Rev. Paulo Brocco

Pregação no culto de encerramento do Presbitério Piratininga.

Batismo da irmã Raimunda Goveia"

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"!

Fachada da IPC de Bonfim

Rua A Quadra A, nº 48, Casas Populares - Senhor do Bonfim - BA

Igreja em festa: Confraternização

IPC de Senhor do Bonfim em festa.

sábado, 4 de abril de 2009

Requisitos para a Ceia do SENHOR*

*(adaptado de Charles Hodge).

1 Co. 11.27-28
O Sacramento da Santa Ceia evidentemente se destina aos crentes. E aqueles que se aproximam da Mesa do SENHOR com isso professam ser Seus discípulos. Se são sinceros nessa confissão, recebem os inestimáveis dons que ela pretende comunicar. Se são insinceros, comem e bebem juízo para si mesmos.

Aqueles que compram um abadá e vão desfilar atrás de um Bloco Carnavalesco, declaram que estão comprometidos com o mundo e com os prazeres da Carne. Aqueles que participam das festas em homenagem aos “orixás e caboclos” declaram estar comprometidos com as crenças do candomblé. Também aqueles que participam da Ceia do SENHOR com isso professam ser cristãos.

Para ser um cristão, você deve:

1. CRER no testemunho que Deus deu de Seu Filho;
2. CRER que Cristo morreu por nossos pecados;
3. CRER que o Corpo de Cristo foi entregue por nós;
4. DEVE aceitar a Cristo tal como Ele é oferecido como propiciação pelos pecados.

Contudo, a fé daqueles que querem participar de modo aceitável na Ceia do SENHOR é uma fé não só em Cristo, mas também no próprio SACRAMENTO. Ou seja, fé em que SUA DESIGNAÇÃO É DIVINA, e em que ele é o que o NT declarar ser.

Não devemos considerá-lo mero invento humano, mera observância ou cerimônia ritual, mas um MEIO ORDENADO por Deus para simbolizar, selar e comunicar Cristo e os benefícios de sua redenção aos crentes.

A razão pela qual os crentes recebem tão pouco por sua participação nesta ordenança é que eles esperam pouco demais. Esperam que seus afetos sejam tocados e sua fé seja bem fortalecida.

É provável que poucas vezes esperem receber a Cristo de tal maneira a ponto de sentir-se cheios de toda a plenitude de Deus. CRISTO, AO OFERECER-SE A NÓS NESTA ORDENANÇA, oferece-nos TUDO O QUE SOMOS CAPAZES DE RECEBER DE DEUS.

É impossível que exista no coração a fé que este sacramento exige sem que ela produza amor e gratidão supremos a Cristo, bem como o propósito determinado de abandonar todo pecado e viver dedicado a seu serviço.

Portanto, é exigido dos que querem participar dignamente da Ceia do Senhor:

1º. Que examinem seu conhecimento para que possam DISCERNIR o Corpo do Senhor;

2º. FÉ para alimentar-se dele;

3º. ARREPENDIMENTO para abandonar os pecados e o velho caminho;

4º. AMOR por Deus e por seus irmãos;

5º. NOVA OBEDIÊNCIA, para que sirvam a Deus de coração, alma e espírito.

Com isso, aproximemo-nos da Santa Mesa Do Senhor!
Rev. Renato Arbués.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Aos Incautos Navegantes...

Incauto navegante! Segundo o Aurélio, incauto é um sujeito “imprudente, ingênuo”. Péssimas qualidades para um navegante. No hinário Novo Cântico, este hino é o de número 308 e é vinculado ao nome de Sarah Poulton Kalley. Considerando que essa senhora viveu de 1825 a 1907, fica ainda mais nítida a força da expressão “incauto navegante”. Imagine uma viagem de barco cujo comandante fosse um sujeito reconhecidamente imprudente!

Ler essas palavras remete o pensamento quase que instantaneamente aos versos do conhecido poema de Fernando Pessoa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. Os historiadores nos lembram que, na verdade, essa frase foi dita pelo general romano Pompeu (106-48 a. C.) aos marinheiros que, amedrontados, se recusavam a viajar. “Navigare necesse; vivere non est necesse”, num latim caipira.


