não ensina. Jesus não ensinou que todos os ricos vão para o inferno, nem que todos os pobres vão para o céu. Não há elogio nem desprezo à condição social de nenhum dos dois personagens.

Somos colocados diante de um quadro que ilustra bem as palavras de Salomão em Provérbios 13.7: “Uns se dizem ricos sem terem nada; outros se dizem pobres, sendo mui ricos”.

Como alguém escreveu: “Quando os bens materiais foram deixados para trás, quando o rico foi para o túmulo, onde essas coisas não têm valor algum, ele nada tinha para levar consigo à eternidade. Possuía riquezas na terra, mas nenhum tesouro no céu. Sendo rico, certamente ele tinha muitos amigos, mas não tinha O amigo e advogado à destra de Deus. Comia manjares e as mais nobres refeições, porém não teve direito ao Pão da vida. Sua riqueza não era verdadeira riqueza, pois estava sem Cristo, sem fé, sem perdão e sem santidade. Quando morreu foi para o inferno. Na verdade, o homem rico era desesperadamente pobre.”

Ora, se bens materiais não nos darão direito ao mais importante dos bens, a vida eterna; se riquezas na terra não nos garantirão um tesouro no céu; se saúde física não garantirá a saúde espiritual... Como viver em função dessas coisas? Como buscar a Deus a fim de apenas receber recompensas materiais, como: riqueza, prosperidade, saúde, abundância...?

Não estamos negando o valor dessas coisas. Nós as buscamos pelos meios estabelecidos por Deus: “Com o suor do teu rosto comerás...”, é a ordem divina! O trabalho é o meio deixado por Deus para conquistarmos o pão de cada dia.

O que estamos questionando é a incessante busca por parte dos crentes de bens e coisas, de felicidade na terra, de abundância de manjares, enquanto as “coisas lá do alto” são deixadas em segundo plano!

Lázaro não tinha nada neste mundo. Porém, no sentido mais elevado, Lázaro era rico. Era um filho de Deus, com uma herança no céu. Suas riquezas eram duradouras e verdadeiras. Lázaro se alimentava do Pão da Vida.

Ora, pelo critério de hoje, certamente alguns diriam que o “abençoado” era o rico; enquanto Lázaro deveria confiar mais em Deus, fazer um voto, preencher um envelope, colocar dinheiro dentro e esperar que Deus lhe respondesse!

O Pr. Francisco Belvedere Neto, da Igreja Metodista, escreveu que: “a teologia da prosperidade une o fútil ao desagradável, ou seja, é uma mistura de ganância e comodismo. Os adeptos da teologia da prosperidade acham que nós temos direito de reivindicarmos o que quisermos de Deus, esquecendo da soberania divina”.

É estranho distorcer a Palavra de Deus para fazê-la dizer o que nenhum dos santos profetas disse. Vamos à Bíblia:

Mt. 6.19-21: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.

Ora, se Jesus ensinou que não devemos “acumular” é fácil concluir que não devemos “procurar” também!

1 Tm. 6.6-10: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”.

É quase possível ouvir algumas pessoas dizendo: “Mas, e o texto de Filipenses?”. Vamos lê-lo? Fp. 4.13: “tudo posso naquele que me fortalece”. Kenneth Hagin tem um livro muito famoso aqui no Brasil: O Nome de Jesus. Esse autor em outro texto escreveu que Paulo, nessa passagem, ensina que não há nada que Deus não possa fazer na vida dos que creem; que só é preciso ter fé, que tudo que você pedir, vai acontecer!

Depois de ler isso, concluímos uma de duas coisas sobre Kenneth Hagin: ou ele ensinava o que não fazia; ou ele não gostava de seus familiares. Sim, porque a pesquisadora de religiões Mary Schultz conta que o cunhado e a irmã de Kenneth Hagin morreram de câncer e que ele mesmo usou óculos até morrer! Se eu fosse maldoso, perguntaria: “Por que ele não declarou a cura para si mesmo e para os que ele amava?” Vai saber!

Mas voltemos a Fp. 4.13. Qualquer aluno da pré-escola sabe que antes do 13 vem o 12, e que antes do 12 vem o 11...  Afinal, do que Paulo tratou no capítulo 4 de Filipenses?

v. 10: “Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade” ð Paulo, em mais de uma ocasião, recebeu dinheiro daquela igreja para suprir as suas necessidades de comida e de abrigo.

vv. 11-12: “Digo isto não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez.”

Eis do que trata Paulo. Ele aprendeu a enfrentar QUALQUER situação, fosse riqueza, pobreza, saúde, doença... Tudo ele podia enfrentar naquele que fortalece o homem: Cristo.

Quando eu era seminarista em São Paulo, ouvi um testemunho impressionante: um rapaz crente havia ido buscar a noiva na porta do colégio quando foi abordado por dois assaltantes. Deram-lhe dois tiros: um na cabeça e outro no ombro. O rapaz sobreviveu e a igreja estava em festa porque ele estava ali dando aquele testemunho de fé!

Louvado seja Deus que nos livra da morte. Vários de vocês que leem esta pastoral podem contar coisas tão maravilhosas quanto essas: um livramento da morte certa; a cura de uma doença quase fatal; Deus restabelecendo um lar... Isso tudo é digno de louvores a Deus.

Mas, e quantos aos demais leitores que nunca levaram um tiro e nunca estiveram no leito de uma UTI? O que dizer de quem nunca teve de lutar contra uma doença grave? De quem nunca foi assaltado? Será que Deus também não foi bondoso com vocês?

Eu já fui assaltado. O bandido colocou a arma na minha cabeça e disse que ia atirar. Graças a Deus não o fez. Meu irmão vive em Brasília há mais de 10 anos. Nunca teve uma arma apontada para ele. E eu creio que o mesmo Deus que cuida de mim, cuida também do meu irmão!

Apesar de terem sido tão diferentes em suas vidas, tanto Lázaro como o homem rico chegaram ao mesmo fim. Ambos morreram. Este é o destino de todos os homens, e também será o seu e o meu. A morte é o grande inimigo que ninguém pode vencer. Ela não poupa pessoa alguma; e não esperará até que você esteja pronto. A morte virá na hora estabelecida por Deus.

Todos os homens conhecem esses fatos, os que creem na Teologia da Prosperidade e os que não creem. Porém, a maioria não os percebe como realidade. Se os percebessem, fariam algo a respeito.

Por isso, não coloquem seus corações neste mundo agonizante. Você pode até ganhá-lo, mas perderá a sua alma! Vale o preço?

Rev. Renato Arbués.