Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O CONHECIMENTO DE DEUS!




“Para que fomos feitos? Para conhecer a Deus. Que alvo devemos estabelecer para nós na vida? Conhecer a Deus. O que é a "vida eterna" dada por Jesus? O conhecimento de Deus. "Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (Jo 17:3).

Qual é a melhor coisa na vida, que traz alegria, prazer e contentamento acima de todas as outras? O conhecimento de Deus. "Assim diz o Senhor: 'Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor" (Jr 9:23, 24a).

Das situações em que Deus vê o homem, qual lhe dá mais prazer? O conhecimento dele. "... quero [...] conhecimento de Deus, mais do que holocaustos", diz Deus (Os 6:6; ra).

Dissemos muitas coisas nestas poucas sentenças. O ponto que queremos evidenciar é aquele que aquece o coração de cada cristão, embora o adepto da religião apenas formal não seja afetado por ele. (Justamente por este fato evidencia sua condição não-regenerada.) O que dissemos proporciona instantaneamente o alicerce, a forma e o alvo de nossa vida, além de um princípio de prioridades e uma escala de valores.

Uma vez que você se convença de que a principal razão de sua estada aqui é conhecer a Deus, muitos dos problemas da vida se enquadrarão devidamente. O mundo está cheio de vítimas do mal devastador que Albert Camus denominou absurdismo ("a vida é uma piada sem graça") e da doença que chamaremos "febre de Maria Antonieta" ("nada tem gosto"), já que foi ela que encontrou essa frase para descrevê-la.

Essas enfermidades prejudicam toda uma vida: tudo de repente se torna um problema e um aborrecimento, porque nada parece valer a pena. Mas os vermes do absurdismo e a "febre de Maria Antonieta" são doenças às quais, pela própria natureza, o cristão está imune, exceto por momentos ocasionais de perturbação, quando o poder da tentação deforma-lhe a mente; mas estes, graças a Deus, não duram muito.

O que dá valor à vida é ter um grande objetivo, alguma coisa que prenda nossa imaginação e conserve nossa fidelidade; e isto o cristão tem como ninguém. Pois haverá objetivo mais alto, mais exaltado e mais estimulante que conhecer a Deus?”

J. I. Packer
Trecho do cap. 3 do livro “O Conhecimento de Deus”.
Editora Mundo Cristão

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

POR QUE O MUNDO ACABOU?

Reflexão sobre Gênesis 4.8-24

O que está acontecendo com o nosso mundo? O que se passa na cabeça de nossos jovens? Por que tanto ódio, tanta violência? Quais as causas de tantos crimes absurdos cometidos por homens contra homens?

O texto de Gênesis 4.8-24 apresenta-nos o começo da vida organizada socialmente. As primeiras relações familiares e os primeiros contatos entre membros de uma comunidade maior, uma tribo.

Caim, após assassinar Abel, seu irmão, teve que sair de perto de seus pais. Foi expulso por Deus e se instalou na região de Node, ao oriente do Éden, onde deu início ao seu reino. Quando matou Abel, Caim, inconscientemente, cavou trincheiras ao lado de Satanás na luta contra Deus. Desse ponto em diante, a história da humanidade será manchada por ódio, vingança e sofrimento.

No livro do Gênesis, Moisés nos informa como o homem conseguiu dominar os animais, desenvolver a arte, trabalhar o bronze e o ferro. Infelizmente, esse mesmo homem não teve a mesma habilidade para dominar a si mesmo. Não conseguiu refrear sua inclinação para o mal.

O fim dessa seqüência narrativa será o dilúvio. Toda uma geração condenada e perdida. E por quê? Ao respondermos essa pergunta, traçaremos alguns paralelos com os nossos dias, e veremos que nossa geração caminha a passos largos para o mesmo fim.

Em primeiro lugar, aquela geração foi destruída porque perdeu o respeito pela vida.

Na Bíblia, a vida é associada à luz, à alegria, à plenitude e à atividade. Ser vivo é ser ativo, é participar dinamicamente das relações com o mundo e com as pessoas. A vida é, pois, um bem supremo dado por Deus ao ser humano. Um bem que deve ser desfrutado nas interações com outros homens e com o restante da criação de Deus.