No hino de Sarah Kalley, a vida é descrita como cheia de tormentas. Os navegantes incautos são os homens que vivem sem considerarem o rumo para onde vão nem os perigos a que estão submetidos. A qualquer momento o barco da vida pode topar com um iceberg (lembra do Titanic?) ou com outro barco e afundar; ou, quem sabe, deparar-se com piratas, ou enfrentar uma tempestade e virar. Enfim, viver é algo perigoso, sobretudo se não temos uma boa bússola para nos mostrar a direção e o caminho mais seguro.

Na poesia de Fernando Pessoa, há quem diga que é o “preciso” da frase deve ser entendido como “necessário”. Assim, o que importa não é viver, mas como viver! É preciso correr riscos, aventurar-se no bravio mar. Se a vida corre perigo, paciência! Afinal, viver não é necessário mesmo. Contudo, outros intérpretes dizem que no famoso verso, o sentido de “preciso” não é o de necessário, mas o de “exatidão, precisão”. Navegar, então, é algo mais seguro do que viver, pois na navegação dispomos de bússolas, astrolábio (esse é antigo!), computadores, mapas etc. Eu também, modestamente, acho que o “preciso” do poema tem o sentido de exatidão.

Bom, mas o que importa realmente pra esta pastoral é dizer pra você, leitor, que, se você for um navegante incauto, cuidado! São muitas as tormentas que podem naufragar levar o seu “barco” para o fundo do mar: a violência urbana, os males da alma, as doenças, o trânsito... Mas, o maior perigo a que você está exposto é o “das trevas do pecado”. Esse, além de fazê-lo naufragar, pode mandá-lo para uma fornalha bem quente, que consumirá lentamente toda a velha madeira de seu barquinho.

E se você, leitor, não for um viajante incauto, devo lembrá-lo do nosso dever: “resplandeçam nossas luzes através do escuro mar, pois nas trevas do pecado, almas podem naufragar!”. Pregue a Palavra. Seja luz. Salve os incautos que vivem com você. Não seja desobediente à ordem divina: “Sê tu uma bênção”.

Pense nisso!




Rev. Renato Arbués.

quinta-feira, 12 de março de 2009

NINGUÉM ME VÊ!?


Antigamente se dizia que pra se sentir “homem ou mulher invisível” bastava morar em cidade grande. A correria, o atraso, as preocupações, enfim, o ritmo da cidade grande impedia às pessoas de se conhecerem, de observarem as roupas, de se olharem nos olhos, de saberem os nomes umas das outras. O cidadão metropolitano vive rodeado de milhares de outros cidadãos, porém, vive só. Ninguém o nota, a não ser que pratique algum ato que quebre a rotina da cidade grande.

Hoje, tristemente constatamos que morar no interior é a mesma coisa. Aqui estamos nos tornando cada vez mais individualistas, egoístas. Nossas casas vivem fechadas. Nosso rosto vive franzido. Estamos tensos. Com medo. E nos isolamos, e nos tornamos invisíveis.

José deve ter se sentido assim também. Ele estava preso há alguns meses quando recebeu a companhia de dois presidiários ilustres: o copeiro e o padeiro do rei. Ambos desagradaram ao rei e foram privados de sua dignidade. Na prisão, tiveram dois sonhos perturbadores. Contaram-nos a José, que os interpretou. O do copeiro era um sonho bom: seria reconduzido ao cargo e serviria a Faraó (Gn. 40.21). Já o sonho do padeiro era um sonho de morte: três dias depois, ele foi enforcado (Gn. 40.22).

Tão logo o copeiro recuperou seu status, o que ele fez? “O copeiro-chefe, todavia, não se lembrou de José, porém dele se esqueceu” (Gn. 40.23). Quem era José? Um preso qualquer, numa cela imunda, sem nome, sem importância. Invisível. Por dois anos, José continuou “desaparecido”, enfiado numa cela, não sendo ninguém. Até que Faraó teve um sonho.

