Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Muros e ansiedade


No mundo antigo, os muros que circundavam uma cidade representavam sua principal defesa. De nada adiantava um exército numeroso, com armas modernas e homens bem preparados, caso suas muralhas estivessem em ruínas. Reis investiam fortunas na construção de paredes sólidas, capazes de suportar os potentes ataques dos aríetes inimigos e proporcionar a sensação de segurança dos habitantes. Não por acaso, Salomão comparou os muros de uma cidade com o domínio próprio: “Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio”  (Pv. 25.28).

Domínio próprio é a habilidade que o homem tem de saber-se controlar, de conter seus impulsos para a gula, a inveja, a vingança, o ódio, a imoralidade, o consumismo. Assim, parece natural identificar essa habilidade com a nossa mente. É utilizando a razão que decidimos que determinada atitude é certa ou não; é por ela que escolhemos nossos caminhos e os consequentes resultados. Portanto, ter domínio próprio implica cuidar bem da mente, enchendo-a de parâmetros santos e espirituais.

Uma cidade sem muros deixava os moradores ansiosos. Sem a proteção principal, qualquer inimigo podia prevalecer contra a cidade. Ora, a analogia com o nosso estado de espírito é explícita. Quando perdemos a razão, qualquer pensamento negativo pode produzir ansiedade. Uma pessoa ansiosa não dorme, não tem apetite, não consegue sequer manter sua vida devocional. Perde o domínio.

Com tijolos e cimento pode-se construir um muro. Obviamente, para reconstruir nosso equilíbrio espiritual precisaremos de outros materiais e outras ações. Mas, com que tipo de material é possível reconstruir nossa paz de Espírito? Como restaurar o controle de nossas emoções? É possível desenvolver pensamentos assim como desenvolvemos músculos?

Em primeiro lugar, se quiséssemos fortalecer outras partes do corpo, começaríamos pelos exercícios físicos. Seguindo essa lógica, creio que devemos iniciar exercitando a mente também. A atividade por excelência da razão humana é pensar. Pensamos o dia todo nas mais diferentes coisas. Pensamos em ir a algum lugar, em mudar de casa, em fazer um lanche, em comprar uma roupa etc. Mas, será que temos pensado nas coisas lá do alto?

Os cristãos, há séculos, tentam alcançar a tão sonhada “mente cristã”. O que seria isso? Seria conseguir pensar nos assuntos cotidianos a partir de uma perspectiva bíblica, espiritual. Para isso, é preciso que alimentemos nossa razão com a Teologia, a Ética Cristã, as Virtudes do Espírito. Paulo disse: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp. 4.8).

Sabemos o nome de dezenas de candidatos. Conseguimos citar nomes e histórias de mais de 20 personagens de novelas. Conhecemos o líder do campeonato brasileiro e projetamos o campeão com base no desempenho de cada time. Mas, a maioria de nós simplesmente não sabe quantas são as bem-aventuranças; poucos conseguem identificar onde na Bíblia se encontra a oração do Pai Nosso; Quem saberia dizer o real significado de guardar o “Dia do Senhor”?

A menos que nos dediquemos e invistamos boa parte do nosso tempo na difícil tarefa de fortalecer nossa vida espiritual, seremos como cidades sem muros, totalmente indefesos diante das investidas mais comuns do nosso inimigo mais forte, o pecado.

“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscais as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, nã nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” (Cl. 3.1-3).

Confie sempre em Deus e jamais permita que o desespero vença você. Como? Comece cuidando da sua mente: tenha critério quando ligar a sua televisão, comprar um livro, procurar um amigo para conversar. Lembre-se: Se o diabo viesse até nós de chifre e tridente na mão, certamente, correríamos. Por isso, ele vem bem vestido, falando mansamente, nos fazendo rir e demonstrando muita sabedoria (deste mundo, claro).

Cabe a você decidir: Quer ser um vencedor ou derrotado?

Pense nisso.

Rev. Renato Arbués.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

A FIRME VONTADE DE DEUS!