Por ser um bem tão importante, há um mandamento específico referente a ele: Não matarás! (Êx. 20.13). Mas, o que lemos acerca de Caim e de seu descendente Lameque é uma total desconsideração ao valor da vida humana. Ambos mataram. E mataram pela mesma motivação: vingança! Eles se sentiram, de alguma forma, prejudicados por alguém e determinaram eliminar o problema. Rebelião e desafio caracterizam a atitude e as ações de Caim e Lameque.

Caim matou o irmão após ambos oferecerem oferta ao Senhor. A oferta de Abel foi aceita; a de Caim, rejeitada. Lendo essa história, no capítulo 4 de Gênesis, encontramos uma frase interessante no verso 7 (o seu desejo será contra ti). A seqüência dos fatos revela-nos que, o que perturbou Caim, não foi o fato de haver sido rejeitado por Deus. Não. O que realmente indignou a Caim foi o sucesso de Abel.

Concluímos isso porque, no nosso entendimento, se a tristeza de Caim houvesse sido causada pela rejeição de Deus à sua oferta, sua atitude teria sido outra. Ele se adequaria aos padrões de Deus e O cultuaria adequadamente. Mas não foi isso que Caim fez. Por quê? Porque esse não era o verdadeiro problema.

O verdadeiro problema era aceitar a angustiante verdade de que seu irmão foi bem-sucedido, enquanto ele, não. Deus disse a Caim: “Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”.

São palavras reveladoras, as que Deus diz para Caim: “o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”. Qual era o desejo de Caim? Destaque, proeminência. Ele queria superar o irmão. Caim deveria ser honrado; Abel, não.

Como não conseguiu alcançar o seu desejo, nem dominá-lo, Caim decidiu matar. Séculos mais tarde, o apóstolo João advertiu seus leitores a agirem “não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas” (1 Jo. 3.12).

O caso de Lameque foi muito parecido (Gn. 4.23). Ele matou um rapaz porque se sentiu ofendido. O que o rapaz fez? Pisou o seu pé.

Eis a completa banalização da vida.

Pergunta-se: vivemos dias diferentes? Somos melhores que nossos antepassados? Basta uma rápida folheada nos jornais e testemunharemos que não. Na verdade, não temos nos comportado de forma muito diferente da de Caim e Lameque: Um homem mata a companheira para criar o filho de ambos com uma outra; Rapaz é preso por assassinar o pai; Jovem mata “amigo” com 20 facadas numa briga de bar.

Os diálogos entre pais e filhos são pontuados por agressões de ambas as partes. Marido e mulher se agridem por palavras diante de seus filhos. Nas escolas, crianças ameaçam crianças por coisas de crianças. No trânsito, os semblantes se transfiguram: pessoas irritadas, com dois ou três palavrões soltos na boca e jogados no primeiro que, por descuido, ou por “barbeiragem”, cruzar o caminho. Nas filas dos bancos, reclamações, zombarias, constrangimentos, porque quem nos antecede está demorando.

Onde vamos chegar?

Os cientistas estão preocupados com os efeitos do aquecimento global. Estudos mostram que, a continuar nesse ritmo, em quarenta ou cinqüenta anos, o planeta Terra não será mais um bom lugar para se viver. Mas, o planeta Terra é, hoje, um bom lugar para se viver?

O aquecimento que está condenando as pessoas é o aquecimento de suas emoções. Por qualquer palavra, por qualquer ato, disparamos um canhão carregado de impropérios, xingamentos, ódio e muita, muita ira.

A história de Caim e Lameque nos ensina que o erro não está somente na ação de matar. Está também na atitude, no desejo, no pensamento de destruir o semelhante.

Por conhecer o coração do homem, Deus encheu Sua Palavra de advertências contra a disposição de ofender ou agredir a quem quer que seja. Deus proibiu a mentira, a calúnia e a difamação (Êx. 20.16), as mães de todas as discórdias. Deus ainda proibiu a vingança (Lv. 19.18). E Jesus proibiu até mesmo brincadeiras inconvenientes (Mt. 5.21-22).