Daqui pra frente você conhece a história. O único capaz de interpretar o sonho de Faraó foi José, que declarou fazer isso pelo poder de Deus (Gn. 41.15-16). Tomado de gratidão, o Faraó nomeou José como o segundo homem do Egito, honrando-o sobremaneira. Coisa que o padeiro não soube fazer.

E aqui está o ponto. Possivelmente, muitas pessoas já passaram pela nossa vida. Fomos importantes para algumas, para outras não. Fizemos o bem, nos dedicamos, colaboramos, fizemos o possível e o impossível para ajudar várias delas. O que recebemos em troca? Provavelmente nem um “obrigado”. O que fazer?

Nada. Como José, precisamos usar nossos dons e habilidades para ajudar os necessitados. O filósofo Aristóteles dizia que onde a necessidade de alguém se cruzasse com uma de nossas habilidades, nascia aí a vocação. É isso mesmo. Nossa vocação é fazer o bem. Nossa ordem é ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura. Haveria algo melhor do que isso para se fazer aos homens perdidos?

O Evangelho, vezes demais, exige mais do que nossas palavras. Ele pede dedicação de nossos bens, de nosso tempo, de nossas habilidades. E quase sempre não vemos retorno algum. Ao contrário, somos esquecidos, ignorados, esnobados.

E daí? Padeiros não enxergam tão bem como os reis!

“Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt. 6.3-4).

sábado, 27 de dezembro de 2008

Não há lugar!

No livro “As cidades Invisíveis” (Cia. das Letras, 2000), Ítalo Calvino põe em cena Marco Pólo descrevendo para Kublai Khan as cidades que visitou em missões diplomáticas. São cidades, como o título do livro sugere, fictícias. Todas elas têm nomes femininos, mas não se trata de nenhuma crítica às mulheres; antes, o jovem navegador “humaniza” cada cidade de tal forma que é impossível não reconhecer nelas algumas de nossas próprias características ou traços comportamentais.

Uma das cidades é Leônia. Marco Pólo diz que a paixão dos leonianos “é desfrutar coisas novas e diferentes”. A cada manhã eles “vestem roupas novas em folha, tiram latas fechadas do mais recente modelo de geladeira, ouvindo jingles recém-lançados na estação de rádio mais quente do momento”. Durante o relato, Marco Pólo admite não saber se o prazer dos leonianos é desfrutar de coisas novas ou “expelir, descartar, limpar-se de uma impureza recorrente”. Como você deve ter concluído, os arredores de Leônia são um caos. Montanhas de lixo se acumulam e os moradores ficam “ilhados”, pois “uma fortaleza de dejetos indestrutíveis cerca a cidade, dominando-a de todos os lados, como uma cadeia de montanhas”.

O fato é que em Leônia não há lugar para nada. Tudo está cheio. As casas são mobiliadas ao limite. Não podem comprar um só objeto sem que antes não tenham de descartar um outro. É assim também com as pessoas. Em Leônia há um rígido controle de natalidade. As pessoas precisam pedir permissão para terem filhos. Lá também não há lugar para visitantes: onde seriam colocados? E, claro, já era de se esperar, em Leônia também não espaço para os que não podem consumir. Os leonianos não ouvem a mensagem de Marco Pólo de que “à medida que a cidade se renova a cada dia, ela preserva totalmente a si mesma na sua única forma definitiva: o lixo de ontem empilhado sobre o lixo de anteontem e de todos os dias e anos e décadas”.

Essa descrição da cidade fictícia de Leônia, sugere uma reflexão oportuna: Leônia se parece ou não com sua casa, caro ouvinte? Será que você não é, na verdade, é um cidadão leoniano?

O Natal é uma ótima época para respondermos a essas perguntas. Queremos comprar uma TV nova, um sofá novo, roupas novas, bicicletas novas, mas, precisamos mesmo de televisores novos, de sofás novos, de roupas novas, de coisas novas? Precisamos mesmo de tantas “comprinhas para o natal”? O que fazemos com o “que ficou velho” em nossa casa e que até ontem nos servia tão bem? Jogamos fora? Acumulamos?