“Tudo quanto o Senhor quis, ele o fez, nos céus e na terra, o mar e em todos os abismos” (Sl. 135.6)
O salmo 135 é um louvor a majestade de Deus. O salmista convida todos os que assistem na casa do Senhor a louvar o Seu bendito nome porque Ele é o grande Deus. No verso 5, ele afirma: “Com efeito, eu sei que o Senhor é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses”. Em seguida, uma série de ações divinas são mencionadas para confirmar a verdade de que não há ninguém que possa contrariar o desejo de Deus. Nações são destruídas juntamente com suas divindades porque a vontade do Senhor o quis.
Mas, afinal, o que quer dizer vontade? Um forte desejo ou uma determinação? Quando falamos da vontade de Deus, queremos dizer que ela não é senão expressão do seu Ser onipotente e onisciente. Se Deus é onipotente, Ele realizará tudo o que está incluído nos Seus propósitos; e se Ele é onisciente, não cometerá erros nos seu plano original, nem terá necessidade de alterar o seu propósito original.
De acordo com Benjamim Warfield: “Na infinita sabedoria do Senhor de toda a terra, cada evento se realiza com precisão no seu próprio lugar. Nada, por pequeno e estranho que seja, ocorre sem estar prescrito, ou fora do controle de Deus”.
Assim, o que quer que aconteça na história da humanidade, acontece em virtude do fato de estar de acordo com o eterno plano de Deus. Pense comigo: “Se alguma coisa ocorre contra a vontade de Deus, então Satanás e o homem devem ser iguais ou superiores ao Criador!”. Sim, porque imagine uma situação: Deus ordena uma coisa, mas eu faço outra. Isso quer dizer que eu tenho poder para contrariar uma ordem divina. Logo, parece que meu Deus não é tão onipotente e poderoso como dizem as Escrituras Sagradas.
Mas alguém pode objetar que um Deus assim não pode ser bom, pois Ele permite que muita coisa ruim aconteça e que muitas pessoas boas morram e vão para o inferno. O que podemos dizer? À luz da Bíblia, Deus será visto de modo perfeitamente consistente tanto quanto condena uns, como quando perdoa outros; tanto quanto revela seu soberano juízo e justiça sobre os pecadores que não se arrependem, como quando declara Sua graça soberana, perdoando livremente àqueles que escolheu em Cristo Jesus, antes da fundação do mundo.
Neste momento, convém ler o que Paulo escreveu aos romanos, no capítulo 9.15: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e me compadecerei de quem me aprouver ter compaixão”. Ora, como alguém pode argumentar contra a Palavra de Deus?
Novamente, alguém poderá objetar: “Mas, pastor, Deus pode até chamar uns para o céu, mas não posso aceitar que Ele escolha alguém para o inferno!”. Pra uma pessoa que pensa assim, eu tenho uma palavra. Aliás, uma confissão. Eu também tive muita dificuldade para aceitar essa verdade. Até que percebi que, antes de aceitar alguma coisa, eu preciso entender. Não é uma atitude sábia rejeitar antes de conhecer. Para facilitar o entendimento dessa verdade, vamos ler mais um texto de Paulo.
Rm. 9.10-13: “E não ela somente, mas também Rebeca ao conceber de um só, Isaque, nosso pai. E ainda não eram gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus quanto à eleição prevalecesse, não por obras, mas por aquele que se chama), já lhe fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú”.
Em outras palavras: Sem levar em conta o bem ou o mal em relação aos dois homens (Jacó e Esaú), Deus fez de Jacó o objeto do seu amor e Esaú o objeto de sua ira. Por quê? Para que seu propósito divino, de acordo com a eleição (ou escolha de pessoas ou eventos que realizam sua vontade), “ficasse firme”.
O Deus das Escrituras não se desculpa pelo fato de ter determinado deixar a maioria dos homens passar a eternidade sob o seu juízo, dando-lhes exatamente aquilo que merecem, ao mesmo tempo em que, também, determinou ordenar para a salvação alguns que, igualmente, são merecedores do juízo, porque é do seu agrado agir assim para mostrar sua natureza de graça, misericórdia e amor na presença dos anjos eleitos.
Mais uma vez, vamos ao texto sagrado: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts. 5.9).
Em suma, a vontade de Deus prevalece em tudo, incluindo na vida e na morte, na salvação ou condenação. Continuaremos esse estudo no próximo programa.

Rev. Renato Arbués.
 Adaptado do livro “TULIP”, Duane Edward Spencer, Casa Editora Presbiteriana, 1992.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ABRAÇO DA JIBÓIA



Conta-se o caso de um artista de circo que treinara uma jibóia a enlaçar-lhe o corpo, desenlaçando-se depois.

Uma noite, durante a apresentação, ele percebeu horrorizado, que o enorme réptil lhe apertava o corpo cada vez mais. O homem gritou por socorro, mas a platéia julgou que isso fizesse parte do show. Só deram pelo fato quando viram o homem desfalecendo e morrer no abraço da serpente.