Todas essas precauções foram tomadas para que o homem jamais perdesse o respeito pela dignidade da vida humana, pois, a perda do respeito pela vida foi a primeira causa do fim do mundo para a geração de Caim.

Rev. Renato Arbués.

(Continua)

domingo, 28 de agosto de 2011

FALTA DE SORTE OU DE VERGONHA?


Foi trágico. E irônico. Mas, também foi revelador desses nossos tempos. Aliás, tempos confusos, esses! As agências de notícias deram destaque a um caso de traição. Coisa, a bem da verdade, corriqueira hoje em dia. Porém, o trágico está no fato de que uma mulher casada resolveu se prostituir. E pôs anúncio num jornal oferecendo seu corpo. O que leva uma mulher a se prostituir? Pior, o que leva uma mulher casada à prostituição? Trágico demais.

A tragédia não termina. Um homem casado procurou seus serviços. A mesma indignação deve ser direcionada contra esse senhor. Por que um homem comprometido com alguém pelos votos do matrimônio procuraria uma prostituta? Estarão os laços da casamento tão frágeis assim? As promessas feitas diante de Deus e dos homens, as juras de amor, os votos, perderam o valor? Ou nunca tiveram valor?

Mas foi irônico. O homem em questão, que ligou para uma profissional do sexo, não sabia que do outro lado da linha estava – pasmem – sua própria esposa! Pois é. Você vai dizer que os dois se merecem, não é mesmo? Na opinião do marido, é a esposa que não tem pudor nem vergonha. Ele tentou agredi-la com uma barra de ferro. Foi um escândalo em Blumenau, Santa Catarina.

Entrevistada, a mulher declarou que “não tinha sorte na vida”. Vou contextualizar à custa da redundância. Ela lamentava o fato de que, em duas tentativas, não conseguir efetivar o adultério. Por isso, se considerava sem sorte. No caso, sorte ela teria se tivesse conseguido êxito na prostituição.

Você está entendendo? Em que mundo uma mulher que consegue trair o marido pode se considerar sortuda? Bem, de acordo com o apóstolo Paulo, este mundo existe. E, exatamente para nos proteger dele, foi que Deus nos orientou pelas Escrituras Sagradas. O que para nós é trágico e inusitado, para o Espírito Santo é próprio da natureza humana. Por isso, ele disse: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio coro em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus.” (1 Ts. 4.3-5).

De acordo com o Espírito Santo, a história dessa mulher não é trágica nem irônica. Ela é a pura confirmação do efeito do pecado na natureza humana. O pecado denigre a dignidade, a santidade, a imagem de Deus no homem. Uma mulher querer trair o marido ou um marido desejar enganar a esposa é fruto do pecado. É a tendência natural de todo homem que se encontra afastado de Deus e vendido à iniquidade.

O cristão é diferente, “porquanto Deus não nos chamou para a impureza e sim para a santificação” (1 Ts. 4.7). O homem temente a Deus vive em obediência a Ele, sabe respeitar os compromissos e honra a santidade do corpo, do seu e da esposa. Para ele, uma história dessa não tem graça.

Nenhuma.

Rev. Renato Arbués.

sábado, 20 de agosto de 2011

O Deus desconhecido!

O título remete ao apóstolo Paulo em Atenas. Enquanto esperava por Silas e Timóteo, dissertava na sinagoga e na praça todos os dias. Além de judeus e gentios piedosos, na platéia de Paulo encontravam-se também filósofos epicureus (buscavam prazeres moderados) e estóicos (propunham viver de acordo com a lei racional da natureza e aconselhavam a indiferença em relação a tudo o que é externo ao ser). Estes últimos levaram o apóstolo até o Areópago (Colina de Ares), um antigo tribunal, repleto de imagens de deuses. O texto bíblico relata o desconforto de Paulo ante a idolatria dominante na cidade (At. 17.16). Até que uma imagem chama a sua atenção.