Algo muito triste também está acontecendo em nossos dias. Assim como os leonianos, estamos nos acostumando a descartar pessoas também! Nossas cidades vivem cercadas não só de montanhas de lixo, mas de montanhas de gente, que empurramos para longe porque não há espaço para todos no mundo consumista, novo, confortável.

Essa é a triste condição de nossos dias, na comemoração do Natal. O Sr. Jesus Cristo, pasmem, também não encontrou lugar em muitas casas. Elas estavam cheias de comida, de presentes, de alegria, de pessoas, que não sobrou lugar para uma manjedoura velha e um menino recém-nascido! Isso não é novidade, afinal, o “aniversariante” principal da semana nasceu no seguinte contexto: “Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias, e ela (Maria) deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc. 2.6-7). Pois é, a hospedaria estava tão cheia de pessoas nobres, importantes, fregueses pontuais, que não sobrara lugar para Jesus Cristo!

Meu caro ouvinte, houve lugar para Jesus em sua vida durante este ano? Se não, por quanto tempo você vai permitir que essa situação perdure? Use coisas, ame pessoas. E, mais importante, busque ao SENHOR enquanto se pode achá-lO.

Feliz Natal, próspero ano novo!
E pense nisso.
Rev. Renato Arbués.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

E na crise, fazer o quê?

Há pelo menos três meses os jornais não falam de outra coisa a não ser a tal crise do sistema financeiro. O banco “fulano de tal” quebrou, a montadora X vai fechar as portas, cidadãos americanos perderam suas casas, não há empregos. Os economistas se revezam nas entrevistas para aconselhar-nos, mas o que eles falam, sem falsa modéstia, todos nós já sabíamos: “É preciso ter cautela. Cuidando com as prestações. Os juros são exorbitantes...”. Parece que o mundo vai entrar em concordata, preparando-se para declarar falência.

Por aqui, na terra do “em se plantando tudo dá”, os governantes se comportam como adolescentes. Num dia, o presidente vem a público e diz para gastar: “Tem de gastar mesmo. Com muito dinheiro circulando, evitaremos a recessão, salvaremos os empregos e movimentaremos a economia”. No outro, com o mesmo terno azul e a barba branca de sempre, o conselho, em tom sereno e paternal, é: “Tem que ter um pouquinho de juízo. Não se pode comprar tudo”. No que diz respeito à análise da dimensão da crise, a coisa não é muito diferente, não. O mandatário maior da pátria, no comecinho do problema, disse que a crise chegaria aqui como “um ventinho”, quase uma brisa. Agora já admite que “a coisa tá parecendo uma leve tempestade”. Como assim, leve tempestade? O que é isso? Essa é da mesma lavra do “grite baixo, por favor”.

Independentemente do alcance da crise e dos seus efeitos, há algo de meritório nela. Ela nos faz rever algumas de nossas práticas à luz de nossas teorias. Fica claro que a palavra teoria está sendo usado no lugar de “doutrina”. Pois bem, comecemos com a oração que Jesus nos ensinou. Nela, pedimos que o pão de cada dia seja dada “a cada dia”. Na prática, queremos mais do que pão (alimento). A cada dia gastamos nossos recursos adquirindo pão, cd, roupa, livro, som, brinquedo, jóia, relógio e um montão de coisas que precisamos ou que sequer sabemos para que servem. Mas temos em casa!

E a doutrina da Providência? Ela ensina que Deus vê e cuida de todas as nossas necessidades. Mas como Ele faz isso? Há quem jure que anjos descem do céu e aplicam uma injeção com antibióticos em sua coluna (também pode ser no pé, no braço, na mão), enquanto o pastor (outro, não eu) estava orando! Também crêem que Deus manda anjos depositarem dinheiro nas suas contas bancárias, fechar a boca de cachorro bravo, empurrar carro (“quando a gasolina acabou, ainda andamos cinco quilômetros, oh glória!”), sortear o nome premiado na rifa e coisas afins. Mas é assim que Deus age providencialmente?