Ouviu-se depois alguém dizer, ao abandonar o circo:

"Não importa o quanto se conheça esse animal, cobra é sempre cobra".

Reflexão: Da mesma forma, não importa o quanto se conheça o pecado, não se deve brincar com ele. Pecado é sempre pecado e, no fim, ele vai acabar matando quem se envolver com ele. Porque “o salário do pecado é a morte” (Rm. 6.23).

Rev. Renato Arbués.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Como votar


Estamos vivendo dias empolgantes. Nossa cidade vive um autêntico frenesi no que concerne às eleições municipais. “É tempo de mudança!”, grita um candidato. “Precisamos continuar o bom trabalho”, responde o outro. “Diga não a tudo isso. O novo é melhor”, vocifera ainda um terceiro.

O entusiasmo é total. E contagiante, também. A ponto de alguns mais “exaltados” quase chegarem às “vias de fato” na defesa de seu candidato. Há os que, educados demais para trocarem socos e/ou empurrões, preferem ficar na esfera dos argumentos, a favor ou contra, mas sempre de forma cortês, educada.

É flagrante o fato de que se está considerando a disputa para prefeito. Tratássemos dos postulantes ao cargo de vereador e faltaria espaço nesta pastoral para enumerar metade dos slogans empregados na apresentação dos célebres concorrentes.

Se fiz você pensar que o assunto deste texto é eleição, perdoe-me, por favor. Não vou discuti-la sequer por um parágrafo. Não hoje. Hoje, pretendo avaliar a conduta descomedida de uma parte dos eleitores cristãos. Sim, ainda que a ação em pauta seja a escolha de um prefeito ou vereador, seja ela praticada por um filho de Deus, tratar-se-á de uma ação cristã. E como tal deve ser abalizada pelas Escrituras Sagradas.

Quanto à escolha de candidatos, o que dizem as Escrituras? Na época do registro do texto sagrado, claro, não havia eleições para escolha de mandatários. Pelo menos não nos moldes de hoje. Mas há na Bíblia princípios indicativos para que o cristão se posicione quanto esse aspecto importante de sua vida. Vamos a eles.

Escrevendo a Timóteo, o apóstolo Paulo orienta: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” (1 Tm. 2.1). O que essas palavras significam? Significam que nós, cristãos, devemos orar por nossas autoridades (prefeitos, vereadores...). Ora, a depender do critério utilizado na escolha de um candidato, o cristão jamais poderá pedir a Deus que abençoe o mandato de seu representante, caso eleito. Por quê?

Voto dado em troca de favores, trata-se, pela ética cristã, de voto “sujo”, desonesto, corrupto. Portanto, indigno de um filho de Deus. Então, com que cara um adorador pediria ao seu Senhor que abençoasse um homem que o corrompeu? Mais. Jesus ensinou que, aquele que não é fiel no pouco, também não o será no muito. Aplique esse princípio à situação que está sendo considerada. Um político que corrompe um crente ou uma igreja poderá, facilmente e sem escrúpulos, corromper uma cidade toda! Você, cristão, clamaria por bênção em favor de alguém potencialmente tão contrário aos ensinamentos bíblicos?

Em outra ocasião, o mesmo apóstolo Paulo mostrava-se indignado com alguns conflitos vistos dentro de uma igreja. Ele diz que divergência de opinião era até aceitável, uma vez que sua figura predileta para descrever a igreja é a de um corpo. O corpo humano, diz Paulo, tem vários órgãos e cada um com uma função específica. O conjunto de tão diferentes elementos é que dá vida ao ser humano. Essa analogia foi aplicada ao convívio social dos cristãos na cidade de Corinto. Eles estavam brigando. A igreja estava dividida em 3 ou 4 partes distintas! E como o velho apóstolo tratou desse problema? Ele disse: “Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?” (1 Co. 3.3).

É incrível como os cristãos de hoje simplesmente ignoram esse texto não o aplicando à realidade atual. Chega a ser uma cena “bisonha” a de dois crentes discutindo apaixonadamente sobre que candidato é melhor. A cena não é ridícula por discutirem a melhor opção para a cidade. Isso é legítimo e correto. A estranheza fica por conta de que tais disputas conseguem “separar” aqueles por quem Cristo morreu.

Você que lê esse texto, responda: É possível cultuar ao Santo Deus, estando irado com o irmão ao lado? E qual o motivo da ira? O simples fato de um votar em X e o outro, em Y. Que isso ocorra, é patético, desalentador, vergonhoso. Pior. É contrário ao que prescreveu Jesus: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mt. 5.23-24). Você consegue enxergar o ponto?