Era a imagem dedicada ao Deus desconhecido (At. 17.23). No afã de agradar a todos os deuses, os gregos decidiram dedicar um monumento a uma possível divindade cujo nome lhes era desconhecido. Veja você, caro leitor, o zelo do povo que nos legou, entre outras coisas, a filosofia e a democracia, não lhes permitia ignorar um elemento vital da constituição humana: a alma.

Alma que anda muito negligenciada em nossos dias. As pessoas modernas não têm tempo pra essas bobagens de religião. Estão realizando projetos excelentes, estão construindo um futuro melhor, futuro este, ressalte-se, que propiciará banda larga de graça, estádios modernos, tv digital, educação de qualidade... Tudo sem a menor necessidade de Deus ou da “famigerada” religiosidade.

Já há setores trabalhando nisso. Veja uma novela, por exemplo. Você sabe qual o segredo de um personagem (às vezes, tem-se que esperar até o último capítulo), qual o sexo, quais as intenções, quais os amigos, onde mora, como mora, onde trabalha, quem são os inimigos, enfim, sabe tudo, menos a religião. Porque numa novela não há espaço para essas coisas de religião.

O apresentador Datena foi processado pela Associação dos Ateus por declarar que uma pessoa sem Deus é capaz de matar. Um pastor também foi processado, e condenado, junto com a rede TV, a indenizar pessoas que se sentiram ofendidas por declarações contra o ateísmo. Resultado: Ninguém mais pode falar o que nossos avós já diziam sobre quem não tem Deus. Você sabe bem, mas, tem coragem de dizer bem alto?

E assim vamos vivendo numa sociedade com tantos deuses e ao mesmo tempo sem deus nenhum. A arte, antes agente de divulgação das obras divinas, hoje trabalha para destruir ou apagar a imagem divina de nossas vidas.

E as igrejas? Haveria ainda igrejas que preservam o culto à divindade? Outro dia ouvi um pastor falar que odiava a Teologia da Prosperidade. Segundo ele, a Teologia da Prosperidade não oferece Deus para as pessoas. Na verdade, o que a Teologia da Prosperidade oferece, oferece ao homem natural. Quem precisa nascer de novo para querer ser rico ou prosperar? Quem precisa ter um novo coração (no sentido espiritual) para querer ter saúde? Ninguém. Pois é. Infelizmente, o deus oferecido nas igrejas de hoje está interessado na demanda do homem moderno, que quer tudo, menos Deus.

Fico pensando se, daqui a alguns anos, não teremos de erguer um monumento ao Deus que, a cada dia, vai ficando mais desconhecido.

Rev. Renato Arbués.



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

REBELDIA ONTEM, TRISTEZA HOJE!


A rebeldia sempre foi associada ao espírito jovem. Se havia um “espaço” para que a atitude contestadora se manifestasse, sem dúvida nenhuma, esse seria a juventude. Não por acaso, o rock, rebelde por nascimento, tem nos jovens o seu maior público.

Acontece que, com o tempo, as reivindicações dos jovens rebeldes começaram a ser atendidas. Queriam sexo, inventaram a pílula anticoncepcional, o preservativo (masculino e feminino), a pílula do dia seguinte; queriam drogas, receberam o LSD, a cocaína, a maconha, o crack, tudo, com o perdão do trocadilho, a preço de farinha; queriam rock, deram-lhes o punk rock, estilo que exige basicamente 3 acordes e vocalistas desafinados, porém, com atitude (cabelos extravagantes, jaquetas de couro e calça jeans rasgadas). E agora, querem o quê?

Roger Moreira, músico dos anos 80, captou essa sensação de “satisfação”. Os jovens tinham tudo o que queriam. A música “Rebelde sem causa”, do Ultraje a Rigor, traz a seguinte letra (trechos): “Meus dois pais me tratam muito bem [...]. Meus dois pais me dão muito carinho [...]. Minha mãe até me deu essa guitarra, ela acha bom que o filho caia na farra. E o meu carro, foi meu pai quem me deu [...]. Meus pais não querem que eu fique legal. Meus pais não querem que eu seja um cara normal. Não vai dar, assim não vai dar. Como é que eu vou crescer sem ter com quem me revoltar. Não vai dar, assim não vai dar. Pra eu amadurecer sem ter com quem me rebelar”. Jovem sem rebeldia, de acordo com a música, não amadurece. Pronto, os jovens não tinham mais uma razão para viver.