Biblicamente, a resposta é não. Deus cuida de nossas necessidades através de nós mesmos. Alguém disse que não devemos orar para que Deus resolva nada, se não estivermos dispostos a fazer parte da resposta divina. A Bíblia está cheia de diretrizes para que ajudemos uns aos outros, para que auxiliemos as viúvas e os órfãos, que deixemos cair espigas de milho para saciar a fome dos desamparados. Contudo, deve-se admitir, com vergonha, que a prática da igreja tem sido outra. Os cristãos têm se tornado egoístas, não demonstrando solidariedade com os carentes. E os crentes ambiciosos? Estão sempre desafiando a Deus, colocando o dedo em Seu rosto (?), exigindo que as “portas do céu sejam abertas” e que tenham prosperidade e saúde, prosperidade e saúde...

O Senhor Jesus disse que devemos nos inquietar com as ansiedades da vida. Ele sabe do que precisamos antes de pedirmos: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas” (Mt. 6.31-32). Na teoria, cremos; na prática, vivemos assim?

A crise está aí. É real e é bom que tenhamos prudência. Somos filhos da Luz e, como tais, devemos viver de forma digna da nossa vocação (2 Ts. 1.11). Não precisamos de economistas ou de presidentes, nem de apresentadores nem de conselheiros, para nos ensinar o que aprendemos nas Sagradas Escrituras: Confiar em Deus e viver de forma sóbria, contentar com o que temos recebido, prover aos órfãos e às viúvas e ser gratos a Deus por suprir cada uma de nossas necessidades (Fp. 4.19).
Rev. Renato Arbués.

sábado, 29 de novembro de 2008

Reflexão sobre a tragédia em Santa Catarina e o lugar de Deus

“Era como se o mundo estivesse se acabando”, foi assim que uma senhora, sobrevivente da catástrofe de Santa Catarina, relatou a impressão que teve ao fugir desesperada com o barulho do desmoronamento de parte do morro onde ficava a sua casa. Centenas de pessoas descreveram da mesma maneira o drama que passaram nos últimos dias. Famílias perderam tudo o que possuíam, sendo que não poucas choram a perda de vários entes queridos. De tudo que vi e ouvi, a cena mais comovente foi a fala de outra senhora. Ao ser questionada pelo jornalista sobre o que faria, ela respondeu: “Não sei. Não sei como recomeçar. Não sei o que fazer”.

As catástrofes são eventos embaraçosos para qualquer pastor explicar. Elas se apresentam como falhas no roteiro de Deus. É como se algum vírus infestasse o computador que processa a história humana, quebrando a rotina, danificando a ordem aparentemente harmoniosa do convívio homem-natureza. Talvez por isso, as primeiras explicações sejam buscadas nas chamadas “causas naturais”. O que aconteceu? “Basicamente, três fatores causaram essa tragédia: a enorme quantidade de chuva, o tipo de terreno e à imprudência de algumas pessoas que construíram suas casas em áreas de risco. Esses três fatores são responsáveis por tudo que testemunhamos”, essa foi a explicação de um geólogo.

“Ah, então foi isso? Ótimo, vamos organizar as equipes de resgate, os postos de doações, as contas bancárias para depósito de dinheiro, enfim, vamos amenizar o sofrimento dos catarinenses e reconstruir suas moradias”. O conforto que sentimos quando racionalizamos a vida e seus infortúnios permite-nos relativa paz e tranqüilidade. Até que outra catástrofe aconteça.

Houve um tempo em que os desamparados e aflitos costumavam clamar pela misericórdia divina. Os sofredores demonstravam duas atitudes: a primeira era o reconhecimento da presença de Deus em todos os fatos. Eles diziam: “Deus sabe o que faz. Se Ele permitiu que eu enfrentasse tal situação, é porque Ele tem algum propósito”. E em seguida arrematavam: “Tenho fé em Deus! Hei de vencer esse obstáculo”.