Vote. Procure saber qual o melhor nome para ocupar o cargo de prefeito da nossa cidade. Selecione um bom homem para receber seu voto para vereador. Informe-se, questione, interrogue, procure conhecer projetos e sua viabilidade, estude. Faça tudo o que se espera de um cidadão. Mas não se esqueça: Você é um cidadão cristão!

Pense nisso!


Rev. Renato Arbués.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Oh, Graça Maravilhosa!


Somos presbiterianos. Nosso sistema doutrinário tem na Soberania de Deus a mais importante de todas as doutrinas. É ela que sustenta todo a nossa fé. É por ela que podemos confiar no Pacto Eterno, na Salvação, na Perseverança dos Santos, na Santa Igreja. Mesmo a Presciência tem seu fundamento nos decretos eternamente planejados e firmados na Soberana decisão do Pai.

Porém, como presbiterianos, também estimamos a Graça Divina. Graça essa soberanamente administrada em nossas vidas, suprindo todas as nossas necessidades, aliviando nossas ansiedades, respondendo as mais íntimas dúvidas que acolhemos. Se a Soberania divina é o alicerce da nossa fé, a graça maravilhosa é o teto, que nos protege das chuvas do desânimo, do calor do orgulho e do frio do egoísmo.

“Sendo justificados gratuitamente por Sua graça” (Rm. 3.24);“Porque pela graça sois salvos” (Ef. 2.8); “Que nos salvou, e nos chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o Seu propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos” (2 Tm. 1.9). Sem a graça de Deus não seríamos quem somos, não teríamos o que temos, não esperaríamos o que nos está reservado, e não desfrutaríamos da confortante e santa presença do Senhor em nossa vida. Tudo nos vem pela Graça. E só ela nos basta.

A graça. A graça maravilhosa que nos tirou das trevas e nos colocou no reino da luz. A graça que superabundou onde havia pecado. A graça que acalma nosso coração nos momentos de desespero e de dor. É somente pela graça que somos salvos, santificados, amados e, finalmente, glorificados. Como é linda a nossa fé, além de coerente, inteligente, fidedigna, ainda tem o mérito de nos consolar por meio da verdade eterna e redentora, presenteada aos eleitos pelo Santo Espírito de Deus.

Em tempos difíceis, precisamos ouvir o excelente conselho de Jeremias: “Prefiro trazer à memória o que me pode trazer esperança” (Lm. 3.21). Não sei você, mas eu, honestamente, jamais precisei tanto de esperança quanto nesses dias. Sempre que vejo famílias sofrendo por falta de diálogo, de humildade, de submissão à vontade de Deus; sempre que vejo jovens sedentos pelos frutos do pecado, cegos pelo deus deste século; sempre que vejo a desilusão, a fraqueza espiritual, a falta de objetivos; enfim, em cada novo amanhecer, a menos que tenhamos bem firme em nossa memória o que nos pode trazer esperança – a graça de Deus – há muito teríamos desistido.

Como bom presbiteriano, exalto a graça de Deus em minha vida e confesso que, sem ela, não passaria de um simples miserável, condenado justamente pela santidade divina. Contudo, ao Soberano Senhor de todas as coisas aprouve estender Sua compaixão e misericórdia a mim,  me salvando graciosa e gratuitamente. Hoje, “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl. 2.20).

Lembre-se disso, meu irmão. Quando se sentir desanimado, reflita sobre a Graça Maravilhosa. Ela é, sem dúvida, nossa maior fonte de esperança e reavivamento em dias tão difíceis.

Amém.


Rev. Renato Arbués.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

COM VERGONHA


Somos uma nação evangélica. Pelo menos foi isso que os dados do Censo 2010 divulgados pelo IBGE disseram. Há 30 anos, os que se diziam católicos representavam 89% da população brasileira. Hoje, são 65%. Enquanto isso, nos anos 1980, 7% da população se dizia evangélica. Hoje esse índice está em 22%.

No Censo anterior, de 2000, os números eram bem parecidos. A população católica representava 73,8%; os evangélicos, 15,45%. No entanto, o terceiro grupo “religioso” significativo, era o dos sem religião, 7,3%.

Os sem religião formam uma categoria à parte. Geralmente, são jovens, filhos de pais crentes, que se afastaram do convívio da igreja mas, conforme dizem, continuam amando a Deus e seguindo Seus princípios. Do jeito deles, claro.