Hoje, porém, aqueles jovens dos anos 80 cresceram. São pais. O dilema agora é outro. Eles continuam frustrados porque sentem que estão diante do mesmo vazio que o perseguiram durante a juventude. É o mesmo sentimento. Queriam uma família, conseguiram uma. E agora não se realizam mais com o cônjuge. Os filhos cresceram e dão mais preocupação que alegria. E se perguntam intimamente: Valeu a pena ter me casado? Vale a pena continuar casado?

E o vazio continua.

Não acham mais graça em nada do que fazem. Igreja, trabalho, estudo. Nada realiza, nada satisfaz, nada responde às inquietações de fim de noite. O que fazer? Por que fazer alguma coisa? Entra dia e sai dia, sempre a mesma coisa. Desistir? Alguns deixam tudo pra trás e recomeçam, de forma egoísta, a vida com outra pessoa; outros preferem a saída mais curta e vexatória, o suicídio.

Na verdade, a única pergunta que realmente importa não está sendo feita. Ou seja, você está disposto a fazer o necessário para vencer essa crise? Honestamente, é difícil acreditar que a resposta tenha sido um “sim”. Porque o necessário é simples e claro. Aliás, a dúvida não é minha. A dúvida foi proposta pelo Senhor Jesus Cristo, quando disse: “Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo. 5.40).

A rebeldia é o melhor caminho para chegar ao desespero e à frustração. Jesus é o única caminho para superar essas enfermidades espirituais.

O que você quer?


Rev. Renato Arbués.

domingo, 17 de julho de 2011

ASSE SUA COMIDA!

Na última quarta, tive uma crise de pressão alta. Como parte dos cuidados, minha alimentação praticamente não continha um grama de sal. Tente imaginar o prazer que senti ao tomar uma xícara de caldo de carne. Sem sal. Bom, obviamente, não foi. Mas me fez muito bem. Além disso, me deu a introdução para esta pastoral.
Você gosta de refeições mal cozidas? Felizmente, nossa cultura não possui esse hábito. Pra nós – e para os hebreus também – comida crua além de péssimo gosto revela falta de paciência, de habilidade ou de planejamento do cozinheiro. Falta de planejamento, sim, pois, quando não se sabe como fazer alguma coisa, faz-se mal, sem paciência, sem prazer.
Assim pensava o rei Salomão. Ele disse: “O preguiçoso não assará a sua caça, mas o bem precioso do homem é ser ele diligente” (Pv. 12.27). Preste atenção no contraste estabelecido por Salomão entre o preguiçoso, que não assa o seu alimento, e o diligente. O uso que o escritor bíblico faz do termo “diligência” é bastante peculiar. A diligência é uma habilidade adquirida que combina persistência criativa, esforço inteligente, planejado e executado de forma honesta com competência e eficácia.
Repare que a diligência é adquirida. É preciso certo esforço para alcançá-la e ser abençoado por ela. Mas a diligência, na verdade, é uma combinação de três outras virtudes: Persistência, Esforço e Execução.
Persistência é a capacidade de persistir, de continuar tentando mesmo quando tudo conspira para você parar, desistir. A fim de evitar a insistência em conseguir algo de um jeito que não dá certo, é que a persistência tem que ser criativa. Quando se tem um objetivo lícito, correto, bom, é preciso insistir na tentativa de torná-lo real. Se não der de um jeito, tente de outro. Seja criativo. Mas, jamais desista.
Em seguida, o esforço é a próxima virtude. Algumas pessoas são abençoadas por Deus com inteligência. Mas são preguiçosas, relaxadas. Por isso, nunca conseguirão ir além do mediano. Jamais farão diferença, pois não se esforçam, não se dedicam a alguma coisa com seriedade. Salomão diz que o esforço deve ser inteligente e planejado. Uma pessoa esforçada, inteligente e que planeja bem os seus passos, certamente, será bem-sucedida.
Por fim, a execução. Não adianta persistir nem se esforçar por algo que não se pretende realizar. Repare que a execução, no entanto, deve ser de forma honesta, com competência e eficácia. Fazer as coisas só visando ao lucro, sucesso e glória pessoal não é atitude digna de um cristão. Precisamos ser-para-o-outro também.
Levar a imagem de Deus requer que nossas obras dignifiquem o ser de Deus. Portanto, asse bem a sua carne. Aplique esses conselhos ao seu casamento, ao seu trabalho à sua vida estudantil.
Lembre-se: Comida sem sal, mesmo para um doente, é um problema!