Hoje, infelizmente, as pessoas estão perdendo esse referencial. Deus não faz mais parte da vida delas. Não se recorre a Ele nem para explicar nem para superar as adversidades. Salvo raras exceções, a maioria dos homens prefere confiar no próprio esforço, na solidariedade dos semelhantes, na coragem, enfim, viveram tanto tempo olhando para baixo que a musculatura do pescoço já atrofiou e não pode mais olhar para cima. Pouco a pouco, a sensibilidade às obras de Deus está sendo perdida.

“Ouve-se a voz do SENHOR sobre às águas; troveja o Deus da glória; o SENHOR está sobre as muitas águas” (Sl. 29.3). Você ainda se lembrava dessas verdades? O bem e o mal fazem exatamente o que Deus quer. Estão ambos a serviço da glória do Senhor do universo. Não há sequer um centímetro onde a majestade de Deus não alcance. Ele governa todos os eventos, sejam ordinários (comuns, rotineiros), sejam catastróficos (enchentes, terremotos...). Ele jamais deixará de exercer o Seu domínio: “O SENHOR preside aos dilúvios; como rei, o SENHOR presidirá para sempre.” (Sl. 29.10).

Os homens foram criados à imagem e semelhança de Deus. Por isso são tão inteligentes. Eles conseguem explicar várias coisas. Pela observação e pelo estudo cuidadoso, entendem certos fenômenos naturais, bem como suas causas e conseqüências. Somos gratos a Deus por ter nos feito assim, inteligentes. Também somos gratos a alguns homens (cientistas, pesquisadores) por dedicarem suas vidas aos estudos e, assim, auxiliar-nos em nossa existência. A medicina, a astronomia, a engenharia e as demais ciências contribuem para que “tenhamos uma vida tranqüila e abençoada”. Contudo, elas jamais poderão ser o objeto de nossa fé. Seremos infelizes e eternamente insatisfeitos se confiarmos apenas nos homens e na sua limitada capacidade de explicação e solução dos problemas.

A sensação estranha que sentimos diante das cenas de destruição que vimos é fruto do amor de Deus em nossos corações. O pecado consegue distorcer e mesmo diminuir muitos dos frutos dessa virtude, porém, “o amor jamais acaba”. Brasileiros de todos os cantos, de todas as classes, de todas as crenças estão unidos em prol da mesma causa: o auxílio aos desamparados de Santa Catarina. É comovente ver homens e mulheres chorando pela situação de pessoas que nunca viram. Nesses momentos, é possível enxergar um pequeno brilho da imagem divina refletida em todos os seres humanos. Um pequeno raio, não mais que isso.

Oremos pelos desabrigados; oremos pelos que perderam parentes e amigos; oremos por nossos compatriotas. Se possível, ajudemos com nossos recursos também. Há vários meios de fazermos doações. “Façamos o bem a todos”, disse-nos o apóstolo Paulo. Porém, jamais nos esqueçamos de que “O SENHOR dá força ao seu povo, o SENHOR abençoa com paz ao seu povo” (Sl. 29.11).

Se a senhora citada no início dessa pastoral acreditasse nessas palavras, certamente ela estaria aflita. Mas, pelo menos, saberia por onde recomeçar!
Rev. Renato Arbués.

domingo, 23 de novembro de 2008

O Poder é meu. Ou seu!

Nos últimos dias, nossa cidade foi agitada com os boatos de que o prefeito eleito, Paulo Machado, poderia perder o mandato. Os motivos, segundo o advogado da outra coligação (em entrevista ao Jornal Canal Aberto, da rádio Caraíba), seriam o uso indevido do programa “Bolsa Família” e o toque do jingle – num período proibido pela Lei Eleitoral – da campanha do PT num evento no distrito de Carrapichel. A decisão da Justiça Eleitoral sairá nos próximos dias.