Esses números nos fazem pensar. Se somarmos os 65% de católicos com os 22% de evangélicos, teremos 87% da população brasileira praticante do cristianismo. É gente pra caramba.

Um estrangeiro cristão, ao ler esses números, deve pensar que o Brasil é uma maravilha. Pouca violência, famílias felizes, igualdade, muito amor e paz. Eu, porém, pergunto a você: Seu mundo é assim? Você se sente seguro andando pelas ruas da nossa cidade? Sente que há igualdade, em particular, no que diz respeito à distribuição da justiça?

Penso que vamos ficar chocados quando os números referentes aos sem religião forem divulgados. Seguramente, essa categoria já deve bater a casa dos dois dígitos. A julgar pelo que vemos, ou melhor, pelo que não vemos nos bancos das igrejas, o número cresceu. E muito.

Felizmente, o IBGE ainda não criou a categoria dos sem compromisso. Aí, nós, os 87% de cristãos que há no Brasil, ficaríamos reduzidos a ____ % (complete você).

Pense nisso.

Rev. Renato Arbués.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Você ou o inferno!


Meditação baseada em Romanos 9.3:

Religião estranha, esse cristianismo. Como é possível entender uma doutrina que ensina que o fiel deve batalhar para manter um bom relacionamento com o Seu Deus, por meio de horas e horas de estudo bíblico, de oração, de participação em cultos públicos e outras atividades espirituais e, de repente, apenas por amor aos demais fiéis, desejar distanciamento desse Deus?

Pois é, por mais complicado que seja compreender algo assim, é exatamente isso que Paulo nos ensina. O apóstolo amava seus compatriotas com tamanha intensidade que, se preciso, a fim de vê-los salvos, seria capaz de separar-se de Cristo. Mais: O velho discípulo disse que seria melhor ser maldito (anátema) do que ver seus irmãos perdidos.

É difícil aceitar ou entender, mas não é nenhuma novidade. A essência do evangelho está no amor a Deus e ao próximo. A evidência maior do amor é a disposição em fazer o outro feliz. No caso de Deus, o que O deixa feliz é a nossa obediência (Jo. 14.15; 15.14). Todo aquele que diz amar a Deus deve obedecê-lo.

Devemos obedecer à ordem de congregar-nos (Hb. 10.25), de meditar na Palavra (Sl. 119.97), de orar (1 Ts. 5.17), de participarmos da Santa Ceia (1 Co. 11.23-32), de santificarmos (Hb. 12.14), de cuidar dos órfãos e das viúvas (Tg. 1.27) e de evangelizar os que estão perdidos (Mt. 28.18-20).

O bem-estar do outro deve ser colocado acima do nosso. Cristo fez isso quando Se entregou para morrer naquela cruz horrível. Ele não veio para fazer a Sua vontade, mas a do Pai. Jesus estava sempre colocando a satisfação do outro (do Pai, dos eleitos) acima da sua. Cristo é o nosso exemplo. O que Ele fez, devemos fazer também.

Dessa forma, o desejo de Paulo está de acordo com o que o homem de Nazaré nos ensinou. As palavras de Paulo foram: “Porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne” (Rm. 9.3).

Infelizmente, essa não é uma atitude muito comum entre os evangélicos de hoje. Estamos tão absortos nos nossos problemas, nas nossas dificuldades, na nossa vida que, raramente, temos tempo para preocupar-nos com a vida do outro, quanto mais desejar salvá-la, se para isso for necessário investir tempo e/ou recursos pessoais.

Imagine – mesmo que seja uma tarefa por demais difícil – uma família em que o homem desejasse ir para o inferno a ver sua esposa infeliz; em que uma mulher desejasse perder a comunhão com Cristo a deixar esfriar o romance com o esposo; em que os filhos desejassem a condenação a desobediência aos pais. Que família, não é mesmo?

Por que não pode ser assim, se somos filhos de Deus? Se temos Cristo como Salvador e Senhor de nossas vidas, por que não conseguimos imitá-lo justamente no ponto principal de Seu ministério, o amor?

Não espere sua esposa começar a seguir o exemplo de Cristo, homem, comece você a amá-la acima de tudo. Mulher, não espere a mudança do seu marido. Mude você! Filho, não espere ter pais dedicados a você, dedique sua vida a seus pais.

Se for muito difícil fazer isso, peça ajuda a Deus. Para Ele, não há impossíveis.

Rev. Renato Arbués.