Rev. Renato Arbués.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

TODOS CERTOS?


Jair Messias Bolsonaro está cumprindo o 6º mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro. Em sua home page, ele se posiciona abertamente na defesa dos direitos dos militares, dentre os quais ele se destaca. Condecorado com várias medalhas, é um saudosista do velho regime ditatorial, o qual, segundo ele, garantiria a estabilidade da família, a segurança, a punição devida aos criminosos, entre outras benesses sociais.

O deputado Bolsonaro participou de um quadro no programa CQC, da Band, no dia 28 de março. Perguntado sobre como reagiria se seu filho fosse homossexual, respondeu: “Não corro esse risco. Meu filho foi bem educado”. Outro telespectador quis saber que providências o deputado tomaria se descobrisse que o filho fosse usuário de drogas. “Bateria nele”, foi a resposta. Bolsonaro ainda disse que não aceitaria votos de homossexuais (depois voltou atrás), não permitira que seu filho se casasse com uma negra e que a Preta Gil não era um bom exemplo (bem, as palavras não foram essas exatamente).

Resultado: Integrantes da Unegro (União dos Negros pela Igualdade) e representantes de movimentos GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais), pediam respeito à igualdade. E tome processo. Preta Gil também anunciou que o processará. A OAB vai processá-lo também. Bem que os mais velhos já diziam: “Quem fala demais, acaba dando bom dia ao cavalo” ou, no caso, “acaba sendo processado”.

Dificilmente o deputado encontrará alguém que concorde com ele, exceto, talvez, entre alguns militares de sua geração. A Igreja também não pode apoiar declarações de ódio, que incitem a violência contra qualquer grupo social ou promovam a falsa idéia de que uma raça seja superior a outra apenas pela cor. É preciso repudiar veementemente tal comportamento.

É correta a atitude da corregedoria da câmara dos deputados, que abriu inquérito para apurar se houve ou não quebra do decoro parlamentar.

Infelizmente, esse episódio promove ainda mais o erro. Todo tipo de erro. O erro do extremista, que crê apenas na força e na agressão e não nos argumentos para defender suas opiniões; o erro dos homossexuais, que aproveitam esse tipo de incidente para se colocarem de vítimas da sociedade, quando, na verdade, são vítimas de alguns extremistas, e exigirem “seus direitos” em detrimento dos direitos dos outros; o erro da igreja, que mais uma vez apenas reage ao debate, ao invés de promovê-lo de forma madura e equilibrada.

Ao mesmo tempo em que é um absurdo um deputado federal expressar tais opiniões, também é sintomático que esse mesmo homem esteja em seu 6º mandato (praticamente 24 anos), representando uma parcela considerável da população fluminense. Só pra informar: Jair Bolsonaro foi o 11º deputado federal mais votado, com quase 121 mil votos, o que equivale a 1,5% do eleitorado do Rio de Janeiro (www.planetaosasco.com).

O que está acontecendo com o nosso mundo? Estamos perdendo os fundamentos, trocando-os por um novo paradigma moral em que tudo é permitido e incentivado. Onde vamos chegar?

É preocupante constatar que as palavras de Oséias continuam atuais: “os seus príncipes amam apaixonadamente a desonra” (Os. 4.18).

Somos sal e luz do mundo. Precisamos mostrar ao mundo que o estilo de vida cristão não é apenas o melhor: É o único legítimo, pois se fundamenta na Palavra naquele que é o Autor da vida. Vamos, pois, testemunhar as maravilhosas virtudes daquele que nos chamou das trevas para a luz.
Rev. Renato Arbués.