Nesta pastoral, não discutirei a responsabilidade deste ou daquele. Isso está além de minha competência. Vamos, entretanto, tomar as atitudes dos dois grupos políticos como emblemático do comportamento humano. O que está implícito nessa disputa? O que motiva ambos os lados: um para continuar no poder; outro, para tomá-lo? Ora, a eterna luta pelo poder. Uns lutam para conquistá-lo, enquanto outros o defendem a todo custo. Será o poder algo tão bom assim?

Você, com certeza, conhece o famoso ditado “o poder corrompe”, atribuído por uns a Nicolau Maquiavel; outros, no entanto, juram de pés juntos que o autor foi um tal de Lord Acton. Quem quiser enviar carta com a resposta, sinta-se à vontade. O que há de certo, é que o poder, na maioria das vezes, tanto corrompe quanto revela.

O poder corrompe? Corrompe, você dirá, apenas algumas pessoas. Que tipo de pessoa é corrompida por ele? A Bíblia menciona alguns, entre eles os avarentos. Estes não herdarão o reino dos céus (1 Co. 6.10). A avareza está relacionada ao desejo sórdido e excessivo pelo dinheiro. Poderíamos igualar poder e dinheiro? Trata-se da mesma coisa? Talvez sim, talvez não. Nem todas as pessoas têm como objetivo de vida a riqueza. Há quem deseje o poder pelo amor ao poder, ao status por ele conferido. Nossa sociedade está cheia de gente assim, são as chamadas celebridades.

Se você perguntar o que é ou o que faz uma celebridade, eu direi: “Tá aí uma questão difícil de responder”. Umas só aparecem na televisão, em programas de entretenimento (?), como Big Brother e congêneres. Outros “cantam”, outros dançam. Há os que casam e outros que brigam. Sem falar nos que posam nus. E há os políticos, os secretários, os diretores. Enfim, os poderosos. Ou você acha que poderosos não são celebridades? Eu fico com a definição que ouvi certo dia de alguém de quem não me recordo o nome: “celebridade é quem consome a si mesmo”. Perfeita definição. O que alimenta uma celebridade? Ela mesma, sua imagem, a “admiração” que os “fãs” declaram ter por ela. Pobres celebridades, corrompidas pelo poder e suas conseqüências.

Mas o poder é também revelador. Ele não é apenas o agente deformador de caráter. Por vezes ele é somente a luz lançada nas trevas da personalidade. Um sábio disse: “Quer conhecer uma pessoa? Dê-lhe poder!”. O Zé de ontem, hoje é o Sr. José. Por que a mudança? Exigência dele. Sinal de respeito. O Jão de outrora, uma vez deputado, será o Excelentíssimo Sr. João (com dois “os”). Lembra da Mariinha, aquela de vestido de chita, que vendia bolo? Pois é, “tirou um deploma” e hoje é a Dona Maria das “tantas” (seu sobrenome). Pergunta: O que mudou foi a essência ou a aparência dessas pessoas fictícias?

A contraposição a tudo isso é encontrada nas páginas das Escrituras Sagradas. Lá, os exemplos que temos são de homens e mulheres que tinham tudo para serem reverenciados e adorados pelos demais mortais, mas preferiram a humildade. Homens como João Batista, que ao receber a pergunta almejada por muitos, como a deixa para se vangloriarem, respondeu apenas: “Convém que Ele (Jesus) cresça e que eu diminua” (Jo. 3.30). Graças a Deus, a história das grandes realizações humanas está repleta de personagens secundários, cuja participação nos eventos históricos foi decisiva.

Aliás, o autor de Hebreus, após mencionar alguns nomes de heróis da fé, conclui o parágrafo destacando os gigantes de Deus, “homens dos quais o mundo não era digno” (Hb. 11.38), gente de quem sequer sabemos os nomes, mas que receberam a maior das recompensas: o prazer de Deus.

Tomara que os que disputam o poder de nossa cidade estejam a, pelo menos, meia altura dos homens que realmente fizeram a diferença. Tomara que o poder não corrompa o ganhador - seja quem for - e nem o revele muito diferente do que julgamos.

Deus nos abençoe.
Rev. Renato Arbués.